Elite faz campanha para subir os juros
 

Interessante que, anos atrás, a mídia brasileira dava destaque negativo aos juros altos.

Quando agora o governo Dilma baixou os juros aos níveis mais baixos em décadas, eis que surge uma campanha para elevar os juros.

Vários economistas famosos, que ocuparam cargos no governo em épocas de juros altos, baixo crescimento, alto desemprego e alta dívida pública, e a grande mídia, insistem para que o Banco Central volte a subir a Selic (usada no pagamento dos que emprestam ao governo, com repercussão nos juros dos bancos e crediários). O argumento é segurar a inflação.

Estes economistas, hoje, têm empresas que atuam no mercado financeiro, responsáveis pelas aplicações das grandes e médias fortunas, e são conselheiros da oposição, que adere às suas propostas.

Quem leva vantagem com juros mais altos? O governo vai pagar mais a quem lhe emprestou. O consumidor vai ter prestação maior. O empresário pagará mais pelo empréstimo.

A vantagem será de quem tem dinheiro sobrando e aplica no mercado financeiro, e, por certo, os bancos.

Esta campanha propõe mais: reduzir o crédito, para que a grande maioria da sociedade compre menos.

Para estes sábios o povo está comprando demais.

Seria bom averiguar como as elites ricas, que eles defendem, gastam seu dinheiro.

Querem ainda reduzir a procura de serviços (cujos preços não têm concorrência com importados) para que a população ande menos de ônibus ou de avião, vá menos ao cabeleireiro, use menos o telefone e a internet. Eles propõem reduzir os gastos do governo, mas escondem quais.

Na prática, topam menos universidades e escolas técnicas gratuitas, menos equipamentos de saúde pública, menos exames e remédios, menos pessoal na educação e na saúde, menos Bolsa Família, menos aposentadorias, itens que envolvem mais de 50% dos gastos públicos.

Eles querem que o governo economize, apertando o povo para gerar mais superávit e pagar mais juros.

Querem passar ao setor privado tudo o que puder na infraestrutura nacional e, ao mesmo tempo, aumentar a taxa de lucro nas concessões. Isto é, que os usuários paguem mais.

Querem que os endinheirados ganhem mais, gerando desemprego, reduzindo o comércio e os serviços, segurando salários e aposentadorias, mesmo fazendo voltar à pobreza muita gente que saiu dela.

Eles tiveram uma vitória no Banco Central com a subida da Selic de 7,25% ao ano para 7,50%. Querem mais altas.

Cabe ao governo e à sociedade resistir.

Há outros caminhos para segurar a inflação, como o governo tem feito.

Entre eles, reduzir os tributos em itens que a causam diretamente, como a cesta básica, os transportes, o material escolar, desde que as empresas não embolsem a diferença.

Elói Pietá é ex-prefeito de Guarulhos. Publicado no jornal Diário de Guarulhos dia 25/04/13

 

 

ELÓI PIETÁ
Data da Publicação: 06/05/2013


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