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21/04/2012 | Delegado Protógenes: “Veja é uma rede de desinformação”

“Desafio esse arauto de conspiração”  

 O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal, disse na quarta-feira (18), na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que a revista Veja está agindo como instrumento do crime organizado e quer desestabilizar a República. “Essa revista aqui. Isso aqui é uma organização criminosa”, afirmou o deputado, mostrando a capa da última edição de Veja.

O parlamentar cobrou que a CPMI que vai investigar as ligações de Carlos Cachoeira com Demóstenes Torres, Marconi Perillo (PSDB) e a revista Veja “seja implantada logo”. “Já está passando da hora da CPI der instalada para que a população saiba das ligações dessa imprensa com o crime organizado”, disse. “Com ela, nós vamos descobrir também de onde saiu esse mensalão”. “Quem bolou isso na mídia brasileira? Quem fabricou isso?” A Polícia Federal flagrou, com escutas autorizadas, mais de 200 telefonemas do diretor de Veja, Policarpo Jr., para Carlos Cachoeira. Foi com uma gravação produzida pelo bicheiro e entregue a Policarpo que se desencadeou a farsa do mensalão, em 2005.

Protógenes fez questão de dizer, em discurso também na quarta-feira, da tribuna da Câmara, que foi o autor do pedido da CPI do Cachoeira e aproveitou para denunciar a manobras para tentar desgastá-lo. “Assumo esta tribuna para denunciar uma ameaça à República brasileira: as matérias veiculadas por agências de notícias de baixo nível, de baixo calão, estão tentando confundir a opinião pública e este Parlamento brasileiro”, apontou.

“Trago aqui a matéria da revista Veja intitulada ‘A cortina de fumaça do PT para encobrir o maior escândalo de corrupção na história do País’. E aqui, na matéria, a revista traz uma foto minha com a legenda: ‘Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal. O deputado apareceu orientando os integrantes da quadrilha’. Mentira! Primeiro, eu não sou ex-delegado da Polícia Federal. Eu sou delegado da Polícia Federal licenciado! Eu estou deputado”, ressaltou.

O deputado continuou desmascarando a revista dos Civita. “Mais prá frente a matéria de Veja diz: ‘Amigo de Dada, ele recrutou o grupo do araponga para poder ajudá-lo clandestinamente na operação sathiagraha’”. “Ora, o sargento Idalberto era oficial de ligação da Inteligência da Aeronáutica e da inteligência da PF. E até hoje nós temos lá a inteligência do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que trocam informações para proteger soberanamente as riquezas deste país”, afirmou Protógenes.

“Eles eram oficiais de ligação indicados pela Inteligência Militar das Forças Armadas! Não eram bandidos. Se se tornaram bandidos, que culpa nós temos? Não há nenhuma relação da Operação Satiagraha com o caso Carlinhos Cachoeira. Muito ao contrário, ele [Cachoeira] deve explicações, sim. Ele deve explicações”, afirmou o delegado, desmentindo também a revista IstoÉ. “A outra matéria é da revista IstoÉ, que traz outra aberração, mostra outra foto, com a legenda: Protógenes Queiroz, Deputado do PCdoB, delegado aposentado da Polícia Federal. Eu não sou aposentado!”, salientou. “Já até me aposentaram. A mídia brasileira, essa mídia medíocre, essa revista já até me deu aposentadoria!”.

Protógenes lembrou que, quando ainda estava na ativa na PF, foi convocado para ajudar o Congresso a se defender de uma campanha de desestabilização. “Na época eu era delegado da Polícia Federal quando eu fui instado a prestar auxílio ao Congresso Nacional que naquele momento encontrava-se desestabilizado em razão de falsas denúncias contra o senador Renan Calheiros e por conta das falsas denúncias, de reiteradas capas da revista”, disse. “Fizeram deste informativo, esta rede de desinformação desse país com verdadeiros escândalos falsos”, denunciou.

“Eu encaminhei ao Procurador-Geral da República imediatamente um ofício, dirigido ao Dr Roberto Gurgel, para que ele apontasse se a minha conduta na atividade parlamentar, ou minha conduta como delegado de Polícia Federal, tipificasse alguma conduta criminosa”, informou. “Eu desafio esse arauto de desinformação e de conspiração da República”, acrescentou. “Agora chegou a hora de nós colocarmos em pratos limpos o papel da mídia brasileira”, propôs o parlamentar.

Protógenes explicou que na operação Satihagraha ele pediu a prisão de bandidos infiltrados na imprensa. “Eu lancei um capítulo sobre a mídia brasileira e pedi a prisão não de jornalista, mas de um criminoso e de uma criminosa. Jornalista não pratica crime, jornalista não se presta a esse papel”, salientou Protógenes. “Isso não é liberdade de imprensa, é crime! Isso não é jornalismo. Não existe jornalista bandido; ou ele é jornalista, ou ele é bandido!”, acrescentou.

