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05/04/2012 | Argentina: multidão defende soberania sobre as Malvinas

No ato em Ushuaia, capital da província da Terra do Fogo, Cristina Kirchner, denunciou o enclave colonial a poucos quilômetros do país

“É inaceitável que em pleno século XXI ainda subsistam enclaves coloniais como os que temos aqui, a poucos quilômetros de distância”, afirmou a presidente Cristina Kirchner em Ushuaia, capital da Terra do Fogo, no ato central das manifestações pela soberania das Ilhas Malvinas, ao se cumprir o 30º aniversário da guerra no Atlântico Sul.

A presidente argentina frisou que é “um absurdo manter a 14 mil km o domínio (das Malvinas), quando estas terras correspondem à nossa plataforma marítima”. Ressaltou que “dos 16 enclaves coloniais que existem no mundo, dez deles são do Reino Unido”.

Cobrou que a Inglaterra, que se apresenta como grande defensora da legislação internacional, aceite as resoluções da ONU instando ao diálogo. “Não estamos reclamando nenhuma outra coisa além do respeito e o diálogo entre ambos os países, para discutir a questão da soberania”, disse.

No ato em que participaram milhares de pessoas, veteranos da guerra, o vice-presidente Amado Boudou e a grande maioria dos ministros, Cristina pediu também “justiça para que não depredem nosso meio ambiente, nossos recursos naturais petroleiros e para que se respeite a integridade territorial” argentina.

Expressou seu “reconhecimento a essa juventude que marchou às ilhas sem preparo, sem os apetrechos suficientes”, para “cumprir seu dever”.

Cristina sublinhou que os que “deixaram sua vida ali hoje tem para sempre, não só o reconhecimento, mas a memória eterna do povo argentino”.

A presidente advertiu que a usurpação britânica das ilhas Malvinas “não começou há 30 anos”, mas que “é uma história que vai cumprir 180 anos no próximo”.

Em 1833, a ocupação foi um ato de pirataria quando a marinha inglesa expulsou, à bala, as tropas e a população argentina que vivia nas Malvinas. Hoje, a ocupação inglesa é um enclave colonial escandaloso, em que uma ex-potência colonial, que hoje só existe como colônia dos EUA, mantém territórios a milhares de quilômetros.

Não é por outro motivo que a ocupação ilegal e colonialista das Ilhas Malvinas deixou de ser uma questão somente argentina. Como registra a decisão da UNASUL (ver matéria ao lado), trata-se de uma agressão a todos os países que se libertaram do colonialismo, em especial os da América do Sul e América Latina. Principalmente porque os colonialistas pretendem usá-la como base para militarizar o Atlântico Sul. Ou seja, para intervir onde os norte-americanos mandarem que as forças armadas inglesas intervenham. 

Em seu discurso, Cristina classificou como “absurdas” e “ridículas”, as declarações do primeiro-ministro britânico, David Cameron, dizendo que com a guerra “havia se atacado a liberdade dos que moravam nas ilhas”. “Não vamos misturar as coisas, na época não só a liberdade dos habitantes das ilhas foi atacada; parece que (David Cameron) não se deu conta de que a liberdade de todos os argentinos estava comprometida, houve milhares de desaparecidos”, já que a ditadura militar durou entre 1876 e 1983, e “tínhamos presos sem nome e sobrenome, em campos de concentração, com desaparecidos que nunca voltarão a aparecer”. “Orgulho-me de ter feito da defesa dos direitos humanos um dos pilares do nosso Estado”, afirmou a presidente, acrescentando que “por isso, é impossível considerar que a Argentina não protegeria os direitos dos três mil moradores da ilha.”

A Terra do Fogo é a província em cuja jurisdição está as Malvinas, segundo a Constituição. “Pedimos justiça porque queremos que esta região continue sendo uma área desmilitarizada. Não queremos tambores e capacetes de guerra, o que queremos são capacetes de trabalhadores”, ressaltou Kirchner.

Referindo-se às resoluções da ONU, disse: “Parece que há resoluções de primeira e resoluções de segunda”, em alusão ao não cumprimento de muitas delas por parte de alguns dos países que conformam o Conselho de Segurança do organismo mundial. E concluiu assinalando que “jamais haverá segurança internacional até que todos e cada um dos países que integram as Nações Unidas respeitem todas e cada uma de suas resoluções”.

SUSANA SANTOS

 

 
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