A defesa cega dos equívocos do Governo em nada ajuda
 

GABRIEL ALVES*

Dois dias depois do leilão de Libra, o braço ainda dói um bocado. Mas, o pior mesmo é a cabeça inchada tentando entender a postura de algumas pessoas e, principalmente, onde vamos terminar com essa história toda. Passei o dia ontem lendo ao invés de escrever, tentando assentar as ideias na cabeça antes de sair falando por aí e, mesmo assim, não é fácil organizar tudo para jogar para fora, mas é necessário, mesmo sendo difícil. Vou por pontos, para me ajudar:

1. Mais de noventa organizações (entre elas CUT, CTB, CGTB, UNE, MST, AEPET, ANPG, Clube de engenharia, CMB, CONEN, JPL e Levante Popular da Juventude) apresentaram uma carta, pedindo que a presidente Dilma as recebesse para discutir o leilão. Se o leilão é tão bom para o Brasil quanto a presidente disse, porque ela não fez uma reunião para explicar as vantagens?

2. Ao invés de estabelecer um diálogo com o movimento social, a presidente mobilizou a Força de Segurança Nacional e o Exército Brasileiro para, em uma relação tão fraterna quanto a da corda com o pescoço, garantir a segurança do leilão. Essa atitude foi tão bonita que deixou Renaldinho Cabeção vibrando de emoção - http://migre.me/gngjI

3. Vi muita gente dizendo que a oposição ao leilão era promovida por esquerdistas extremistas, cheguei a ver um asno (perdoem a sinceridade em grande dose) escrever que estranhava a aliança do PPL com o PSOL, PCR e PSTU. Porém, um pouco de honestidade intelectual permite ver que além do PPL, PSOL, PCR, PSTU também estavam: Sergio Gabrielli (ex-presidente da Petrobras no governo Lula), Guilherme Estrella (Diretor da Petrobras no governo Lula e considerado o pai do Pré-sal), Ildo Sauer (chefe o Instituto de Energia da USP e ex-diretor da Petrobras no governo Lula). Carlos Lessa (ex-reitor da UFRJ e ex-presidente do BNDES no governo Lula), FUP (federação filiada a CUT), UNE, senadores e deputados que compõe a base aliada do governo Dilma e vários deles filiados ao PT, entre outros.

4. Os tais “85% de toda a renda a ser produzida no Campo de Libra” que seriam para o Estado brasileiro não existem, são um belo conto da carochinha. A começar pelo percentual mínimo de excedente em óleo de 41,65% que ficaria para a união, que de mínimo não tem nada. Na verdade o percentual varia entre 9,93% e 45,56% (quem quiser conferir, olhe a tabela 10 do edital publicado no site da ANP – http://migre.me/gngIU), conforme uma média entre valor do barril e número de barris produzidos.

5. Para chegar aos tais 85% se fez uma conta que soma royalties, excedente em óleo, impostos e mais o que fosse possível inserir. Essa conta é igual somar caminhões com laranjas; ou berinjelas com lapiseiras; ou barris de petróleo com renda de impostos. O que interessa não é imposto, uma vez que qualquer empresa os pagaria, e sim o percentual de excedente em óleo que fica com a união e, nesse quesito, ficou bem abaixo da média mundial de 72%.

6. Nenhum país do mundo leiloa uma reserva descoberta e mapeada. Libra foi descoberta e mapeada pela Petrobras e, depois disso, a ANP retirou o bloco da mesma. Ou seja, não existe nenhum risco exploratório em Libra, basta perfurar e retirar o óleo. Se não tem risco, não tem nenhum motivo para leiloar, não tem nenhum motivo para permitir que as petroleiras se apropriem dessa riqueza.

7. 40% do maior campo de petróleo do mundo foi entregue a dois dos principais monopólios petroleiros do mundo: Shell e Total (Rothschild).

8. A brilhante ideia de montar um consórcio gigante, além de permitir a participação dos grupos já citados, também fez que o percentual de excedente em óleo não tivesse nenhum ágio. Ficou nos 41,65% imaginários.

9. A tal estatal do Pré-Sal, a Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA), muito comemorada por alguns esta entregue as grandes corporações, no melhor formato raposa tomando conta do galinheiro. De presidente temos Osvaldo Pedrosa, primeiro brasileiro a defender o fim do monopólio estatal do petróleo e braço direito do David Zilbersztajn na ANP durante o governo FHC; outro diretor, Antonio Claudio Pereira da Silva, foi chefe de gabinete de Henri Philippe Reichstul , presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique e é sócio do presidente do IBP, que comanda o lobby em favor das empresas estrangeiras.

10. A Petrobras possui condições de explorar 100% de Libra. Condições técnicas e financeiras. Quem disse isso não fui eu, foi a presidente da Petrobras - http://migre.me/gnipZ

11. A defesa cega dos equívocos do governo em nada ajuda, pelo contrário, só contribui para aprofundar os atrasos e a força dos vendilhões incrustados na frente. A frente que sustenta o governo, que permitiu a eleição de Dilma, as duas eleições de Lula e segurou o governo (nas ruas quando foi preciso), só se sustenta no programa de libertar o país das amarras que impossibilitam o seu desenvolvimento e a justiça social. Não existe frente por frente, frente por espaço no governo ou frente para vender o país. Adotar esse caminho só pode levar ao desmantelamento da mesma.

12. A boa notícia é que a crise é sempre um bom momento, que permite mudanças e que o novo ganhe espaço e o velho carcomido seja enterrado. Ou, nas palavras de Carlos Lopes: Trabalhadores, estudantes, mulheres, gente humilde dos bairros, gente que saiu das plataformas e das fábricas, recusando o letal marasmo que lhe é oferecido, para levantar-se e defender o nosso petróleo, a Petrobrás, vale dizer, a nossa Nação, a nossa Pátria. Pois aí está o novo Brasil, ainda em germe, aí, sim, está o nosso passaporte para o futuro.

* Gabriel Alves é o Coordenador Nacional do Juventude Pátria Livre

 

Gabriel Alves
Data da Publicação: 24/10/2013


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