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16/02/2012 | Emprego industrial cai com a derrubada do crescimento

O IBGE divulgou, no último dia 10, os números sobre o emprego na indústria em 2011. Naturalmente, o crescimento de 1%, em relação a 2010, significa que o emprego industrial cresceu quase quatro vezes menos que no ano anterior.

 

No entanto, isso não é tudo – para não correr o risco expresso pelo famoso Disraeli, primeiro-ministro da rainha Vitória, para o qual havia no mundo três espécies de mentiras (“mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas”),  vejamos, um pouco mais detalhadamente, os resultados da última Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), do IBGE.

 

1)  O emprego na indústria ficou estagnado e com tendência de queda em 2011 – com efeito, em relação aos trimestres imediatamente anteriores, o emprego cresceu 0,2% de janeiro a março; 0% (zero por cento) de abril a junho; 0,1% de julho a setembro; e teve uma queda de -0,6% de outubro a dezembro.

 

2) O resultado só não foi ainda pior devido a um aumento de 0,2% em dezembro, pois o emprego na indústria havia caído em setembro (-0,4%), outubro (-0,5%) e novembro (-0,1%), na comparação com o mês anterior.

 

3) Reparemos que na “média móvel trimestral”, isto é, na comparação do mês com a média dos três meses anteriores, o emprego na indústria caiu -0,1%. A importância desse índice (e a única razão pelo qual é calculado) é porque ele indica a tendência – em outras palavras, o crescimento de 0,2% em dezembro está dentro da tendência de queda.

 

4) Tanto isso é verdade que, comparando dezembro de 2011 com dezembro de 2010, houve uma queda de -0,4% no emprego industrial. Não se trata, portanto, de oscilações ocasionais, até porque essa é a terceira queda seguida do emprego industrial, quando avaliado através desse critério: desde outubro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, há queda de emprego na indústria.

 

5) Dessa vez há um agravante (e não é um pequeno agravante, no quadro geral): também há uma queda no emprego (-0,4%) quando o quarto trimestre de 2011 é comparado ao quarto trimestre de 2010.

 

6) A principal queda no emprego, em dezembro, em relação ao mesmo mês de 2010, foi justamente no maior parque fabril do país: -3,3% em São Paulo, onde o emprego caiu em 15 dos 18 setores pesquisados pelo IBGE, “com destaque para a redução no total do pessoal ocupado nas indústrias de produtos de metal (-8,2%), borracha e plástico (-8,2%), vestuário (-7,9%), calçados e couro (-16,2%), metalurgia básica (-9,4%), papel e gráfica (-4,6%), produtos químicos (-4,4%) e de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-3,7%)” (cf. IBGE, Pimes, pág. 12).

 

7) No entanto, a queda no emprego da indústria esteve longe de se localizar somente em uma região ou Estado do país. Por exemplo, em dezembro ele caiu -3% no Ceará, -1,1% em Santa Catarina, -1,7% no Espírito Santo, -0,8% na Bahia, etc., em relação a dezembro do ano anterior.

 

8) Nos outros dois Estados mais industrializados além de São Paulo, o emprego industrial estancou no Rio de Janeiro (0%). Assim, todo o aumento do emprego em dezembro foi devido, praticamente, a Minas Gerais (2,2%). Naturalmente, é improvável que Minas continue sustentando o índice de crescimento do emprego do país, com São Paulo e Rio, para não falar do Nordeste, em queda.

 

9) Quanto ao total do ano de 2011, o mais evidente foi a queda do emprego na indústria de São Paulo (-1,3%), por razões óbvias.

 

10) Por último, ainda em relação à Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES) do IBGE, houve queda, e não uma queda pequena, no “valor da folha de pagamento real” (=soma dos salários/número de assalariados, descontada a inflação): em dezembro, houve uma queda de -2,1% em relação a novembro. No quarto trimestre de 2011, houve uma queda de -2,9% em relação ao trimestre anterior. Em suma, um sério indício de redução da massa salarial, uma vez que, quando o mês é comparado com a média dos três meses anteriores (“média móvel trimestral”), esse foi o terceiro resultado negativo consecutivo. Porém, como em relação ao ano anterior o resultado é positivo, isso significa que os aumentos salariais conseguidos pelos trabalhadores estão compensando a tendência de queda, devida ao maior desemprego, da massa salarial.

 

Este resumo deve ser suficiente para dar ao leitor uma ideia dos resultados do IBGE em sua pesquisa de emprego industrial. Falamos em “tendências”, porque não encontramos outro jeito de escrever, mas é claro que essa palavra passa uma falsa impressão de fenômeno natural. Ao contrário, o que houve é a consequência de uma política econômica, ou seja, de uma ação deliberada, ainda que desastrada. Certamente, com a derrubada geral do crescimento da indústria, era inevitável que se produzisse esse resultado.

 

Quanto à produção industrial, em 2011, além da estagnação nacional (o crescimento desabou de 10,5% para 0,3%) - e especialmente, ao longo do ano,  da indústria de São Paulo (0,2%), Rio (0,3%) e Minas Gerais (0,3%) - houve uma devastação no Nordeste, com a indústria cearense caindo -11,7%, a baiana -4,4% e a pernambucana ficando em 0% (cf. IBGE, Pesquisa Industrial Mensal Regional).

No conjunto do Nordeste, a produção têxtil teve uma queda abissal: -24,2%; a de calçados e produtos de couro, uma queda de -13,3%; o refino de petróleo e produção de álcool caindo -8,2%; a de produtos químicos com queda de -5,6%.

 

Para que o leitor tenha uma ideia mais precisa do que significou a desastrosa política de juros altos e estímulo às importações através da manipulação da taxa de câmbio (manipulação chamada por alguns de “câmbio flutuante”), a produção industrial do país, em relação ao período imediatamente anterior, somente cresceu no primeiro trimestre de 2011 (1,1%), caindo no segundo (-0,7%), no terceiro (-0,8%) e no quarto trimestre (-1,4%).

 

Não enfileiraremos mais números, porque julgamos desnecessário.

 
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