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11/11/2011 | Produção cai nos estados mais industrializados do país, diz IBGE

*Matéria publicada originalmente no jornal Hora do Povo.

 

Governo colhe fruto da recessão que plantou. Juros altos, importacionismo, cortes nos investimentos públicos e salários estão dilapidando o legado de Lula. Em setembro ante agosto, a queda em SP foi de -4,2%, Paraná -13,5%, Rio -3%, MG -2,7%

 

A produção industrial do Estado de São Paulo despencou 4,2% em setembro, na comparação com o mês anterior, segundo dados do IBGE divulgados na terça-feira. O resultado em São Paulo - o estado com parque industrial mais diversificado e que concentra cerca de 40% de toda a produção fabril do país – é o retrato mais acabado da política econômica de derrubar o crescimento: cinco aumentos seguidos da taxa Selic, restrições de crédito, corte de R$ 50 bilhões do Orçamento, financiamento preferencial às multinacionais e a grupos nacionais aspirantes a monopólios e fechar os olhos ao importacionismo desvairado. Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério de Souza, “o resultado mostra mais do que uma desaceleração. É uma retração mesmo”.

 

Os índices regionais da produção industrial registram que em setembro a atividade da indústria paulista despencou 4,2%, na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A indústria de São Paulo teve o segundo resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação. Foi a pior queda desde abril, quando caiu 4,3%”, afirmou o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, em entrevista coletiva na terça-feira (8).

 

O resultado em São Paulo - o estado com parque industrial mais diversificado e que concentra cerca de 40% de toda a produção fabril do país – é o retrato mais acabado da política econômica de derrubar o crescimento, conforme se propôs no início do ano o ministro da Fazenda, Guido Mantega, secundado pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Cinco aumentos seguidos da taxa Selic, restrições de crédito, corte de R$ 50 bilhões do Orçamento, ação desastrosa rotulada de “fazer mais com menos”, não poderiam dar em outra coisa a não ser na queda da atividade econômica. A essa altura do campeonato, nem o último semestre vai “salvar” o ano. As previsões mais otimistas apontam 3,5% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2011. Em 2010, o PIB teve um crescimento de 7,5%.

 

Trata-se de uma total e completa prostração diante da crise mundial. Ao invés de aproveitar a crise dos países dominantes para adotar uma política autônoma, de crescimento, como já ocorreu em outras oportunidades, a equipe econômica acha que o único caminho é também embarcar na crise adotando medidas que enfraquecem o mercado interno e paralisam o país. Juros mais altos do mundo, guerra contra o aumento real de salários, arrocho do funcionalismo, financiamento preferencial às multinacionais e a grupos nacionais aspirantes a monopólios, fechar os olhos ao importacionismo desvairado, são ações de quem joga contra e não a favor do Brasil.

 

É inútil, depois, jogar a culpa na crise dos EUA e dos países europeus, pois foram as decisões tomadas internamente as causas do pífio desempenho da produção industrial, setor mais dinâmico do conjunto da economia.


Os segmentos responsáveis pela queda em São Paulo - veículos automotores, máquinas e equipamentos, materiais eletrônicos e aparelhos de comunicações, e máquinas e materiais elétricos – foram os mesmos que puxaram a retração no desempenho nacional (-2,0%) na passagem de agosto para setembro.

 

No período, os índices recuaram em sete dos 14 locais pesquisados pelo IBGE, com ajuste sazonal, sendo que no Rio Janeiro a queda foi de 3% e em Minas Gerais, de 2,7%. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) vem “chamando a atenção para a fraca evolução da produção industrial no Sudeste do país – uma preocupação evidente, pois mais de 60% de toda atividade industrial se concentra nesses três estados”.

 

Para o economista-chefe do Iedi, Rogério César de Souza, “o resultado mostra mais do que uma desaceleração. É uma retração mesmo”. Segundo ele, “os dados regionais da produção industrial referentes a setembro reforçam as preocupações com relação ao desempenho da indústria nacional nos próximos meses”, o que pode levar a um crescimento industrial menor do que 1,5% em 2011: “O último trimestre não vai salvar a colheita da indústria, não vai reverter esse quadro. É possível que afete o emprego industrial, que hoje opera perto da estabilidade, mas pode passar a observar retrações em alguns setores”.

 

Em Minas Gerais, são sete taxas negativas no ano, das quais quatro consecutivas (de junho a setembro), acumulando até setembro um aumento de exíguos 0,8%. No Rio de Janeiro, são cinco variações negativas e crescimento de 1,3% no mesmo intervalo.

 

A queda mais acentuada ocorreu no Paraná (-13,5%), principalmente no setor de máquinas e equipamentos, além de outros ramos que despencaram nacionalmente. Conforme o IBGE, os demais estados que assinalaram redução na produção acima da média nacional (-2,0%) de agosto para setembro foram: Rio Grande do Sul (-1,4%), Santa Catarina (-0,8%) e Pará (-0,2%).

 

Na comparação entre trimestres (trimestre ante trimestre imediatamente anterior), a evolução da produção nos referidos estados do Sudeste também é fraca: em São Paulo, no primeiro trimestre houve avanço de 2,1% e depois quedas de 1,5% e 1,3% no segundo e terceiro trimestres, respectivamente. Em Minas Gerais, trajetória decrescente de 0,4%, –0,1% e –2,7% do primeiro ao terceiro trimestre. No Rio de Janeiro, variação negativa no primeiro trimestre (–1,1%), no segundo (–1,1%) e uma pequena reação no terceiro trimestre (+0,7%).

 

De acordo com o Iedi, “outro ponto que poderá aparecer de forma mais contundente nas estatísticas do IBGE é o recuo do emprego industrial, que vem se mantendo estagnado, mas já dá sinais de algum encolhimento”.

 

O setor mais atingido pelos juros altos e o câmbio adverso é a indústria de transformação. Em 2005, sua balança comercial teve um superávit de US$ 22,4 bilhões. Neste ano, em apenas nove meses foi registrado um déficit de US$ 35,3 bilhões, ou seja, uma queda de US$ 57,7 bilhões em menos de seis anos.

 

 
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