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14/12/2011 | Emprego na indústria cai -0,4% pelo segundo mês consecutivo

Produção industrial do país recua -0,6% em outubro em relação a setembro. Folha de pagamento real dos trabalhadores do setor, ajustado sazonalmente, diminui -2,2%.

 

Há certas declarações que são cínicas pela elementar razão de que ninguém tem o direito de induzir o próximo ao erro – e em questões que o último, em geral, não tem condições de verificar por si mesmo. Em suma, para usar o nosso expressivo português popular, ninguém tem o direito de falsificar a realidade à custa do couro dos outros.

 

Assim são as recentes declarações do ministro Mantega, segundo as quais, “o consumidor pode ficar tranquilo. Seu emprego está assegurado. O Brasil vai continuar crescendo de forma sustentável”.

 

Para que o Brasil cresça de forma “sustentável” (vocábulo que nos últimos tempos tem sido um adereço para o vácuo mental de certos indivíduos, mas que, aqui, é também uma trampa) é preciso uma política que faça o país crescer – e não, como a do sr. Mantega desde janeiro, uma que faça o país descer a ladeira. O crescimento econômico não é um fenômeno da natureza, mas o resultado da ação dos homens, isto é, de uma política.

 

Exatamente por isso, o país está reduzindo cada vez mais o crescimento – é um sofisma grosseiro usar a palavra “sustentável” para dizer que somente é possível a miséria de 3% ou menos de crescimento que estão impingindo ao país. É um sofisma porque é mentira.

 

A produção industrial (produção física) do país caiu -0,6% em outubro em relação a setembro e -2,2% em relação a outubro de 2010. Em São Paulo, ela caiu -2,6% (outubro/setembro) e -4,6% (outubro 2011/outubro 2010). Em setembro, a produção paulista já havia caído -4,2% em relação ao mês anterior (ver HP, 11/11/2011).

 

O sr. Mantega sabe perfeitamente disso, pois esses números estão na Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional (PIM-PF-regional), publicada pelo IBGE no último dia 7.

 

Dizer que isso é crescimento (e “sustentado”) não passa daquela impostura muito corrente nos EUA, em que saca-se algum número positivo, por mais secundário que seja, para mostrar que os americanos estão no melhor dos mundos – pois, afinal, a queda chegou ao quarto andar sem problemas...

 

Infelizmente, o “consumidor” (para alguns, o povo é apenas “consumidor”), diante dessa e da última Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), também do IBGE - referente a outubro e divulgada no dia 9 -, não tem como ficar tranquilo. Conhecendo-as, só ficará tranquilo se for maluco.

 

O emprego industrial caiu -0,4% pelo segundo mês consecutivo em relação ao mês anterior. Não se trata apenas de uma tendência (ou, como dizem os economistas, de uma queda “na margem”), pois o emprego na indústria também caiu (-0,3%) em relação a outubro do ano passado. Portanto, ainda que essas percentagens pareçam pequenas, já estamos numa situação de aumento do desemprego.

 

Entretanto, a indústria brasileira, como acontece também nos demais países - e como é óbvio - não se encontra distribuída uniformemente em nosso território. A indústria instalada em São Paulo é responsável por mais de 40% das vendas industriais do país.

 

Em São Paulo, o emprego industrial caiu nada menos do que -3,5% em outubro, em relação ao mesmo mês do ano passado (a PIMES não divulga dados por Estado em relação ao mês anterior). Desde abril o emprego está caindo – ou o desemprego aumentando - no Estado mais industrializado do país.

 

Do ponto de vista rasteiramente aritmético, é até possível mascarar essa derrocada com os números percentuais da produção industrial do Paraná, Rio Grande do Sul e Amazonas, as únicas que cresceram nas duas comparações. Mas, do ponto de vista real, isso é apenas um artifício – é evidente que as indústrias desses Estados não têm como segurar a produção e o emprego no conjunto do país, nem seria razoável exigir isso delas, até porque não vai dar certo.

 

Os demais indicadores da pesquisa de emprego e salário do IBGE (número de horas pagas e folha de salário real) também estão em queda. Como é compreensível que a maioria dos leitores não tenha o hábito de lidar com tais pesquisas, reproduzimos, pela sua clareza, algumas das conclusões do IBGE:

 

Em síntese, o emprego industrial e o número de horas pagas, em outubro de 2011, apontaram pelo segundo mês consecutivo taxas negativas frente ao mês imediatamente anterior, refletindo em grande parte o menor dinamismo que marca a produção industrial nos últimos meses. A evolução do índice de média móvel trimestral [últimos quatro trimestres] reforça esse quadro de menor intensidade no mercado de trabalho da indústria, já que esse indicador em outubro apontou variação negativa para o emprego industrial (…) e acentuou a trajetória descendente para o número de horas pagas. Nas comparações contra iguais períodos de 2010, os resultados do total do pessoal ocupado na indústria e do número de horas pagas permaneceram com clara redução de ritmo (...). Com isso, os índices acumulado nos dez meses do ano e nos últimos doze meses prosseguiram apontando redução na intensidade do crescimento frente aos meses anteriores. (…) Em outubro de 2011, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria ajustado sazonalmente recuou 2,2% em relação ao mês imediatamente anterior, após assinalar (…) queda de 1,9% em setembro” (PIMES, págs. 13 e 14).

 

Para reverter essa situação (o BC, através do Boletim Focus, já baixou sua previsão de crescimento deste ano para minúsculos 2,97%), é necessário mudar a política econômica, antes de tudo a política monetária, isto é, varrer os juros irracionais e colocar suas taxas reais no patamar internacional (a média entre os países do mundo, hoje, é -0,1%, enquanto a do BC é +5,1%).

 

O resto é perfumaria de péssima qualidade. Como essa ideia biruta de “reativar” a economia (não estávamos em “crescimento sustentado”?) com isenções de impostos para multinacionais e especuladores, e algum aumento do consumo – na situação atual, com um câmbio teratologicamente deformado pelos juros altos, isso apenas significará mais uma onda de importações para massacrar a indústria nacional.

 

Isso, após afundar o crescimento de 7,5% para 2,5 ou 3% - o que também não foi obra da natureza.

 

Existem os que acreditam que essa “nova” política, cuja função é apenas manter a velha, é uma imitação da política do presidente Lula a partir de 2008. Infelizmente, não é – se Lula tivesse apenas estimulado o consumo e concedido isenções, sem regar o país com investimentos públicos e financiamentos dos bancos públicos às empresas, teria sido um desastre. E, falemos apenas de passagem,  apesar de Meirelles no BC, o juro real caiu após janeiro de 2009 – embora tenha continuado muito alto. Mas os cinco aumentos do sr. Tombini foram, exatamente, para catapultá-los ao nível anterior – mas ele resolveu mostrar aos banqueiros como é um sujeito competente, e foi além desse absurdo patamar.

 
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