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05/05/2012 | CPI chama Cachoeira e Demóstenes. Agora falta convocar a Veja

CPI pede a quebra dos sigilos e convoca Cachoeira para dia 15

“Policarpo (diretor de Veja) vai detonar aquela associação, entendeu?”, diz o bicheiro Cachoeira 

A CPI do Cachoeira começou seus trabalhos na quarta-feira (02/05), quando foi aprovado o plano inicial de ação proposto pelo relator, deputado Odair Cunha (PT/MG), e aprovou também os requerimentos para ouvir os policiais federais e procuradores responsáveis pelas Operações Las Vegas e Monte Carlo. Serão ouvidos principalmente Carlos Cachoeira, Demóstenes Torres e outros integrantes da quadrilha. Aguarda-se para breve a convocação de Policarpo Jr., diretor de Veja, flagrado em íntima associação com a organização criminosa. Foram gravados pela Polícia Federal 200 telefonemas entre Cachoeira e Policarpo Jr.

As convocações para depor aprovadas foram as seguintes: 8 de maio – delegado da Polícia Federal (PF) Raul Alexandre Marques Souza, responsável pela Operação Vegas; 10 de maio – delegado da PF Mateus Rodrigues e procuradores Daniel Salgado e Lea Batista de Oliveira, responsáveis pela Operação Monte Carlo; 15 de maio – Carlos Cachoeira; 22 de maio – Jose Olímpio de Queiroga, Gleib Ferreira da Cruz, Geovani Pereira da Silva, Vladimir Garcez e Lenine de Sousa, integrantes da organização criminosa de Cachoeira; 24 de maio – Idalberto Matias e Jairo Martins – considerados “espiões” do esquema de Cachoeira; 29 de maio – Cláudio Abreu, ex-diretor da Construtora Delta no Centro Oeste, membro do bando de Cachoeira; 31 de maio – senador Demóstenes Torres (ex-líder do Dem-GO), flagrado em diversas ações criminosas com Cachoeira e seus capangas.

Os parlamentares vão ter agora mais detalhes ao ouvirem as mais de 200 ligações de Cachoeira e Policarpo Jr., conhecido também, na quadrilha por “PJ’ ou “Poli”, mas, com o que já veio a público sobre a associação dos Civita com Cachoeira, não há como Veja não ser convocada para dar explicações ao país. O próprio deputado Marco Maia, presidente da Câmara, afirmou recentemente que, por muito menos, o jornal do Rupert Murdock deixou de circular na Inglaterra.

Para se ter uma pequena idéia de como funcionava a ação criminosa do trio Cachoeira, Veja e Demóstenes vamos reproduzir alguns - entre muitos - diálogos gravados pela PF obtidos de forma legal, com autorização da Justiça. O primeiro é um trecho de uma conversa entre Cachoeira e Demóstenes, ocorrida em agosto de 2011, onde ele conta ao senador que Veja foi abastecida com material produzido por seu capanga, Jairo Martins, contra o ex-ministro José Dirceu.

Cachoeira: “Fala Doutor”.

Demóstenes: “Fala professor, e ai? Tranqüilo?”.

Cachoeira: ‘Beleza, novidade ai?”.

Demóstenes: “Fiquei o dia inteiro fora do ar aí, sem saber se tem alguma coisa”.

Cachoeira: “Não, só o Policarpo que vai estourar aí, o Jairo arrumou uma fita pra ele lá do hotel lá, onde o Dirceu recebia o pessoal na época do tombo do Palocci. Aí ele vai demonstrar, mas não vai ser esse final-de-semana não, tá? Vai ser umas duas vezes aí pra frente, que ele planejou a queda do Palocci também, recebia só gente graúda lá. Isso quer dizer que os momentos importantes da República, o Dirceu que comanda”.

Demóstenes: “Exatamente, aí é bom de mais, uai, o que que é isso?”

Cachoeira: “É vai sair aí, já falou com o Jairo, hoje almoçou com o Jairo, e perguntou pro Jairo se podia, quando for estourar, pôr a fita na “Veja Online” e o Jairo veio perguntar pra mim. Ai eu falei pra ele: ‘não deixa não. Manda ele pedir pra mim’.

