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18/04/2012 | Argentinos ocupam a Plaza de Mayo para celebrar a renacionalização da Yacimentos Petrolíferos Fiscales

Argentinos ocupam a Plaza de Mayo para celebrar a renacionalização daYacimentos Petrolíferos Fiscales O governo de Cristina Kirchner apresentou um projeto de lei ao Congresso Nacional estabelecendo a expropriação de 51% das ações da petroleira Repsol na YPF (Jazidas Petrolíferas Fiscais), e fixando como “objetivo prioritário conseguir o auto-abastecimento de hidrocarbonetos, e a exploração, industrialização, transporte e comercialização” dos mesmos. O projeto, que começou a ser debatido na mesma segunda-feira (16/04), dispõe ainda a criação do Conselho Federal de Hidrocarbonetos.

Cristina denunciou, em rede de Rádio e Televisão, que o ano passado foi “a primeira vez em 17 anos que a Argentina teve que importar gás e petróleo. Isso é inaceitável. Se a política de esvaziamento promovida por esta direção prosseguisse, de falta de produção e de exploração, nos tornaríamos um país inviável, por políticas empresariais e não por falta de recursos, já que somos o terceiro país no mundo, após a China e os EUA, em reservas de gás”. Em 2010 os investidores espanhóis extraíram um lucro de 1,4 bilhão de euros do subsolo argentino. A produção nacional de petróleo, porém, recuou quase 5,5%. 

A Argentina foi uma das economias ocidentais que mais cresceu na última década. Entre 2003 e 2010 o consumo argentino de petróleo e gás aumentou respectivamente 38% e 25%. A oferta caiu 12% e 2,3%. 

Após denunciar que, apesar de ter reduzido a produção, a YPF Repsol duplicou suas receitas no último exercício, e de questionar a necessidade de importar combustíveis para manter a produção agrícola, pecuária e industrial, Cristina advertiu que ninguém espere grosserias de sua parte em resposta às ofensas que a medida anunciada hoje possa provocar. 

A presidenta afirmou que apresentou o projeto para a recuperação da soberania de hidrocarbonetos porque “somos quase o único país do mundo que não administra seus recursos naturais”, e assinalou que, desde 1999 até 2011, “o lucro líquido da YPF foi de 16,45 bilhões de dólares, enquanto que a empresa distribuiu dividendos de 13,246 bilhões de dólares. “O problema foi a desnacionalização”, mostrou.

Desde sua criação, em 1922, até que se iniciou o processo de privatização (1992), a YPF expandiu a produção de energia em todas suas formas, ofereceu energia barata, desenvolveu um aparato produtivo industrial e tecnológico importante e descobriu e explorou praticamente todas as áreas que hoje estão em produção. Carlos Menem iniciou a entrega da maior empresa argentina assumindo a sua dívida e mandando embora quase 35 mil trabalhadores, leiloou a YPF numa operação irregular e a um preço abaixo de seu valor. Nos 20 anos seguintes as reservas foram reduzidas, se maximizou os lucros priorizando as exportações e a distribuição da maior parte dos lucros entre os acionistas, dificultando os investimentos, e desconsiderando o desenvolvimento da indústria argentina, contribuindo com seu sucateamento. A Repsol não furou um único poço de petróleo na Argentina desde 2009.

Respondendo à reação destemperada do governo de Mariano Rajoy (PP) que considerou a nacionalização da YPF, “uma afronta à Espanha”, o deputado da Esquerda Unida (IU), Alberto Garzón, afirmou que neste conflito “não estão enfrentados os interesses de duas nações distintas, mas os interesses nacionais da Argentina e os interesses econômicos de sujeitos privados de distintas nacionalidades entre elas, em menor grau, espanhóis”.

42% das ações da Repsol são de fundos de investimento estrangeiros, 13% pertencem ao CaixaBank que contém participação de bancos dos EUA e quase 10% propriedade da empresa mexicana Pemex.

Publicado no Jornal Hora do Povo edição 3.046

 
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