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19/01/2012 | BC inicia 2012 repetindo postura 'tímida' e corta juro em meio ponto

*Matéria publicada originalmente no site Carta Maior.

 

Banco Central reduz taxa para 10,5%, a menor desde julho de 2010 e a primeira que, no governo Dilma, fica menor do que a deixada por Lula. Segundo BC, crise econômica global permite cortar taxa e manter inflação controlada. Para sindicalistas e industriais, porém, queda na medida do que esperava 'mercado' foi 'tímida'; crise global exigiria mais do governo.

 

BRASÍLIA – Na primeira reunião do ano para decidir sobre o tamanho do juro no Brasil, a diretoria do Banco Central (BC) manteve nesta quarta-feira (18), por unanimidade, a postura de cortar a taxa em meio ponto percentual, como já tinha feito três vezes seguidas a partir de agosto de 2011.


Para duas entidades ligadas ao setor produtivo - uma de trabalhadores, outra de industriais – que são críticas do BC, a decisão, na medida do que apostava o “mercado”, é “tímida” para as atuais necessidades da economia brasileira.


Na curta nota em que anunciou a queda da taxa Selic para 10,5% - maior juro planeta mas que pela primeira vez o governo Dilma coloca abaixo do que herdara da gestão Lula (10,75%) -, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC justificou a decisão com a crise econômica global.


“O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012.”


Tradução: o BC acha que era possível cortar o juro agora e ainda assim cumprir a meta de inflação fixada para o ano todo (4,5%), porque a crise lá fora de algum modo vai impedir disparada de preços aqui dentro. Seria mais difícil subir preços (aqui ou lá fora) com a economia (brasileira e mundial) crescendo pouco.


Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Força Sindical, que imediatamente depois do anúncio do BC distribuíram notas à imprensa para comentá-lo, o corte foi “tímido” exatamente por causa da situação internacional.

“Diante da crise financeira europeia e suas consequências globais, há espaço para uma queda ainda mais acentuada dos juros no Brasil, levando as taxas para patamares mais próximos dos praticados no resto do mundo”, disse a Fiesp. “O momento é grave e o governo não pode se omitir”.


“O mundo passa hoje por uma crise econômica internacional, e o Brasil precisa tomar medidas para não importar essa crise”, afirmou a Força. “[A entidade] considera extremamente tímida e insuficiente a queda na Taxa Selic para animar o setor produtivo”.


Na véspera da decisão do Copom, a agência das Nações Unidas que faz estudos sobre comércio e desenvolvimento, a Unctad, havia divulgado um relatório sobre a economia em 2012 no qual traçara um cenário mais pessimista do que imaginara antes. O mundo vai crescer menos e pode até haver recessão em algumas regiões.


No caso específico do Brasil, a Unctad rebaixou a previsão de crescimento para 2,7%, bem menos do que estimam a presidenta Dilma Rousseff e ministro da Fazenda, Guido Mantega (acima de 4%) - a previsão oficial tem também um conteúdo político, já que o governo tenta impedir que trabalhadores e empresários desanimem e parem de gastar, o que certamente contribuiria para que a economia piorasse de fato.



Contexto


Ao sentar para tomar uma decisão sobre o juro, o BC tinha à mão dados conflitantes sobre a inflação, cujo controle é a primeira missão do Copom. Dois índices prévios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre janeiro – um influenciado pelo dólar, outro que se reflete nos aluguéis – mostravam-se menores do que em dezembro.


Mas duas prévias da inflação ao consumidor medidas por índices calculados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apresentaram aumento.


Já pelo lado da atividade econômica, o BC tinha dois dados a exibir recuperação naquele que foi o setor mais afetado pela crise global, a indústria. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou aumento da produção em novembro depois de três meses. E levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou alta de vendas, capacidade instalada e horas trabalhadas, após um período de estagnação.

 

Em nota oficial também pós-Copom, a CNI não criticou o Copom. Optou por enfatizar o corte, em vez de avaliar o tamanho dele. Para a entidade, havia espaço para a queda e há para que outras ocorram em 2012. A próxima decisão do BC será tomada dia 7 de março.

 

 
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