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12/12/2011 | Para Tombini, PIB 0% significa “ciclo sustentado de expansão”

Carlos Lopes

Vice-Presidente nacional do PPL

 

 

Presidente do BC inclui último trimestre de Lula para manipular dados de desaceleração do PIB

 

O sr. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, emitiu comunicado sobre o crescimento (?) zero da economia no terceiro trimestre, conquista que deve-se, em parceria com o sr. Mantega, aos seus ingentes esforços e meridiana clarividência. Diz ele:

 

Apesar da estabilidade no 3º trimestre de 2011, o crescimento de 3,7% do PIB nos últimos quatro trimestres confirma que a economia brasileira se encontra em um ciclo sustentado de expansão...”.

 

Tombini descobriu, portanto, que o nada é a essência da “estabilidade” – de onde se pode concluir que os cemitérios são o seu modelo econômico ideal – e que uma das consequências do nada, isto é, de não crescer, é prova de um “ciclo sustentado de expansão” (caramba!).

 

É verdade que nisso há outra, como diremos, vigarice. Ao usar um índice dos “últimos quatro trimestres”, ele incluiu, como prova do seu ciclo de expansão, o último trimestre do governo Lula.

 

Portanto, esses 3,7% são um angu de caroço com alhos, bugalhos e outras rimas menos decentes, que Tombini usa para falsificar a realidade.

 

Levando em conta apenas a gestão de Tombini no BC – isto é, o governo Dilma - esse número cai para 3,2%.

 

Que diferença isso faz, indagaria o leitor?

 

A diferença é que neoliberais, tucanos e outros anormais sempre disseram que o Brasil não podia crescer mais que 3,5% (apelidado de “PIB potencial”), o que foi desmoralizado pelo presidente Lula. Portanto, o crescimento do PIB neste ano está abaixo até mesmo do “PIB potencial” dos neoliberais. O número que Tombini cita, socorrendo-se indevidamente com a obra de Lula, serve para eludir a questão – isto é, esconder um vexame.

 

Em qualquer país do mundo, em qualquer biboca, crescimento zero do PIB – isto é, nenhum crescimento, nenhum valor criado a mais – costuma ser chamado de desastre, quando não de hecatombe ou catástrofe. Sobretudo quando não há nada de acidental nesse desastre e quando o país, há apenas 11 meses, crescia a +7,5%.

 

O motivo, obviamente, é que nada fica parado, nem a população, nem as suas necessidades, aliás, nem mesmo os cemitérios. Portanto, não há estabilidade alguma em ficar parado como um pato manco, esperando a hora de ser abatido.

Vejamos a variação do PIB no ano (ou, como dizem os estatísticos, “no acumulado do ano”):

 

4º trimestre/2010 – 7,5%;

 

1º trimestre/2011 – 4,2%;

 

2º trimestre/2011 – 3,8%;

 

3º trimestre/2011 – 3,2%.

 

Onde está a expansão do sr. Tombini? Pelo contrário, a economia está se retraindo, caindo em termos de criação de valor.

 

No entanto, isso não é um fenômeno da natureza. Sucintamente: esse é o resultado de uma política recessiva, com juros altíssimos e aumentos seguidos de suas taxas reais, estrangulamento dos investimentos e gastos públicos, arrocho no salário mínimo e no crédito - e, como consequência dos juros, um câmbio que subsidia hediondamente as importações contra a produção nacional.

 

O que se podia esperar dessa política de boicote ao país, senão, exatamente, o que está ocorrendo?

 

É ridículo – aliás, é um estelionato – o sr. Tombini cantar loas à “demanda doméstica (…) com o consumo das famílias registrando crescimento de 5,4% nos últimos quatro trimestres”.

 

Outra vez, ele incluiu na conta o último trimestre do governo Lula - para esconder que o crescimento do consumo das famílias caiu de 2% (4º trimestre/2010) para 0,5% (1º e 2º trimestres/2011) e, no último trimestre, foi negativo: -0,1%.

 

Mais falso ainda (se possível) é usar mais uma vez o último trimestre do governo Lula para concluir que “a Formação Bruta de Capital Fixo [a compra de máquinas e equipamentos] cresceu 7,0%”. Aqui, esconde-se que a taxa de investimento (FBCF/PIB) do terceiro trimestre foi inferior à taxa de investimento do mesmo período do ano passado.

 

Enquanto Tombini manipula números para dizer que seus aumentos de juros são “consistentes” (Deus!) com o “ciclo de expansão”, a produção da indústria de São Paulo caiu -7,6% em dois meses.

 

O sr. Mantega, que iniciou o ano dizendo que “o Brasil não era país para crescer 7%”, mas prometendo 5,5% de crescimento, declarou na terça-feira que está contente com 3,2%.

 

Aliás, é um mistério como o ilustre ministro da Fazenda tem o descaramento de dizer que “desaquecemos a economia quando foi necessário. O que não estava previsto era o agravamento da crise internacional”.

 

Quando foi necessário “desaquecer a economia”? E quem não estava prevendo “o agravamento da crise internacional”, algo absolutamente óbvio desde o ano passado? Porém, o sr. Mantega não vai se esconder atrás da “crise internacional”, como se fosse ela - e não ele e Tombini – a responsável pela derrocada da economia. Não vai, porque nós não vamos deixar. Não foi a “crise internacional” que derrubou o crescimento no ano de 7,5% para 3,2%, nem foi a crise que o reduziu a zero no 3º trimestre.

 

Mantega não chega a ser tão estulto quanto Tombini (também, esse é um recorde imbatível) a ponto de falar em público de “expansão”. Pelo contrário, diz ele que “agora ela [a economia] está em retração”, mas porque “fomos bem sucedidos e impedimos, com a moderação do consumo, que a inflação se difundisse na economia brasileira”.

 

Um tremendo sucesso: a indústria em quebra, graças ao sucesso do governo, quer dizer, do sr. Mantega, para combater uma inflação que estava nas bolsas de commodities de Chicago e Nova Iorque, onde os aumentos de juros não têm o mínimo efeito. Melhor seria – aliás, era o que havia a fazer, se esse combate à inflação fosse sério - defender o país da especulação externa. Mas isso é demais para ele.

 

Também não adianta Mantega usar a sua afamada imaginação para fugir da responsabilidade (“A piora da crise europeia causou uma expectativa na população. Imagino que isso inibiu alguns consumidores e investidores.”)

 

O sr. Mantega pode imaginar o que quiser. Mas a população (e a Europa) nada têm a ver com sua incompetência e submissão aos monopólios financeiros.

 
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