Num outro diálogo, publicado na última edição do HP, Cachoeira e Demóstenes mancomunados com a revista Veja buscam meios para extorquir, pressionar o governador do DF, Agnelo Queiroz, em favor dos interesses da empreiteira Delta. As conversas são de Cachoeira com seu capanga Idalberto Matias, o Dadá, e com Claudio Abreu, ex-diretor da Delta.

Cachoeira: “Então o trem tá feio aí?”

Dadá: “Tá, bicho. A Globo bateu pesado nele. Record. Ele tá dando as explicações aqui, mas os caras não estão se convencendo, não, entendeu? Ta gaguejando aqui na televisão”.

Cachoeira: “Então libera o gordinho (Demóstenes), né?”

Dadá: “(...) falei com ele agora, com o Cláudio (...) Porra, a gente tem  que resolver isso”. (...) resolve e vai ser hasteada a bandeira branca, bicho”

Cachoeira: “É. Eles pediram mais alguma coisa procê, não?”

Dadá: “Não. Pediu pro gordinho, entendeu? Receber o cara bem e parar de bater”.

Cachoeira: “Você tem que avisar que eles vão apanhar, entendeu? Vão continuar apanhando”.

Dadá: “Não, lógico. Vou avisar. Daqui a pouco eu vou ligar para eles”.

Cachoeira: “Porque é o seguinte, não vai perder uma oportunidade dessa não, uai”.

Dadá: “Pro cara cair é 3, 4 meses. É o tempo que vence aquele negócio”.

Carlos Cachoeira conversa depois com Cláudio Abreu sobre como deve ser a chantagem:

Cláudio: “Deixa eu falar, o Dadá me posicionou aqui. Aquela história, nós não pedimos nem nada, mas, deu uma reviravolta na turma lá. Ta tudo desesperado, né? O Dadá já me falou que você falou prá ele ‘botou a cabeça, agora deixa’, eles que têm que resolver, não resolvem minhas coisas lá, bicho.

Cachoeira: “Falei pro Dadá, eu liguei pro nosso amigo, falei: ó, solta o bete (...) é ao contrário, vai bater, depois de arrumar os seus negócios, ele para, entendeu?”.

“Vamos detonar aquele trem na Veja”, avisa Cachoeira

Por fim, vai ser impossível o Policarpo Jr. e a Veja deixarem de comparecer à CPMI para explicar sua participação nesse outro esquema, mostrado nessa conversa entre Cachoeira e Claudio Abreu, sobre um ataque às tais “empresas do IBV” que, ao que parece, se interpuseram aos interesses da quadrilha. Também, em matéria nessa página, detalhes da armação de Cachoeira, repercutidas na Veja, sobre a ida de Demóstenes à Itália para um encontro com Berlusconi. Tudo isso deverá ser apurado pela CPMI.

Cachoeira: “cadê aquele documento aonde divide Brasil vou dar pro Policarpo. Ele vai detonar aquela associação, entendeu?”.

Claudio: “eu tenho ela aqui ué, eu tenho a cópia, você fala as empresas do IBV?”.

Cachoeira: “exatamente, pega a data da reunião, como é que ficou dividido o Brasil, vamos detonar aquele trem na Veja, semana que vem lá, ai o povo aí vai ficar com medo vai, entendeu?”.

Claudio: “é exatamente. Aí não entra o IBV. Aí essa primeira ideia aí, show de bola, mas até segunda feira ta dentro da minha gaveta lá, até segunda-feira a gente já discute isso eu vou ficar quarta e quinta em Brasília e na quarta-feira conforme for a gente senta com o Policarpo, mas vamos pensar primeiro porque é aquela história né amigo, nos estamos sufocado e precisamos fazer logo o negócio, fazer acontecer e o limite é primeiro de janeiro pra começar a operar, se a gente ficar nesse imbróglio aí, vai derrubando, vai demorando nós tínhamos é que derrubar os outros lá e ficar com os vinte e cinco por cento que o lBV ta querendo ficar e a gente não vai permitir né

Cachoeira: “exatamente, mas nós vamos, pensa ai, mas vamos detonar, porque o nosso amigo lá achou em detonar, tá bom?”

