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13/09/2011 | Lula: “a crise se enfrenta com consumo e emprego”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na terça-feira (6), em visita a Portugal, que “não é com arrocho [aperto fiscal] que se deve enfrentar a crise”. Ele recordou que, em 2008, quando ainda era presidente, foi à televisão apelar para que os brasileiros consumissem.

Na palestra, destinada a autoridades e empresários, cujo tema foi “Um Mundo em Crise ou um Mundo de Oportunidades”, Lula disse ainda que “aumentar o salário mínimo não produz inflação”. “Esse, aliás, foi um dos tabus econômicos quebrados durante o meu governo”, salientou. O ex-presidente explicou a uma platéia de mais de 300 pessoas que “sem consumo não há emprego, sem emprego não há comércio e sem comércio a economia não cresce”. A palestra foi organizada pela InterCement, empresa pertencente ao grupo Camargo Corrêa, e uma das maiores produtoras de cimento e concreto da América do Sul.

Após a conferência, Lula encontrou-se com o presidente Aníbal Cavaco Silva, em Belém. Na saída do encontro, ele disse aos jornalistas que “a crise não é um momento para fazermos lamentações e sim de colocarmos a cabeça a funcionar, sermos criativos e tentar encontrar uma solução”. O ex-presidente permanece em Portugal até esta sexta-feira.

Lula falou também sobre a crise que atinge a Europa e criticou as pressões contra os países menos desenvolvidos do continente. Sublinhando que a crise “não é de Portugal”, Lula lembrou que a mesma foi causada “sobretudo, a partir dos Estados Unidos” e contaminou a Europa, “porque os bancos europeus também estavam envolvidos na especulação imobiliária”. “Não é justo que Portugal, Grécia e Espanha (e outros países menos desenvolvidos) paguem por uma crise causada pela especulação bancária americana”, acrescentou o ex-presidente, defendendo que “é importante que os ricos do mundo assumam responsabilidades para a recuperação da economia mundial”.

“É preciso que as pessoas compreendam que parte das decisões são políticas e não econômicas”, disse o ex-presidente. “Acho que neste momento a Europa, que tem um estágio de desenvolvimento social muito avançado, pode se recuperar rapidamente”, mas para isso “é preciso que haja disposição política”, declarou.

Esta é a segunda visita de Lula a Portugal desde que passou a faixa presidencial a Dilma Rousseff. No mês de março, o ex-presidente veio a Portugal para receber o título de doutor honoris causa concedido pela Universidade de Coimbra. Após deixar o governo, Lula cumpre uma extensa agenda de viagens nacionais e internacionais. Nos últimos meses falou em vários países, como a Espanha, Inglaterra, México, EUA e Qatar. Entre o final de agosto e início deste mês, esteve em Bogotá, onde participou da abertura do I Fórum Empresarial Brasil-Colômbia.

Em julho, foi ao Chile para participar das comemorações do bicentenário do Congresso Nacional, tendo sido recebido pelo presidente Sebastián Piñera, com direito a fotografia ao lado dos mineiros que sobreviveram ao acidente na mina San José.

Esteve também em Luanda, Angola, onde falou sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro e as possibilidades de cooperação entre Brasil e África. Passou pela Guiné Equatorial, onde discursou na 17ª sessão da Assembleia Geral da União Africana, e ainda, pela Guiné-Conacry e Senegal.

Lula disse que discutiu com o presidente da República, Cavaco Silva, e com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, as formas que Portugal pode contribuir para o crescimento da indústria naval brasileira. “Por conta da descoberta de petróleo, vamos ter de construir muitos barcos, navios petroleiros e plataformas e precisamos de contar com a excelência de Portugal”, afirmou Lula, adiantando que conversou com os governantes portugueses sobre os estaleiros de Viana do Castelo.

Lula defendeu ainda um reforço das relações comerciais entre o Brasil e Portugal, sublinhando que a relação entre os dois países não pode ser meramente sentimental. “Brasil e Portugal estiveram durante muitos anos afastados. Em 1500 foi Portugal que descobriu o Brasil, agora é a nossa vez de descobrir Portugal, brincou.

“É muito pouco o fluxo comercial entre o Brasil e Portugal”, frisou Lula. “Penso que nós podemos ter um fluxo comercial infinitamente maior”, acrescentou. Para o ex-presidente, o problema é que, “durante muito tempo, Portugal olhou só para a Europa e o Brasil olhou para o mundo inteiro menos para Portugal”.

 

 
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