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01/02/2012 | Fala da presidenta no Fórum Social Temático não bate com o que Mantega aplica

Juros altos, câmbio e cortes derrubaram o crescimento de 7,5% na gestão de Lula para menos de 3% no primeiro ano da presidenta

 

O discurso da presidente Dilma no Fórum Social Mundial causou profundo da impressão em algumas pessoas presentes, e com razão. Poucas vezes se viu alguém que é responsável por um país defender com tanta propriedade o crescimento econômico, a soberania nacional, a justiça social e, não menos importante, os nossos valores culturais.

 

Por exemplo:

 

“... para nós, desenvolvimento sustentável significa crescimento acelerado de nossa economia para poder distribuir riqueza; significa criação de empregos formais e expansão da renda dos trabalhadores; significa distribuição de renda para pôr fim à miséria e reduzir a pobreza, com políticas públicas que provoquem melhoria da educação, da saúde, da segurança pública e de todos os serviços públicos fornecidos pelo Estado brasileiro; crescimento regional equilibrado da renda, que corrija os desequilíbrios entre as regiões do país, que corrija a condenação de uma parte deste país ao baixo desenvolvimento, como foi o caso do Norte e do Nordeste; criação de um amplo mercado de bens de consumo de massas, que passe a dar sustentação interna ao nosso desenvolvimento”.

 

 

Crise

 

Excelente! Quase nos arriscaríamos a dizer: perfeito! Da mesma forma, esse outro trecho:

 

Na maioria dos países da região, dentre eles o meu país – o Brasil –, estão em curso importantes transformações econômicas, sociais e políticas. Nossos países crescem, enquanto outras partes do mundo vivem a estagnação, a recessão e, muitas vezes, um grande desemprego. Nossos países reduzem a pobreza e a desigualdade social, e, como eu disse, em outras regiões, aumenta a desigualdade, aumenta a exclusão e direitos são perdidos. Nossos países, hoje, não sacrificam sua soberania frente às pressões de potências, grupos financeiros ou agências de classificação de risco”.

 

A presidente tem toda razão ao apontar que, ao contrário do que diz o sr. Mantega, não existe uma “crise mundial”, mas uma crise dos países imperialistas, isto é, dos países centrais do sistema imperialista. Mais especificamente, ela disse:

 

Nos anos 80 e 90 (…) foram preconceitos políticos, foram preconceitos ideológicos que impingiram aos países da América Latina o modelo conservador que levou nosso país à estagnação, à perda de espaço democrático e soberano, aprofundando a pobreza, o desemprego e a exclusão social. Hoje, essas receitas fracassadas estão sendo propostas novamente na Europa”.

 

E, também é verdade, nos EUA. Mas tudo o que transcrevemos da intervenção da presidente no Fórum é, exatamente, o governo e a política que os brasileiros escolheram quando votaram em Dilma e enviaram Serra para um daqueles interstícios vazios da matéria de que falava Epicuro - que era filósofo e era grego, portanto, devia ser sábio.

 

No entanto, na terça-feira, o IBGE divulgou o resultado da produção industrial de 2011: dos +10,5% de 2010, o crescimento da produção industrial caiu para insignificantes 0,3%, com um recuo, no último trimestre, tanto em relação ao anterior (-1,4%) quanto em relação ao mesmo trimestre do ano de 2010 (-2%) - e, também, uma queda (-1,2%) em dezembro em relação ao mesmo mês de 2010. A produção têxtil caiu -14,9%; a de calçados, -10,4%; a de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, -3,7%, etc.

 

Como a presidente não gosta de bajuladores e nós estamos aqui para ajudá-la, e não para ajudar os inimigos a levar o governo para o abismo, o problema é claro: por que o primeiro ano de governo não correspondeu às expectativas dos eleitores e às sinceras convicções tão bem expostas em seu discurso do último dia 26, no Fórum Social Mundial?