Articulação de Cachoeira, Demóstenes aceitou ir à Itália para pedir desculpas a Berlusconi pelo caso Battisti

As escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo revelam que o chefe do crime organizado, Carlos Cachoeira, articulou uma visita de seu cúmplice, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), à Itália para uma audiência com o então primeiro-ministro Sílvio Berlusconi. Cachoeira conta para Demóstenes que sua visita à Itália estava “prosperando”. Combinam como fazer para Demóstenes ser convidado pelo governo italiano. O objetivo da viagem era atacar a decisão do então presidente Lula de negar o pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, feito pelo governo italiano. Numa atitude invertebrada e de total desrespeito à soberania do Brasil, Demóstenes iria “pedir desculpas” ao mafioso italiano pela decisão de Lula.

Os diálogos dos criminosos falam por si mesmos:

Cachoeira: “O negócio da viagem à Itália está prosperando. A Deise é amiga do Berlusconi. Ela vai estar lá no Palácio, ela vai falar. Como você gostaria que fosse? Um convite dele?”.

Demóstenes: “Pode ser, eu vou na hora”.

Cachoeira: “Ele te convidando, você tem que chamar a imprensa nacional. Aí, você pede desculpa, né? Em, nome do povo brasileiro”.

Demóstenes: “Faço isso com todo o prazer”.

A conversa foi gravada uma semana após a libertação de Cesare Battisti.
Em outra conversa, Cachoeira fala com o integrante do bando Gleyb (Gleyb Ferreira da Cruz) sobre a viagem de Demóstenes.

Cachoeira: “Ele vai pedir desculpa em nome do povo brasileiro. Mas o convite tem que ser do Berlusconi, com passagem para ele ir”.

Plano da quadrilha era eleger senador prefeito de Goiânia

 Uma conversa interceptada pela Polícia Federal (PF) mostra que o bicheiro Carlinhos Cachoeira fazia planos para eleger o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) prefeito de Goiânia. Até o início deste ano, Demóstenes era um dos pré-candidatos mais cotados à prefeitura da capital goiana. Mas o estouro do escândalo envolvendo Cachoeira sepultou as esperanças de quem ainda via no parlamentar um potencial candidato.

Em telefonema feito no dia 13 de março do ano passado, o bicheiro trata do lançamento da candidatura do senador com o vereador de Goiânia Santana Gomes (PMDB). “Deixa eu te contar uma coisa: o Demóstenes vai ser nosso prefeito, não vai? Nós temos que ter alguém com o poder na mão, chefe”, disse o vereador. “Exatamente, exatamente”, responde Cachoeira.

Os dois conversaram inicialmente sobre Jorcelino Braga, secretário estadual da Fazenda na gestão anterior, do ex-governador Alcides Rodrigues (PP), de 2006 a 2010. Alcides, que era vice do atual governador tucano Marconi Perillo (GO), assumiu o governo quando o titular renunciou ao mandato para disputar o Senado, em 2006, mas terminaram por se afastar.

O bicheiro diz acreditar que Jorcelino Braga quer uma aproximação com sua quadrilha e Santana Gomes concorda em fazer o contato. Ele sugere que isso vai ajudar a fazer Demóstenes Torres prefeito de Goiânia.

“Então tá bom. Vamos tomar um café amanhã pra gente bater umas ideias e montar uma estratégia beleza pra gente começar. Eu vou começar. Eu já sei que cê tá pensando. O Demóstenes vai ser prefeito. É isso que cê tá querendo dizer, né?”, indaga o vereador. Pouco depois, Cachoeira diz: “Traz ele (Braga) pro nosso lado. Tenta trazer”.

Procurador-geral recusa convite, mas CPMI vai convocá-lo

O procurador-geral da Republica, Roberto Gurgel, não aceitou o convite para ir à CPMI do Cachoeira, alegando “impedimentos técnicos” que impossibilitariam a visita. Ele foi convidado, na quarta-feira (2), pelo presidente e relator da CPI, respectivamente, senador Vital do Rêgo (PMDB/PB) e deputado Odair Cunha (PT/MG).

