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05/05/2012 | Bancos chantageiam o governo para tomar poupança dos pobres

O que os bancos não querem é baixar os juros

Em 2011, o rendimento real (isto é, descontada a inflação) das cadernetas de poupança foi 0,94%, o mesmo de 2010 (dados da consultoria Economática).

É essa fábula de rendimento que os bancos querem reduzir, pois senão os especuladores da “renda fixa” (antes de tudo os próprios bancos), devido à queda dos juros básicos, vão todos abrir cadernetas de poupança para usufruir as fenomenais benesses que os pobres estão recebendo...

No momento em que escrevemos, não estava claro se o governo iria apresentar uma proposta para mudar o rendimento das cadernetas de poupança. Havia rumores tanto de um lado quanto de outro – mas o peculiar é a origem dessa bulha.

A origem é a mesma dos ataques à presidente Dilma por seu discurso alusivo ao 1º de Maio. Agora, Dilma é retratada como uma “obsessiva” (sic) com a questão dos juros e da espoliação dos bancos – como se não fosse essa, exatamente, a questão mais importante para o país nesse momento.

Por curiosidade, fizemos um levantamento das matérias pregando o rebaixamento nos rendimentos da poupança, aparecidas nos últimos quatro dias: encontramos 287 matérias com esse teor na mídia mais reacionária, e, vale dizer, mais golpista. Em geral, repetições umas das outras: a originalidade não é uma característica desse tipo de cruzada, onde se martela tanto a cabeça dos infelizes - exatamente para que eles não pensem - que até o veterano líder metalúrgico Marco Maia, hoje presidente da Câmara, declarou-se a favor de mudar as regras da única aplicação financeira a que os mais pobres têm acesso.

Deveria ser uma advertência contra declarações precipitadas a própria composição desses cruzadistas anti-poupança: a Febrabran, o notório Mendonça de Barros, a família Civita, o cara de peroba Maílson da Nóbrega, a Globo, a “Folha de S. Paulo”, a raça de “comentaristas econômicos” - em suma, a escória parasitária, antipopular, antinacional e contra o governo Dilma, isto é, contra o seu sucesso.

O que essa malta não quer é que os juros baixem. Daí essa campanha contra a poupança, com o falacioso argumento de que o governo não poderá financiar a sua dívida, se os especuladores saírem da “renda fixa” - que é sustentada pela especulação com títulos públicos – se esta cair de rendimento em relação às cadernetas onde o povo deposita o pouco que lhe sobra.

Por essa tese, o Brasil jamais vai dirigir seus recursos para a produção, para o investimento produtivo, para o crescimento - porque o governo sempre terá de garantir os ganhos dos especuladores. Senão, como vai gerir a dívida, que, desse jeito, será sempre crescente? Portanto, a prioridade tem de ser a especulação. Essa mentalidade tacanha que só consegue enxergar a vida como miragem do financeirismo mais desvairado, essa visão de que o mundo é um lugar onde o normal é os especuladores saquearem a coletividade, é o verdadeiro obstáculo para a queda dos juros, não a poupança dos mais pobres.

O argumento dos vigaristas é, naturalmente, um argumento vigarista, ou seja, uma inversão da realidade: segundo eles, os juros não podem baixar enquanto os rendimentos da poupança não forem reduzidos, senão eles vão deixar de especular com títulos públicos.

No entanto, o objetivo dos juros caírem é, exatamente, que os recursos hoje esterilizados na especulação sejam dirigidos para a produção. O objetivo não pode ser, evidentemente, que os especuladores continuem especulando – e na magnitude atual. Se fosse isso, para que baixar os juros?

Como fazer, então, com a dívida pública, cevada pelos Maílson & sucessores? Seria problema se os especuladores tivessem melhor alternativa. Mas não têm. Nem dentro nem fora do país. Irão os fundos pagar imposto de renda na poupança, o que é obrigatório para pessoas jurídicas? Irão os bilionários, inclusive estrangeiros, esperar a data-limite mensal da poupança para auferir os juros? Ou irão abrir cadernetas com data-limite em todos os dias do mês para evitar esse inconveniente? Convenhamos, é ridículo. Por isso, todos os dados do BC e do Tesouro mostram que a propalada fuga para a poupança é uma fabricação, um marketing terrorista sobre o governo – e dos mais imbecis, pois destituído de lógica, desde que se tenha algum pensamento independente, que não conceba a curvatura das vértebras à chantagem como norma de vida.

A questão consiste em que não é o governo que precisa dos especuladores, mas estes que precisam do governo. Os bancos – os grandes especuladores – vivem dos cofres públicos, ao invés de emprestar dinheiro às empresas e aos consumidores. Exatamente isso é que tem de acabar. O governo, precisamente por ser governo, pode mudar o perfil da dívida, trocar títulos por outros diferentes, etc., etc. – o governo, além disso, tem o chamado poder “monopsônico”: como único grande tomador de empréstimos do país, pode impor suas condições aos emprestadores, pois estes não têm como não aceitá-las. Sobretudo quando, ao invés de credores, a dívida do governo está na mão de especuladores que hoje morrem de medo de quebrar – e sabem que isso depende apenas do governo. A fraude de que o “mercado” é que regula a dívida já está suficientemente desmoralizada pelo fato de que não existe “mercado” na especulação. No Brasil, quatro ou cinco bancos mandam nela. O resto são peixes menores que seguem os tubarões.

Se alguém acredita que essa malta está a favor de mudar a poupança por razões “técnicas” ou por zelo com as finanças do governo, melhor seria internar-se num hospício. Pois a única coisa que eles têm é interesses – mesquinhos, egoístas e antissociais. Que se dane a sociedade e o governo – querem é arrancar o couro de ambos.

Cortar os rendimentos da poupança seria, para eles, unir o agradável ao útil: aumentar o ganho dos bancos em cima dos mais pobres e ter uma bandeira eleitoral neste ano. Ceder ao refrão desses grandes batedores de carteira é, mais ou menos, como alegrar-se pelo frescor de um sorvete na própria testa.

O sr. Mendonça de Barros, prócer tucano apeado do Ministério por seus edificantes diálogos com Ricardo Sérgio & cia. no esquartejamento da Telebrás, está muito preocupado com os “movimentos especulativos de saída para a poupança”.

Naturalmente, ele não mostrou a mesma preocupação quando, depois de nomeado ministro, a corretora Link, pertencente aos seus filhos, em quatro meses bateu até o Citibank na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), passando de 85ª para 1ª corretora do ranking, devido ao sucesso em operações vinculadas às ações da Telebrás. Talvez tenha demonstrado alguma preocupação quando, após sua saída do Ministério, essa corretora foi parar em 41º lugar nesse mesmo ranking.

Esse fariseu tucano-financeiro é de um cinismo indecente – mais precisamente, depravado. Não lhe preocupa a desenfreada especulação que fez o setor público transferir, somente em juros, R$ 295,7 bilhões aos bancos desde janeiro de 2011. Também não está preocupado com que 47,19% do Orçamento do governo federal em 2012 seja destinado a juros e amortizações, ou seja, aos bancos. Pelo contrário, para ele, esse é o estado normal das coisas.

O problema é a poupança, o que os mais pobres estão ganhando numa aplicação financeira que tem finalidade social – financia a construção civil e a agricultura. Essa é que tem de ser cortada.

Se o governo ceder nessa questão, estará apenas contribuindo para aumentar o ganho dos seus inimigos – tanto os financeiros quanto os políticos.

Carlos Lopes

 

 
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