“Agora, nós vamos também descobrir a Privataria Tucana. São três trabalhos estruturantes: a Operação Sathiagraha, que investigou o banqueiro condenado Daniel Dantas, a CPI do Cachoeira, que vai investigar outro banqueiro. Um é banqueiro criminoso do sistema financeiro e o outro é de outra área. E a CPI da Privataria Tucana. Essa é a prestação de contas que o povo brasileiro quer ver no Congresso Nacional”, completou Protógenes, que, otimista e ao mesmo tempo perplexo com tamanha baixaria e falsificação, levantou a hipótese de que “talvez o presidente dessa revista, o Sr. Roberto Civita, não tenha a dimensão dos serviços que seus funcionários prestam ao crime organizado no Brasil”.

Em nova gravação, Perillo pede reunião com bicheiro

Em novas gravações feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, no início de abril do ano passado, o braço direito do contraventor Carlinhos Cachoeira, o ex-vereador do PSDB, Wladimir Garcez, diz que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pediu para se encontrar com o bicheiro.

O áudio das novas gravações foram divulgadas no Jornal Nacional, da Globo, na terça-feira. Leia os diálogos:

WLADIMIR GARCEZ - Até pediu para nós olharmos uma coisa aí para ele depois. Aí eu falei: “ó, ele chega quarta-feira” e ele: “não, então marca para quinta-feira, eu, você e ele. Nós vamos sentar, bater um papo, quero conversar com ele”.

CARLINHOS - Ele quer que eu olhe para ele o quê?

WLADIMIR GARCEZ - Aí falou assim: “não, é uma coisa que eu quero conversar com ele, é porque eu confiei nele”.

CARLINHOS - Ah não, excelente.

Após a divulgação destas gravações, Perillo deu nova entrevista repisando que só recebeu Cachoeira uma vez, jurando que foi para tratar de isenções fiscais para a honestíssima empresa farmacêutica dele e asseverou que não pediu a reunião. Mas Perillo se contradisse em outras ocasiões e já admitiu que recebeu Cachoeira mais de uma vez. Curioso é que o motivo alegado é sempre para tratar de “isenções fiscais”. Em outro momento, o governador tucano também admitiu que já se encontrou com Cachoeira em reuniões festivas. Antes disse que só falou com o bicheiro para dar parabéns pelo aniversário. Perillo também declarou que achou que o bicheiro tinha se convertido num homem probo e franciscano.

Em encontro de governadores do PSDB em Curitiba (PR), os tucanos fizeram força para mostrar solidariedade ao colega de Goiás. Serra, em São Paulo, disse que dava “um voto de confiança”. O que é bem diferente de dizer que apoia Perillo totalmente. “Voto de confiança” de Serra vale tanto quanto vale um terreno em Plutão.

Instalação da CPMI de Cachoeira deve ocorrer na terça ou quarta-feira que vem

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e suas ligações com parlamentares e com a revista Veja será instalada na próxima terça-feira ou quarta-feira, conforme anunciou a presidenta em exercício do Congresso, a deputada federal Rose de Freitas (PMDB-ES).

O requerimento foi protocolado na terça-feira, dia 17, com número recorde de assinaturas. 67 senadores e 362 deputados assinaram a criação da CPI. O número mínimo necessário é de 171 deputados e 27 senadores.

“Será uma CPI de trabalho, que tem fatos concretos para serem analisados e investigados”, afirmou a deputada Rose de Freitas. Ela confirmou que foi marcada para esta quinta-feira, 19, às 10h30, a convocação do Congresso, “para que seja feita a leitura do requerimento da CPMI”.

Lula defende que CPMI de Cachoeira apure os fatos “doa a quem doer”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na segunda-feira (16) a visita de políticos vários partidos no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e defendeu a instalação da “CPMI do Cachoeira”. Estiveram com ele, os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), Cândido Vacarezza (PT-SP) e os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Lula disse aos seus interlocutores que a CPI tem que sair “doa a quem doer”.

O deputado Candido Vacarezza disse que não foram discutidos nomes para a CPMI e que o ex-presidente pediu para que a comissão “apure os fatos sem proselitismo”. Os líderes de todos os partidos protocolaram na terça-feira (17) o pedido de abertura da CPMI. A comissão será instalada na próxima semana. O requerimento deverá ser lido em sessão do Congresso nesta quinta-feira (19).

A CPMI iniciará seus trabalhos tendo que investigar as relações entre o senador Demóstenes Torres (Dem-GO) e Cachoeira. Gravações da PF mostram o senador como braço político da quadrilha de Cachoeira. Numa das fitas o contraventor orienta um funcionário do bando a entregar um milhão de reais a Demóstenes. Outro político seriamente implicado é o governador de Goiás, Marconi Perillo. Sua chefe da gabinete, Eliane Gonçalves, foi interceptada em ligações telefônicas com diálogos comprometedoras com Cachoeira.

A CPMI vai se debruçar também na investigação das ligações do jornalista Policarpo Jr., da cúpula da revista Veja, que trocou 200 ligações telefônicas com Cachoeira. Policarpo também foi visto várias vezes em reunião com o chefe da quadrilha na sede de empresas do mafioso em Goiás.

Publicado no Jornal Hora do Povo edição 3.049

 

 
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