 

Por que, ao invés de “crescimento acelerado de nossa economia para poder distribuir riqueza”, tivemos um crescimento do PIB, como disse Paulo Nogueira Batista Jr., medíocre, caindo dos 7,5% de 2010 para menos de 3%? Por que a tendência à “criação de empregos formais e expansão da renda dos trabalhadores” se reduziu em magnitude e, no caso do emprego industrial, até mesmo se inverteu, em 2011? Por que a “distribuição de renda” foi travada em 2011, com a ausência de aumento real do salário minimo? Por que a “criação de um amplo mercado de bens de consumo de massas” foi afetada pelo arrocho no crédito, pelos juros, enquanto a “sustentação interna ao nosso desenvolvimento” foi fragilizada por um câmbio irracional, com a consequente invasão das importações, que fizeram o crescimento da produção industrial cair de 10,5% em 2010 para 0,3% em 2011?

 

Por que o nosso país reduziu, não pouco, o crescimento alcançado por Lula?

 

Porque a política econômica do ministro Mantega foi, precisamente, a de derrubar o crescimento. Nada tem a ver com a aceleração do crescimento, mas com a aceleração da queda do crescimento.

 

Por quê? Porque é uma política de amplo favorecimento aos bancos e multinacionais, ou seja, aos monopólios financeiros. A quem beneficia cortar gastos e investimentos públicos para transferir recursos públicos sob a forma de juros? A quem beneficia um câmbio que subsidia as importações, tornando-as artificialmente mais baratas do que a produção interna?

 

Desse jeito, não há crescimento que resista, por mais que a presidente Dilma esteja convicta da necessidade do desenvolvimento – e sustentável. Com essa política nem voos de galinha (ou, como chamam os americanos, stop-and-go) nós vamos ter. E a razão mais de fundo é que, ao contrário da presidente, que proclamou que os países da América Latina “não sacrificam sua soberania frente às pressões de potências, grupos financeiros ou agências de classificação de risco”, esse não é o caso do ministro da Fazenda – que, aliás, fica deslumbrado a cada “promoção” que uma dessas arapucas tipo Standard & Poor’s faz da papelada aqui de dentro, como se isso não fosse, somente, sinal verde para que os abutres especulativos se sirvam do país, do nosso trabalho e das empresas que construímos.

 

Portanto, é essa política que tem de mudar, para que alcancemos o modelo tão bem esboçado pela presidente Dilma no Fórum Social Mundial. Em parte, até já o havíamos alcançado. Infelizmente, regredimos durante 2011.

 

Cinco aumentos de juros seguidos, com o único objetivo de aumentar a taxa real – ou seja, o ganho dos bancos, depois de descontada a inflação – só poderiam resultar no que resultou. E não acreditamos que, a essa altura, haja alguém tão idiota a ponto de achar que esses aumentos de juros foram para combater a inflação... Se existir, só podemos dizer que qualquer país tem seus idiotas, que se há de fazer?

 

É importante, como disse a presidente Dilma, basear nosso crescimento no aumento do consumo. Mas isso não pode ser um aumento do consumo de mercadorias importadas - ou o país, dentro em breve, deixará de ter base industrial para se tornar um mercado cativo de importados.

 

 

Garantia

 

Portanto, é necessário aumentar o investimento (isto é, a ampliação da capacidade produtiva) das empresas nacionais. De forma mais geral: é preciso aumentar qualitativamente a taxa de investimento da economia, que hoje é muito baixa. Essa, inclusive, é a mais sólida garantia contra a inflação.

 

No entanto, com os juros num patamar completamente fora – isto é, acima – dos níveis internacionais, e com o câmbio favorecendo as importações, isso é impossível. São poucos os que vão investir na produção, quando podem ganhar muito mais, e sem riscos, na especulação – e, certamente, os que o fizerem, vão aplicar mais na especulação do que na produção.

 

Pior ainda quando a política do ministro da Fazenda é cortar os financiamentos do BNDES para que as empresas sejam obrigadas a ir para a especulação – não é outra coisa a sua conversa de que as empresas têm que buscar recursos no “mercado de capitais”.

 

Mas a presidente expôs o que acha. Se é assim, pau na jaca. Ainda bem que a decisão é dela. Então, que se mude a política para essa outra, que a presidente delineou no Fórum Social Mundial.

 
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