Você está em: Home >> Notícias >> Gasto com juros foi 16 vezes o que se investiu em 11 meses
 
- Procurar Notícias  
 
 
 
30/11/2011 | Gasto com juros foi 16 vezes o que se investiu em 11 meses

Até outubro foram para os bancos R$ 166,6 bilhões

 

Dois relatórios oficiais, referentes a outubro – o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, do Tesouro Nacional, e o Relatório de Política Fiscal, do Banco Central – revelam, mais uma vez, o resultado desastroso da política de aumentos de juros e demais privilégios aos bancos, implementada pelos srs. Mantega e Tombini desde o início do atual governo. Esse resultado, que derrubou o crescimento de 7,5% para 3%, ou menos, não admite tergiversações “filosóficas” (como alguns ainda perdem tempo em fazê-las) sobre o seu significado. Também nada tem a ver com a crise internacional – são, exclusivamente, um aborto provocado pela política econômica interna.

 

O governo federal sozinho (isto é, sem a Previdência, o BC, as estatais, os Estados e municípios), de janeiro a outubro, gastou em juros R$ 166,6 bilhões (precisamente, R$ 166.566.970.874,24 - cf. BC, Rel. cit., “Necessidades de financiamento do setor público – Fluxos acumulados no ano”, Quadro II, linha 28).

Já veremos como foi a evolução desses gastos com juros – e também do “estoque” da dívida federal. Antes, queremos destacar dois aspectos: o primeiro é que 54,1% dos títulos do governo estão indexados à taxa de juros do BC, a Selic (cf. BC, Rel. cit, Quadro XXXVII, linha 43). Portanto, cinco aumentos de juros, como o BC realizou este ano, têm um efeito explosivo sobre o pagamento de juros pelo governo federal – e, provavelmente, um efeito orgiástico sobre os banqueiros, sobretudo os estrangeiros.

 

O segundo aspecto é, justamente, quem detém esses títulos. Seguidamente, o BC tem afirmado que somente 11% estão em mãos estrangeiras. Não é verdade. Esses são apenas os títulos em mãos de “não-residentes” no país. Segundo o Tesouro (cf., Rel. cit, pág. 14), os bancos, incluindo os bancos estrangeiros que têm filiais no país, têm 29,75% dos títulos; os fundos de investimento, incluindo os estrangeiros e os que são controlados por bancos externos, têm outros 26,21%; as seguradoras, um ramo onde a desnacionalização foi intensa, detêm 4,24% dos títulos federais; e 11,41% são, aí sim, de “não-residentes”. São 71,61% dos títulos federais, onde a parcela estrangeira, com certeza, não é pequena, se não for a maior – e não é por acaso que não se divulga o nome desses detentores.

 

Mas, voltemos aos gastos com juros: em 10 meses, só a administração direta federal gastou com juros o equivalente a 4,97% do PIB, isto é, de todo o valor produzido no país em um ano (cf. BC, Rel. cit.).

 

Para comparação: toda a folha de pagamento do governo federal, mais encargos trabalhistas, montou, até novembro, a R$ 160,2 bilhões (cf. TN,“Execução Orçamentária por Natureza de Despesa”).

 

Resumindo: em 10 meses, o governo drenou aos bancos mais R$ 6,4 bilhões do que pagou em 11 meses de salários (e encargos trabalhistas) a todos os seus funcionários. Já se sabe por que os servidores estão caminhando para o segundo ano consecutivo sem aumento.

 

Ainda para comparação: quanto aos investimentos do Orçamento, o governo dispendeu, até o dia 28 de novembro, R$ 10,2 bilhões (para os leitores que gostam de números exatos: R$ 10.215.382.004,67). Ou seja, em 10 meses, o gasto com juros foi 16 vezes o que se investiu em 11 meses.

 

Observemos que o Orçamento de 2011 previu um total de R$ 66,5 bilhões em investimentos. O que foi investido até 28 de novembro é, portanto, apenas 15,3% do previsto para o ano.

 

 

Evolução

 

Vejamos a evolução do gasto do governo com juros.

