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09/11/2011 | No G-20, Dilma descarta dinheiro para socorrer bancos da Europa

*Notícia publicada originalmente no jornal Hora do Povo.

 

“O Brasil não tem porquê fazer isso”, afirmou a presidenta em entrevista na reunião do G-20

 

A presidenta Dilma Rousseff descartou na sexta-feira (4), durante a reunião do G-20 (grupo dos 20 países mais desenvolvidos), realizada em Cannes, na França, a participação do Brasil no socorro a bancos europeus (franceses e alemães) em apuros (ver também página 7). “Eu não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição direta para o Fundo de Estabilização Europeu. E por que eu não tenho? Porque nem eles têm. Por que eu teria?”, salientou durante entrevista coletiva.

 

“Eu faço a contribuição para o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, disse. E explicou: “Porque dinheiro brasileiro, de reserva, é dinheiro que você protege. Foi tirado com o suor do nosso povo. Então não pode ser usado de qualquer jeito”. “Vocês estão assistindo toda a confusão que é para aumentar os recursos do Fundo de Estabilização. O Brasil não tem porquê fazer isso”. “Eu posso até divergir, muitas vezes, de que acho que o Fundo Monetário tem de monitorar a consolidação fiscal e os fluxos financeiros; mas tem de assegurar também que, sem o mínimo de crescimento, os países também não saem da crise”, acrescentou a presidenta.

 

Dilma criticou também as manobras utilizadas pelas potências econômicas, principalmente os EUA, para alterar o câmbio em favor de maiores lucros de suas empresas. Ela disse que essas medidas afetam os países emergentes. “Por exemplo: quando os países desenvolvidos utilizam expansão monetária excessiva o que acontece?”, questionou, acrescentando que isso favorece à especulação.

 

Também foram alvos de reprovação da presidenta as políticas recessivas adotadas pelos países desenvolvidos com o pretexto de combate à crise financeira. “É muito difícil haver uma recuperação em relação à crise sem processo de retomada do crescimento. Até porque, os processos recessivos tornam não só os ajustes muito custosos, mas em alguns casos até inviáveis, na medida em que faltam os recursos necessários para o próprio saneamento”, ponderou.

 

Respondendo sobre as discussões com a China, Dilma disse que, além da aliança estratégica dos dois países dentro dos BRICS (grupo que reúne Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul), foi tratado “o fato de que a governança do FMI tem de refletir uma mudança na correlação de forças, que não é a mesma de Bretton Woods, que mudou”. “Então”, disse Dilma, “isso tinha de estar expresso na governança”. “Como nós, com maiores cotas, e outros países com menores cotas. Houve mudanças. Então, não só nós, mas a China defende, e acredito que isto reflete o mundo novo que estamos vivendo”, afirmou.

 

Quando a jornalista Débora Berlinck, do Globo, concentrou suas perguntas nos “problemas” com a China - principal parceira comercial do Brasil -, falando exclusivamente do câmbio chinês e de um possível dumping de seus produtos, Dilma respondeu enfatizando, não os problemas com os chineses, mas as manobras cambiais americanas. “Os Estados Unidos não me dão garantia se vão ou não fazer outro quantitative easing. Porque, cada vez que ele faz um quantitative easing, o dólar cai, minha moeda sobe”, explicou.

 

“Obviamente, nós nos protegemos. Não é protecionismo, nós temos de nos proteger também, cada um faz o que pode. Agora, tem algumas medidas que nunca vamos controlar. Não vamos controlar a hora que eles resolvem despejar 800... A última vez foram 800 bilhões. Quanto foi o último quantitative easing, o dois? Seiscentos bi? Eu não tenho como controlar isso e não temos como controlar também a política cambial chinesa”, respondeu.

 

Sobre a proposta de taxação das operações financeiras, Dilma disse que é a favor. “Nós temos o IOF, que é uma taxa sobre a operação financeira. Não somos contra a taxação global. Se todos os países forem adotar uma taxa, o Brasil não é contra isso”, frisou. “Tem países que são contra, porque fazem das finanças o seu melhor negócio. A gente vende alimento, minério, petróleo, avião, vendemos uma porção de coisas. Tem país que não, só vende serviço financeiro, então eles são contra. Nós não. Se tiver uma taxa financeira global, o Brasil adota também, nós não somos contra”, enfatizou a presidenta.

 

 

 
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