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28/02/2012 | Após oito anos, Laboratório Farmacêutico do RS vai retomar produção

*Entrevista concedida originalmente ao Jornal do Comércio.

 

Paulo Mayorga pretende utilizar sua experiência acadêmica para coordenar os trabalhos no laboratório

 

Depois de oito anos de total inoperância na produção de medicamentos, o Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul (Lafergs) vislumbra, ainda neste semestre, colocar seu moderno maquinário em funcionamento. Para a coordenação das operações do laboratório, o governador Tarso Genro convidou o professor do curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Paulo Mayorga (foto), que estava à frente da direção da escola desde 2004. Ele recebeu o convite como um dos grandes desafios de sua vida profissional. Após alguns imbróglios administrativos, Mayorga assumiu o Lafergs em julho do ano passado, e agora projeta contratação de pessoal, criação de projetos e a retomada na fabricação de medicamentos. O Jornal do Comércio visitou as instalações do laboratório e conheceu um pouco mais sobre os planos do coordenador.



Jornal do Comércio - Como o senhor vê a história do laboratório do Estado?


Paulo Mayorga
- Não acompanhei o histórico do laboratório, mas não quero olhar para o passado da instituição. É momento de novos projetos. Estou tentando fazer com que as pessoas olhem para frente. Confesso que encontrei um contexto muito complexo do ponto de vista técnico, administrativo e jurídico. A minha grande tarefa é tirar o laboratório da inércia. Questões como o funcionamento de um laboratório farmacêutico ou os imbróglios regulatórios envolvendo o sistema de vigilância sanitária fazem parte do meu dia a dia há muito tempo.



JC - Como o senhor encontrou o Lafergs?


Mayorga
– O Lafergs perdeu todos os registros que possuía. Durante estes oito anos sem operações e produção de medicamentos, não foram encaminhadas as revalidações de registro. Não sei dizer o porquê e nem em que momento foram perdidos os registros. Era um elenco não muito grande de produtos e de baixo valor agregado, salvo algumas exceções; afinal, havia uma grande dificuldade de competitividade por parte do Lafergs. Quando se trabalha com um pequeno valor agregado, ou seja, com margem baixa, em um cenário com muitos fabricantes, competir com os grandes é quase impossível. O mercado é feroz e extremamente competitivo.



JC - Qual o planejamento para a retomada das atividades do laboratório?

Mayorga
- A forma como o Lafergs deverá se posicionar no mercado tem que ser muito bem avaliada, conforme alguns levantamentos e estudos que estamos organizando. Uma das opções, nunca antes utilizada pelo laboratório gaúcho, é fornecer medicamentos para o Ministério da Saúde. Essa estratégia já foi utilizada por alguns laboratórios públicos do País. Acredito que seja um sonho viável, pois eu mesmo assessorei o laboratório de Minas Gerais durante seis anos, através da Faculdade de Farmácia da Ufrgs. Este laboratório jogou algo em torno de R$ 4 milhões a 5 milhões na universidade, e, a partir desse projeto, foram batidos recordes de produção, acertou linhas, registrou produtos, consertou equipamentos e contratou pessoal. Enfim, foi um grande projeto de cooperação técnico-científico que eu espero reproduzir aqui no Lafergs.



JC - O que foi feito neste primeiro ano de gestão do governo Tarso Genro, no qual o Lafergs continuou inoperante?


Mayorga
- Por eu ser um funcionário federal e ocupar um cargo de direção na Ufrgs não poderia apenas abandonar a direção da Faculdade de Farmácia e assumir o laboratório. Essa tramitação levou algum tempo em Brasília, mais precisamente seis meses. Eu assumi o cargo em julho. Neste período, houve algumas reuniões e comecei a conhecer a equipe e os processos que estavam acontecendo no Lafergs. Ainda em 2011, conseguimos a primeira aprovação da Vigilância Sanitária, denominada Condição Técnica Operacional (CTO), o que é indispensável para que um laboratório possa produzir lotes-piloto para fins de registro.



JC - Como se dá o registro de um produto?


Mayorga
– Após a conquista da CTO, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem que reconhecer o laboratório como possuidor de requisitos básicos como documentação e instalações civis e laboratoriais adequadas. O próximo passo é a produção de um lote-piloto do produto, que servirá de embasamento para um dossiê de registro, que é analisado pela Anvisa e só depois de ser deferido, o Lafergs poderá colocar um lote comercial na rua. Há uma longa caminhada a ser percorrida.



JC - Qual é a estratégia utilizada pelo Lafergs?


Mayorga
– Eu comecei a solicitar CTO por linhas de produção. Em tese, o laboratório estaria preparado para produzir medicamentos sólidos (comprimidos e cápsulas), semissólidos (géis, cremes e pomadas) e líquidos (xaropes e suspensões). A linha mais simples tecnicamente de se trabalhar é o semissólido. E o produto mais simples, por exemplo, é o álcool gel. Há a necessidade de fabricação de um produto em cada um das linhas para a conquista da CTO. A partir das três condições técnicas concedidas, o laboratório está apto a produzir qualquer produto. Após o resgate das CTOs, a ideia é voltar a rodar as máquinas, verificar os controles internos e treinar o pessoal que será contratado.

 


JC - Qual é a ideia de data para a realização de um concurso?


Mayorga
– Estamos trabalhando um plano de cargos, carreiras e salários, prevendo a realização de um concurso para toda a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps), pois somos um departamento que faz parte deste órgão. A ideia é a contratação, em um primeiro momento, de 15 funcionários, entre técnicos, farmacêuticos e auxiliares administrativos.



JC - Qual o projeto mais iminente para o Lafergs?


Mayorga
– No dia 7 de dezembro do ano passado, eu mesmo fui a Brasília peticionar junto à Anvisa o primeiro registro para a produção de um produto sólido, embora não se tenha a CTO para a fabricação desse produto. Porém, o Lafergs está fechando uma parceria com a Fundação Ezequiel Dias – laboratório de Minas Gerais –, pois havia três toneladas de propranolol (medicamento para o controle de hipertensão) em estoque e não podemos perder todo esse produto. A quantia abastece um ano do medicamento para todo o Rio Grande do Sul. Então, teremos nas ruas o propranolol Lafergs, provavelmente o primeiro produto produzido por nós nesta nova empreitada.



JC - E prevê mais algum projeto para este ano?


Mayorga
- Durante o ano passado, mantivemos conversas com o Ministério da Saúde, na busca de possíveis produtos que possam ser fornecidos pelo Lafergs para o governo federal. A opção é a fabricação de medicamentos para as doenças negligenciadas, como a leishmaniose, a malária, entre outras, pois hoje temos 100% de capacidade operacional ociosa. Outro projeto, que está em fase de levantamento de custos, é o desenvolvimento de um protetor solar para a agricultura familiar. Esse projeto, que será feito em parceria com a Ufrgs, deve ter um desenvolvimento específico para o seu público-alvo, os agricultores. Além de termos um compromisso com as políticas estadual e nacional de plantas medicinais e fitoterápicas, pretendemos utilizar o Lafergs para a produção dos medicamentos fitoterápicos. E, por último, em âmbito estadual, estamos discutindo um acordo com uma empresa farmacêutica privada aqui do Estado, para acelerar o processo de obtenção dos nossos registros de produtos.

 

 
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