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21/04/2012 | Empres√°rios e trabalhadores consideram insuficiente corte de apenas 0,75 pontos

Entidades empresariais e as Centrais sindicais consideram insuficiente o corte de apenas 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, passando para 9% ao ano, e apontaram a necessidade da redução do spread (diferença entre o custo de captação de dinheiro e os juros cobrados nos empréstimos).

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que "a queda nos juros precisa chegar também aos tomadores finais". Ele lembrou que "os ganhos de eficiência e escala, conquistados pelos bancos com o crescimento do mercado de crédito, não se refletiram na oferta de financiamentos mais baratos".

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), "a combinação de inflação em queda persistente e a permanência de um quadro de estagnação na indústria abrem espaço para uma política monetária mais ativa".

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) destacou que "o novo corte representa uma economia de mais de R$ 11 bilhões ao ano, ou quase R$ 1 bilhão por mês, aos cofres públicos. Isso porque, mais de 75% dos R$ 2 trilhões de dívida pública do País estão ligados, de alguma forma, à Selic".

Os representantes dos trabalhadores foram mais incisivos na crítica ao Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), considerou extremamente tímida a redução: "Com esta queda conta-gotas, o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade para fazer uma drástica redução na taxa de básica juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País".

Para o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), "a média internacional dos juros está negativa. Então o BC tem de fazer uma redução maior para acabar com o diferencial de juros e equilibrar o câmbio. Os trabalhadores e empresários do setor produtivo estão empenhados nessa luta".

"Embora a nova queda da Selic seja um passo positivo, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo. Em 2011, o Tesouro desembolsou R$ 236,6 bilhões para pagar os juros da dívida pública, o que é o maior programa de transferência de renda do governo, beneficiando os mais ricos", destacou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

De acordo com o presidente da CTB, Wagner Gomes, é "evidente que as taxas de juros praticadas no Brasil (não só a básica) podem e devem continuar caindo. É indispensável ampliar a mobilização social e as pressões para transformar esta possibilidade em realidade".

"A queda de apenas 0,75% faz com que os bancos também sejam tímidos ao reduzirem as taxas cobradas à produção e ao consumo. Isso significa que com uma queda acentuada teremos mais investimento na produção e mais emprego. A timidez do Governo em relação à redução da Selic só traz prejuízos à classe trabalhadora e ao país", sublinhou o presidente da UGT, Ricardo Patah.

Publicado no Jornal Hora do Povo edição 3.049

 
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