Entretanto, o presidente da CPI explicou que, mesmo com o procurador recusando o convite, ele ainda pode ser convocado pelos membros da comissão e, nesse caso, não terá escolha. Segundo Vital do Rêgo, há um requerimento de convocação de Gurgel, mas não se sabe quando será votado.

“Isso [a recusa do convite] não afasta uma possibilidade de convocação até porque eu tive a prudência de colocar para o procurador-geral que a minha visita com o relator tinha sido uma visita institucional, mas tem uma solicitação através de requerimento de convocação. Isso significa que quando o requerimento for a voto ele será deliberado e decide a maioria do colegiado”, ressaltou.

Na reunião da CPI realizada na quarta, a recusa do procurador-geral ao convite para depor consumiu boa parte dos debates. O bloco governista defendeu a convocação, para que Gurgel explique os motivos que retardaram o pedido de abertura de inquérito no STF, já que recebeu as primeiras informações sobre o envolvimento de políticos com Cachoeira ainda em 2009.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP) disse que o procurador-geral tem explicações a dar à população, devido à demora em oferecer denúncia contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. “O procurador pode ser convocado, sim. Além disso, ele tem uma explicação a dar à sociedade brasileira. Ele tem que explicar porque ficou sentado nessas acusações por quase três anos”, disse.

Para o deputado Maurício Quintella Lessa (PR/AL), a decisão de convocar Gurgel deve ser tomada após a primeira análise dos documentos e depois que a comissão ouvir os primeiros depoimentos. “Se ficar claro que houve prevaricação por parte do procurador-geral, ele precisar da satisfação a essa CPMI e à sociedade”, afirmou.

Perillo abriu as contas do Estado de Goiás para o operador de Cachoeira

Nas gravações da Polícia Federal (PF), autorizadas pela Justiça, o ex-vereador do PSDB, Wladimir Garcez, um dos operadores políticos do contraventor Carlinhos Cachoeira, informa ao bicheiro sobre a conversa que teve com Marconi Perillo (PSDB), governador de Goiás, em que este lhe abriu as contas do Estado.
No relato, Marconi mostra muita intimidade com o operador de Cachoeira, a ponto de informar que o “ajuste fiscal” que fez no Estado estava dando certo, mas pede para o tucano não falar nada porque depois “o povo vai achar que eu já estou nadando em dinheiro”. “Tá com tudo pronto pra resolver, entendeu?”, diz Perillo no relato de Garcez.(...)

Wladimir Garcez: (...) Mostrou pra mim, Carlinhos (Cachoeira), toda a situação do Estado, mostrou como que tá as contas, é... como vai passar esse mês de abril agora, como é que tá o ajuste fiscal que ele fez, quando que o Estado vai começar a respirar. Tudo... inclusive isso aqui eu tô te mostrando mas num quero que você comenta isso com ninguém, porque isso aqui depois o povo vai achar que já to nadando em dinheiro. Aí eu falei: não, ele tá aqui quarta-feira a gente vai sentar bater um papo... a conversa aquela assim de irmão, pra você ter uma idéia, o José Augusto tava lá fora, eu fiquei com ele, ele assinando os trens conversando batendo papo. Aí ele foi lá, pôs o tênis, voltou continuou conversando comigo que era o negócio daqui do Demóstenes. Aí ele falou: manda o Zé entrar, ai o Zé entrou ficou eu ele e o Zé batendo papo, conversando. Aí eu falei assim... ah... o Zé Augusto quer falar com você. Ah, governador, então eu já vou. Não, não, então ta, qualquer coisa a gente... Eu te ligo. Não, então tá bom.

Cachoeira: Ô! Foi bom pra caralho, hein?

É nesta gravação que Wladimir informa que Perillo pediu para marcar uma conversa com Cachoeira, dizendo que quer que ele veja alguma coisa para o tucano.

Com informações do Jornal Hora do Povo

 
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