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05/04/2012 | Gravações confirmam associação criminosa entre Veja e Cachoeira

“Todos os furos fomos nós que demos ao Policarpo [da Veja]”

Revela nas gravações da PF o bicheiro Carlos Cachoeira em telefonema para um comparsa

    Gravações feitas pela Polícia Federal durante as investigações contra a quadrilha de Carlinhos Cachoeira revelaram uma associação criminosa do bando com a revista Veja. O diálogo entre Cachoeira e outro integrante da quadrilha, o ex-agente Jairo Martins, que a edição impressa da revista escondeu, mostra detalhes da colaboração de Cachoeira com Policarpo Jr, atualmente membro da alta cúpula da revista. “A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles, fomos nós que demos”, diz Cachoeira, num dos trechos. O leitor poderá ver abaixo vários outros detalhes sobre essa sinistra associação para o crime.

Cachoeira: Fala, Jairo.

Jairo: Fala, doutor, tranquilo? Deixa eu te falar: o Dada [Idalberto Matias, ex-agente do serviço de inteligência e um dos chefes do serviço de espionagem de Cachoeira] ontem me ligou, pô, me falando uma história aí que você ficou puto comigo, me xingou e o casseta, disse que eu tô trabalhando contra você e tal... Eu falei: pô, cara, de novo o homem lá fala um negócio desse, cara? Eu falei: porra (sic), cara, se eu fiz um favor pro cara lá é justamente pra ficar próximo dele, pra saber o que ele anda me falando.

Cachoeira: Não, Jairo, foi isso não. Deixa eu falar pra você. Se Dadá estiver aí pode pôr até no viva-voz. Olha, é o seguinte: a gente tem que trabalhar em grupo e tem que ter um líder, sabe? O Policarpo [Jr, de Veja], você conhece muito bem ele. Ele não faz favor pra ninguém e muito menos pra você. Não se iluda, não. E fui eu que te apresentei ele, apresentei pro Dadá também. Então é o seguinte: por exemplo, agora eu dei todas as informações que ele precisava nesse caso aí. Por que? É uma troca. Com ele tem que ser uma troca. Não pode dar as coisas pra ele, igual você sai correndo pra fazer um favor pra ele, pega e dá de graça, enquanto isso ele mete o pau no Dadá pra mim. Tudo o que for, se ele pedir alguma informação, você tem que passar pra mim as informações, uai.

Jairo: Não, beleza. Eu te peço até desculpa disso ai. Mas eu não tô sabendo que você tá. Ultimamente eu não tô sabendo quando você vem aqui, às vezes a gente não se fala. Muito difícil a gente se falar, e eu não ter ido aí, às vezes quem vai é o Dadá. Então de repente eu não tô sabendo que você tá trocando alguma informação com ele (...)

Cachoeira: Jairo, põe um trem na sua cabeça. Esse cara aí não vai fazer favor pra você nunca isoladamente, sabe? A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos. Então é o seguinte: se não tiver um líder e a gente trabalhar em conjunto... Ele pediu uma coisa? Você pega uma fita dessa aí e ao invés de entregar pra ele fala: “Tá aqui, ó, ele tá pedindo, como é que a gente faz?”. Entendeu? Até pra fortalecer o Dadá.

Jairo: Não, beleza, porra (sic). Agora eu tô orientado dessa maneira. Eu não to sabendo que vocês tão tratando de outro assunto com ele, entendeu? (...) Aí eu te digo o seguinte: eu te peço desculpa porque realmente eu errei, porque ele quando me pediu esse favor eu poderia realmente ter falado contigo, mas tem tanto tempo que a gente não senta e não conversa (...)

Cachoeira: Olha, Jairo. É porque, assim mesmo, você tem que chegar perto de mim qualquer pedido dele. Cara, ele não vai fazer nada isolado. E outra coisa: com ele, daqui pra frente tem que ser na base da troca. Porque dessa forma tá te fortalecendo, fortalecendo o Dadá, fortalecendo eu. Entendeu? (...)