 

Em 2010, último ano do governo Lula, no mesmo período (janeiro-outubro), foram gastos R$ 115,7 bilhões com juros (cf. BC, Rel. cit. - o número exato é R$ 115.733.428.477,64).

 

Portanto, os R$ 166,6 bilhões deste ano são um aumento de R$ 50,9 bilhões em relação ao ano passado - ou, sob a forma de percentagem, em relação aos R$ 115,7 bilhões do ano passado, são um aumento de 43,9%.

 

Não se trata apenas de um aumento em relação ao que se gastou no ano passado: em relação ao PIB, esse gasto aumentou de 3,85% do PIB (2010) para 4,97% do PIB (2011).

 

O que significa esse aumento do gasto com juros quanto à ação do governo para suprir as carências dos brasileiros? Quantos Ministérios dispenderam R$ 50,9 bilhões, ou mais, em benefício da população?

 

Exceto a Previdência - que tem orçamento próprio, e não está incluída nos números que citamos -, apenas um: o Ministério da Saúde. Não que tenha gasto muito. Pelo contrário, R$ 58,6 bilhões em 11 meses (incluindo “restos a pagar”, ou seja, pagamento de despesas de outros anos) é pouco para um país do tamanho, e com os problemas sanitários, do Brasil.

 

Exceto a Saúde, nenhum outro Ministério dispendeu nem mesmo o que corresponde apenas ao aumento do gasto com juros no atual governo, até outubro: a Educação, no dia 28 de novembro, dispendera R$ 42,4 bilhões; a Defesa (cuja despesa, em 80%, é folha de pagamento) gastara R$ 44,7 bilhões; o Ministério do Combate à Fome, R$ 40,2 bilhões; a Ciência e Tecnologia, míseros R$ 3,6 bilhões; a Agricultura, R$ 5,3 bilhões; o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nem um bilhão: R$ 982,8 milhões; os Transportes, R$ 7,1 bilhões; o Ministério das Cidades, R$ 1,3 bilhão; a Integração Nacional, R$ 1,8 bilhão; o Ministério do Meio Ambiente, R$ 1,3 bilhão; e nem é preciso dizer que a Cultura somente conseguira gastar R$ 586,3 milhões (cf. TN, “Execução Orçamentária por Órgão”).

 

Em relação à verba do Orçamento para 2011, o Ministério das Cidades, até novembro, dispendeu 5,8%; o Ministério da Integração Nacional, 27%; o Ministério dos Transportes, 32,1%; o Meio Ambiente, 42,1%; e não continuaremos, porque já está claro o resumo da ópera.

 

 

Dívida

 

Enquanto isso, o “superávit primário” do governo federal, isto é, o confisco de receitas orçamentárias para pagar juros, entre janeiro e outubro, atingiu R$ 122,6 bilhões (cf., BC, Rel. cit.), um aumento de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado. E nem essa monstruosidade bastou – mas foram os serviçais que, na Fazenda e no BC, implementam a sôfrega política de locupletar os bancos, que aumentaram os juros, e, portanto, aumentaram as transferências do Tesouro para os bancos. Essas transferências via juros, R$ 166,6 bilhões, excederam o confisco em R$ 44 bilhões – o que significa que outros confiscos foram feitos, através do famigerado contingenciamento.

 

Apesar disso, segundo o Tesouro, a dívida do governo federal aumentou, durante o atual governo, em R$ 112,5 bilhões, passando de R$ 1 trilhão e 694 bilhões (dezembro de 2010) para R$ 1 trilhão e 806 bilhões (outubro de 2011). Para ver o que valem aqueles sujeitos que vivem comemorando a redução da relação “dívida líquida/PIB”, como se isto significasse outra coisa além de que está-se entregando aos bancos os recursos para enfrentar os problemas do povo, extorquido por essa indecência.

 

Em suma, pagou-se R$ 166,6 bilhões de juros, a dívida aumentou R$ 112,5 bilhões, confiscou-se um “belo primário” (como diz o sr. Mantega) de 122,6 bilhões, o crescimento caiu de 7,5% para 3%, se tanto, e os órgãos da administração gemem sob esse arrocho estúpido, não chegando a dispender nem as modestas quantias que o Orçamento lhes reserva, longe disso.

