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30/11/2011 | Pagar R$ 216 bilh√Ķes pela d√≠vida p√ļblica √© um esc√Ęndalo

Editorial do Jornal do Comércio de Porto Alegre do dia 30 de novembro de 2011.

 

Há respaldo para que o Copom reduza em 0,5 ponto percentual a taxa de juros, que está em 11,5% ao ano. É que o antigo conflito entre inflação e crescimento na hora de optar pelo corte na taxa de juros não é válido para o quadro atual da economia brasileira. Há uma piora da confiança do empresariado, choque de investimento e diminuição da atividade da indústria, que já afeta a produção de veículos. Esse quadro de desaceleração da atividade deve moderar os aumentos de preços. Por isso, o BC pode cortar lentamente os juros para garantir a inflação na meta. O problema é que o governo pagou, em 2011, R$ 216,82 bilhões em juros da dívida pública. O cálculo foi realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que lançou o “Jurômetro”. A ferramenta é inspirada pelo “Impostômetro”, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Enquanto o “Impostômetro” mostra em tempo real o peso da carga tributária brasileira, o “Jurômetro” utiliza dados oficiais do Banco Central (BC) em um modelo estatístico que considera a taxa básica de juros (Selic) e o número de dias úteis. A Fiesp lembra que se os R$ 216,82 bilhões fossem aplicados em educação seriam suficientes para construir 234.542 escolas de Ensino Fundamental. Ou 332 novos aeroportos com o padrão do de Natal (RN).


Então, nesta quarta-feira, a Selic, que está em 11,50% ao ano desde o dia 19 de outubro, deve cair para 11%, próxima dos 10,75% do fim de 2010. Em 2011, o Copom fez cinco elevações seguidas da Selic, até atingir 12,5% no dia 20 de julho. De lá para cá, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) começou a perder força, o que permitiu ao BC mudar os rumos da política monetária e promover duas reduções de 0,5 ponto percentual cada. Ao contrário das outras ciências nas quais fenômenos repetidos levam a uma mesma resposta, a economia tem no seu bojo um forte grau de incerteza. Mesmo porque a realidade depende das reações das pessoas. O Produto Interno Bruto (PIB) deu uma arrefecida, mas espera-se um crescimento de pelo menos 3,5% em 2011.

 

O fim dos estímulos de redução de impostos em bens duráveis, assim como uma tendência ao esgotamento da ampliação do endividamento dos consumidores, por si só já representavam importantes amortecedores do que aparentemente se mostrava como um crescimento elevado do consumo. Vale ainda ressaltar que as comparações com o ano anterior tornavam os dados um tanto ilusórios, apontando um crescimento que, na verdade, decorria muito mais do efeito estatístico devido à base de comparação baixa, fortemente afetada pelos impactos da crise mundial. Houve uma elevação de inflação episódica no início do ano, mas decorrente de preços dos alimentos e  serviços. Portanto, nada que exigisse uma elevação dos juros para desestimular a demanda e o ímpeto inflacionário. Apesar desses aspectos, o BC brasileiro elevou a Selic. Ao ampliar a diferença entre as taxas de juros domésticas e as internacionais deixou espaço para arbitragem envolvendo a taxa de câmbio, o que trouxe enormes consequências negativas para a estrutura produtiva e de comércio exterior do País. Estar no topo do ranking dos países que praticam os maiores juros reais do planeta não deve fazer parte das nossas ambições!

 

 
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