Jairo: Pô, eu não tava sabendo, cara. Eu não tava sabendo. Mesmo. Eu peço desculpa pra você. Não admito. Sempre quando ele vem falar do Dadá eu não admito.. nunca admiti dele falar de Dadá ou de você. Nunca admiti. Não admito (...)

Cachoeira: Pois é. Mas ele não vai soltar nunca nada pra você, ô Jairo. Eu conheço o Policarpo, você conhece também. O Policarpo é o seguinte, ele pensa que todo mundo é malandro. E o seguinte, ele pensa que você e o Dadá trabalham pra ele, rapaz. Você sabe disso. Eu já cansei de falar isso pro Policarpo: ‘Policarpo, põe um negócio na sua cabeça, o Jairo e o Dadá não trabalham pra você. A gente trabalha no grupo. Então se tiver algum problema, você tem que falar comigo´. Já discuti com ele, você sabe disso, já presenciou eu falando com ele.

Jairo: É, não, isso é verdade aí. Aí eu te peço desculpa cara, mas nunca foi negócio de trabalhar contra vocês, trabalhar contra o grupo, estar passando a perna em vocês e admitir que ele fale mal do Dadá. Isso aí nunca, nunca. Falo na frente dele. (...)

Cachoeira: Não. Tá tudo tranquilo. Agora, vamos trabalhar em conjunto porque só entre nós, esse estouro aí que aconteceu foi a gente. Foi a gente. Quer dizer: mais um. Ô Jairo, conta quantos foram. Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz. E tudo via Policarpo. Agora, o cara vai pensar que o Dadá trabalha para ele? Porque o Dadá não fez o que ele queria ele tem o direito de ficar chateado com o Dadá, rapaz? Um dia ele chegou perto de mim e falou assim: ‘Não, o Jairo eu gosto, mas aquele rapaz eu não gosto dele não. Aquilo é um malandro’. Vai tomar no cu (sic). Ninguém trabalha para ele não, rapaz.

Jairo: E nós não estamos aqui para ele gostar da gente ou desgostar. A gente tem uns objetivos que às vezes infelizmente tem que passar por ele. Mas não tem nada de ele gostar ou deixar de gostar.

Cachoeira: E fala pra ele, Jairo, na hora que ele falar com você: Ó Policarpo, não vou ajudar mais não, sabe por que? Eu fiquei chateado aí, o Dadá está chateado com você porque você anda falando mal dele. O problema é que eu não trabalho para você, cara, eu não fico indo atrás das coisas para trabalhar pra você. Eu ganho algum centavo seu, Policarpo? Não ganho. (...) Então você tem que pôr isso na sua cabeça. Quantas matérias nós já te demos, o grupo já te deu? Quantas? E você nunca fez nada em troca, cara.

Jairo: Não. Beleza, beleza. A partir de agora eu vou me afastar dele. Apesar de ele ter um negócio aí de um retorno aí já antes dessa situação que você tá me colocando. Mas se eu colocar a mão nesse negócio, aí eu vou te entregar aí e tu decide o que faz aí.  

Cachoeira: Certamente, rapaz. Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo. Nós temos que ter jornalista. O Policarpo nunca vai ser nosso. A gente vai estar sempre trabalhando para ele e ele nunca traz um negócio. Entendeu? (...).

Gravações da PF mostram influência do bicheiro no governo de Perillo em Goiás 

Segundo matéria da revista CartaCapital desta semana, em uma interceptação telefônica feita pela Polícia Federal em 5 de janeiro de 2011, Lenine Araújo de Souza, conhecido como “Baixinho”, principal comparsa de Cachoeira, informa o bicheiro que um de seus indicados ao governo fora preterido, aparentemente sem o conhecimento do governador de Goiás, Marconi Perillo.