 

 

Custo

 

Por último, o custo da dívida – do qual fazem parte os juros, mas não apenas (os bancos não são assim tão caridosos a ponto de só cobrar R$ 166,6 bilhões de juros – e os serviços? E as taxas? E o benefício que nos fazem aos nos roubar? Não merece ser remunerado?).

 

O custo médio dessa dívida, em dezembro de 2010, era alto: 11,59% do total da dívida federal, que era de R$ 1 trilhão e 694 bilhões. O que significava que o governo gastava, anualmente, R$ 196,3 bilhões com o custo da dívida (cf. TN, “Relatório Mensal da Dívida Pública Federal”, pág. 19).

 

Pois, de janeiro a outubro deste ano, o custo da dívida aumentou para 12,51%. Como a dívida federal também aumentou (para R$ 1 trilhão e 806 bilhões), isso significa que o governo está gastando R$ 225,9 bilhões com o custo da dívida – se, até o fim do ano, a dívida, ou seu custo, não aumentarem, o que, nessas condições de subserviência aos bancos, é improvável. O fato é que somente o custo da dívida já aumentou R$ 29,6 bilhões (cf. TN, Rel. cit.).

 

Alguns leitores poderão achar que essas cifras mais parecem pertencer à astronomia do que à política econômica. Antes assim fosse. Na Execução Orçamentária há outro dado – até o dia 28 de novembro, a União (que não é apenas o governo federal, mas o total da máquina pública) já havia pago R$ 233,2 bilhões em “encargos financeiros” (mais exatamente: R$233.278.840.153,87).

 

Trata-se de dinheiro, não de refinanciamento ou rolagem da dívida - esta montava a R$ 427,9 bilhões na mesma data (cf. TN, “Execução Orçamentária por Órgão ”, linha 45).

 

Carlos Lopes

Vice-Presidente nacional do PPL

 
Últimas Notícias
 
18/03/2017   -- Atos dizem NÃO a Temer & súcia em defesa da Previdência e CLT
18/03/2017   -- Michel Temer, Gilmar, Rodrigo Maia e Eunício tramam contra a Lava Jato
16/03/2017   -- Não tem déficit na Previdência, o que tem é muito roubo
18/01/2017   -- Fernando Siqueira: “o acordo com Total é um ato criminoso”
18/01/2017   -- Para Ciro, conchavo PT-Temer na Câmara é uma traição imoral
 

 
Voltar


 Comente
 
COMENTÁRIOS:
18.03.2017
 Michel Temer, Gilmar, Rodrigo Maia e Eunício tramam contra a Lava Jato.
18.01.2017
 Para Ciro, conchavo PT-Temer na Câmara é uma traição imoral.
18.01.2017
 Fernando Siqueira: “o acordo com Total é um ato criminoso”.
13.12.2016
 Wagner e assessor especial de Dilma receberam suborno.
13.12.2016
 Geddel se sentia passado para trás.
13.12.2016
 Renan recebia pixuleco através de Jucá.
13.12.2016
 Padilha e Moreira Franco eram os prepostos de Temer que abasteciam PMDB da Câmara.
13.12.2016
 “PEC 55 só favorece especulador”, afirma o economista Nilson Araújo.
13.12.2016
 PEC do roubo à Previdência barra aposentadoria plena antes dos 70 .
13.12.2016
 Juros altos e sem investimentos, PIB recua 0,8% no 3º trimestre.
13.12.2016
 Governo, Congresso e STF estão podres. Eleições Gerais Já!.
23.11.2016
 Governo apresenta novo pacote de arrocho contra servidores gaúchos.
23.11.2016
 Contra a PEC 241/55 e o Pacote do Sartori.
21.10.2016
 Ipea diz que PEC 241 vai tirar 868 bilhões da assistência Social.
[+ Notícias]

Correio Eletrônico: pplrs@pplrs.com.br