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18/04/2012 | Juro alto continua fazendo estrago na indústria e no emprego

Juros irracionais e câmbio derrubam IBC-Br de fevereiro

Índice para o crescimento da economia caiu -0,23% em relação a janeiro deste ano e -0,07 em relação a fevereiro de 2011

A divulgação, na segunda-feira, do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), referente a fevereiro, mostra a que nível deixou o país a política de aumentos de juros do ano passado – e a consequente conivência, e até estimulo a um câmbio devastador da indústria e, de resto, da economia.

O IBC-Br é uma prévia do BC para o Produto Interno Bruto, ou seja, para o crescimento da economia. Em fevereiro, já descontadas as diferenças de número de dias e outras (ou seja, já "dessazonalizado"), esse índice caiu -0,23% em relação a janeiro deste ano e -0,07% em relação a fevereiro do ano passado.

Note-se que o IBC-Br também caiu em janeiro. Portanto, a queda em fevereiro é uma queda sobre uma queda. Resumidamente: não é um artefato estatístico ou uma oscilação ocasional. No momento, a tendência de queda provocada pela política de derrubada do crescimento ainda se mantém. E o problema não está no mercado externo, cada vez pior, quando o mercado interno está ainda sufocado – e, apesar do aumento do salário mínimo, garantido pela lei do presidente Lula, permanece uma trava sobre o poder aquisitivo da população, com aumentos salariais menores e o governo projetando outro aumento real zero para os aposentados, para não falar dos funcionários públicos.

Ressalte-se que, no período, a taxa básica de juros (a Selic, determinada pelo BC) caiu de 12,5% (julho/2011) para 10,5% (janeiro/2012). Mas isso esteve muito longe de compensar a escalada que levou os juros básicos de 10,75% (dezembro/2010) para 12,5%.

Todas essas taxas são nominais. Mas o que importa mesmo são as taxas reais, isto é, descontada a inflação – elas é que constituem o ganho da especulação, ou seja, dos bancos. O problema é, exatamente, que as taxas reais aumentaram de 4,8% (dezembro/2010) para 6,8% em sete meses, com o câmbio e a produção submergindo numa fossa abissal. Agora, evidentemente, não adianta só voltar à taxa real anterior para que tudo seja como dantes no quartel de Abrantes – porque economia é vida, não é uma tabuada das quatro operações.

O que foi destruído ou asfixiado durante a derrubada violenta do crescimento pelos juros não é recuperado instantaneamente porque a taxa real voltou a ser a mesma, ou próximo disso, até porque a diferença entre a taxa interna e a taxa externa já não é a mesma. São necessários incentivos mais fortes para recuperar uma cadeia produtiva que teve seus elos, no mínimo, abalados.

Portanto, o problema agora de "reanimar" a economia torna-se mais difícil, pois o estrago não foi pequeno, apesar de desnecessário: estamos hoje produzindo aproximadamente o que estávamos em setembro de 2008. Mais difícil ainda quando se quer "reanimar" a economia mantendo uma taxa de juros irracional e sem mexer no câmbio fixado pela especulação, também chamado "flutuante" - que, para alguns, parece um dogma mais intocável que o da virgindade da mãe de Jesus Cristo.

Obviamente, juros e câmbio são preços da economia, e nem um nem outro são determinados pelo mercado. Tanto assim que é o BC que estabelece qual é a taxa básica de juros, ou seja, qual o preço básico do dinheiro. Desde agosto do ano passado, o BC propala que está baixando os juros – com alguns bobos repetindo essa propaganda, como se as doses homeopáticas de queda de juros não fossem o prolongamento da tortura dos cinco aumentos seguidos de juros, imediatamente anteriores.

Mas, imaginemos que todos fôssemos uns parvos e nos deslumbrássemos com essas pequenas reduções de juros. Ficaríamos, sem dúvida, como um burro diante de um palácio, achando que a queda da taxa básica nominal de 12,5% (julho/2011) para 9,75% foi uma grande façanha.

Pois bem, segundo o próprio BC, a atividade econômica caiu em fevereiro, como já tinha caído em janeiro, pelo mesmo índice. Alguns consultores – que são obrigados a falar alguma verdade para os seus clientes, sob pena de perder o dinheiro que lhes pagam – até que definiram bem a situação: "Em março, a atividade econômica brasileira poderá recuar. Não há sinais de que o índice apresentará melhoras. O PIB está totalmente comprometido em 2012. Pensarmos em um crescimento de 3,5% no ano já é bastante otimista", disse um deles.

Certamente, nada há de inevitável nesse vaticínio. Se mudar a política econômica, se acabar o faz-de-conta do sr. Mantega, se os juros caírem, e rápido, para os patamares normais em todo o mundo, é possível reverter a situação. Caso contrário, depois de medíocres 2,7% de crescimento em 2011, teremos mais um avanço na mediocridade.

CARLOS LOPES

 

 
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