“Marconi, hora que souber disso (sic), vai ficar puto”, diz o bicheiro no diálogo. E acrescenta: “Já mandei avisar ele (sic)”. Na sequência, por duas vezes, revela que pediu ao senador Demóstenes Torres para falar com Perillo. “O Demóstenes já está ligando para ele”, afirma. Mais adiante, o bicheiro pede a Souza para entrar em contato com Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete do governador.

CartaCapital aponta que, em outro diálogo, os dois falam sobre a atuação do comandante do 3º Comando Regional da Polícia Militar, coronel Vicente Ferreira Filho. Souza avisa: “O Ananias está demonstrando preocupação com o Vicente em Anápolis, hein”. Cachoeira informa então a providência tomada. “Já mandei (inaudível), inclusive vai falar com Marconi, hoje à tarde”, diz o bicheiro.

Logo após a distribuição da revista, expondo as relações suspeitas do governador com o bicheiro, surgiram denúncias na internet de que a edição desapareceu das bancas em Goiás.

O presidente nacional do Dem, senador Agripino Maia (RN), anunciou a abertura de um processo disciplinar que poderá resultar na expulsão de Demóstenes Torres (GO) da legenda. A decisão de abrir o processo de expulsão ocorreu depois de reunião, segunda-feira (2), na casa do presidente do partido, com a presença o líder do partido na Câmara, deputado ACM (BA), o presidente do DEM em Goiás, deputado Ronaldo Caiado, além do vice-governador goiano, José Eliton.

Agripino Maia também divulgou uma carta destinada ao senador em que justifica a abertura do processo disciplinar. A mensagem fala em “destacados indícios de envolvimento de vossa excelência (Demóstenes) com o notório contraventor Carlinhos Cachoeira” e diz que houve “desvio reiterado do programa partidário, principalmente no que diz respeito à ética”.

Ataques ao governo Lula na mídia partiram de Cachoeira/Gtech

Informações do Ministério Público Federal revelam que Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estava associado à multinacional americana Gtech, operadora do sistema de loterias da Caixa Econômica Federal, contratada durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Os obstáculos à atuação mafiosa da “Gtech/Cachoeira”, criados pelo governo Lula - que rompeu o contrato da multinacional com a Caixa em 2005 - desencadeou o surgimento de uma série de “escândalos” fabricados pela quadrilha de Cachoeira.

O acordo entre Cachoeira e a Gtech foi acertado num jantar no hotel Blue Tree Park, em Brasília, no dia 6 de janeiro de 2003, e previa que a multinacional repassaria a Cachoeira seus negócios com loterias nos estados. Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil, ajudaria na renovação do contrato da Gtech com a Caixa pelo prazo máximo permitido pela lei de licitações.

O acerto previa que em Minas, onde a Gtech já tinha a concessão para a exploração das loterias, a multinacional subcontrataria uma das empresas de Cachoeira, a Teclogic - Tecnologia Eletrônica Ltda., para que ele pudesse operar os terminais de videoloterias. No Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás - estados onde Cachoeira já controlava as videoloterias, através das empresas Brazilian Gaming Partners (BGP) e Capital - a Gtech se comprometia a fornecer todo o suporte técnico e tecnologia para operação dos terminais.

As negociações entre a Gtech e Cachoeira continuaram e, um dia depois da assinatura do contrato entre e Caixa e a Gtech, outra correspondência interna da multinacional indica que Antonio Carlos Rocha, então presidente da multinacional no Brasil, pretendia assinar os dois contratos com Cachoeira, mas a matriz nos Estados Unidos começou a questionar vários pontos deles. A matriz recomendou que a empresa Teclogic, que tocaria as loterias em Minas Gerais, assinasse um termo se comprometendo a não praticar qualquer ato considerado ilícito pela legislação americana.

Publicado no Jornal Hora do Povo edição: 3.044

 

 
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