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21/04/2012 | Com produção em queda, Copom mantém juro alto

Taxa real de juros básicos de 3,4% está muito acima da média internacional de -0,6%

Vamos explicitar uma premissa para examinar o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) que terminou na última quarta-feira: como consequência da política de derrubada do crescimento, implementada a partir de janeiro de 2011 pela dupla Mantega & Tombini, o país está, no momento, do ponto de vista econômico, ou parando, ou parado, ou em retrocesso.

Não é algo que se perceba imediatamente, porque ainda não houve demissões em massa – que são, geralmente, o sinal mais perceptível para a maioria das pessoas de uma situação econômica grave. Mas, infelizmente, assim é, leitores, e as demissões já começaram: nos últimos seis meses, o emprego industrial caiu em quatro meses, e, nos dois meses em que aumentou, a queda não foi compensada (setembro: -0,4%; outubro: -0,5%; novembro: -0,1%; dezembro: +0,1%; janeiro: -0,2%; fevereiro: +0,1%).

O governo, por exemplo, sabe disso, daí o anúncio periódico de "novas medidas", ainda que essas não sejam até agora consonantes com a gravidade da situação – daí, também, a retórica do "baixo crescimento em 2012", como se isso não dependesse, exatamente, da política econômica.

Por essa razão, o corte de 0,75 ponto percentual (de 9,75% para 9%) na taxa básica de juros, decidido na reunião do Copom, é completamente insuficiente para a atual situação.

Vejamos do que estamos falando:

No primeiro bimestre do ano, acentuou-se a queda econômica: a produção industrial caiu, em relação ao mês anterior, -1,5% em janeiro e subiu +1,3% em fevereiro. Pareceria um jogo quase empatado, o que já seria bem ruim, se esse último número não significasse, na verdade, uma queda de -3,9% quando comparado ao mesmo mês do ano passado.

Pior do que isso, há seis meses a produção industrial está caindo – e cada vez mais - em relação ao ano anterior, que, no caso de 2011, esteve longe de ser brilhante:

a) setembro: -1,6%; b) outubro: -2,2%; c) novembro: -2,5%; d) dezembro: -1,2%; e) janeiro: -3,4%; f) fevereiro: -3,9%.

Todos os dados são da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do IBGE.

Como a economia não é distribuída igualmente pelo território nacional - 54% do Produto Interno Bruto (PIB) é produzido em apenas três Estados (São Paulo, Rio e Minas) -, a média nacional poderia ser enganosa e poderíamos estar perto de um salto no crescimento. Infelizmente, não é verdade. Vejamos a evolução da produção industrial nos três Estados mais industrializados:

I) Setembro: -3,9% (SP); -5,8% (MG); +0,2% (RJ).

II) Outubro: -4,5% (SP); -3,6% (MG); -2,0% (RJ).

III) Novembro: -5,0% (SP); +2,5% (MG); -3,4% (RJ).

IV) Dezembro: -3,3% (SP); -2,8% (MG); -2,1% (RJ).

V) Janeiro: -5,4% (SP); -2,5% (MG); -9,2% (RJ).

VI) Fevereiro: -6,6% (SP); -1,1% (MG); -8,9% (RJ).

Portanto, mesmo no Estado industrial com resultados um pouco melhores (Minas Gerais), a queda da produção industrial é maior que a média nacional. Como é pouco provável, pelo menos a curto prazo, que o polo dinâmico da economia passem a ser os Estados hoje menos industrializados, é clara a significação desses números: não há base para se dizer que a economia não está mais em queda. Pelo contrário. Os srs. Mantega e Tombini - partindo dos +10,5% de crescimento da produção industrial e +7,5% de crescimento do PIB no último ano do governo Lula - fizeram um serviço de dar inveja ao primeiro boss econômico da ditadura, Mr. Bob Fields, também conhecido como Roberto Campos.

Esse pântano, destacamos mais uma vez, nada teve a ver com a crise dos países imperialistas.

Tanto assim que – exceto EUA, União Europeia e Japão - os demais países do mundo, depois de terem crescido, na média, o mesmo que o Brasil em 2010 (+7,5%), cresceram +6,2% em 2011, enquanto aqui o crescimento caía para 2,7% (v. a recente nova edição do relatório do FMI, "World Economic Outlook", April 2012, pág. 2).

Esse mesmo relatório do FMI reconhece que a queda no Brasil foi devida exclusivamente à política econômica interna: "o forte crescimento da demanda interna se moderou na medida em que começaram a surtir efeito as políticas macroeconômicas mais restritivas" (cf. rel. cit., pág. 64).

O principal problema de manter os juros altos, além do óbvio fato de que é um privilégio para o setor mais parasitário da economia, aparece hoje num câmbio distorcido, que "flutua" de acordo com a enxurrada de dólares que os EUA despejam na economia mundial. A hipervalorização do real, que encarece a produção interna, que barateia artificialmente as importações, é apenas a invasão de dólares desvalorizados e improdutivos, atraídos pelas taxas de juros altíssimas pelos padrões internacionais.

Os juros básicos reais nos EUA estão em -2,4%, ou seja, o diferencial em relação à taxa real do Brasil, depois do corte de juros da quarta-feira, são estupendos 5,8 pontos percentuais. Não há economia nacional que resista a uma diferença tão grande, quando não existem barreiras para a entrada de dólares (o IOF do sr. Mantega é uma ficção) e quando o câmbio está ao sabor da especulação.

Daí a invasão das mercadorias importadas, que aumentou 24,5% em 2011 e mais 7,7% desde janeiro deste ano. A questão é tão crucial que todo o aumento do consumo em 2011 foi suprido por importações, deslocando a indústria nacional do mercado interno – ou seja, do seu mercado, ou, para usar uma expressão mais exata, tirando o mercado nacional da indústria nacional (cf. MDIC/Secex, Balança Comercial Brasileira; FIESP, Coeficientes de Importação).

O corte de 0,75 pontos percentuais efetuados pelo BC na quarta-feira, com esse diferencial de juros em relação ao exterior, é completamente perfunctório, considerando a situação em que a economia, e particularmente seu setor mais dinâmico, a indústria, estão no momento.

CARLOS LOPES

 

 
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