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10/05/2012 | Produção industrial cai pelo quarto trimestre consecutivo

É o resultado de cinco altas seguidas dos juros

  A produção industrial recuou 0,5% em março, em relação a fevereiro. Em janeiro havia caído 1,6% e em fevereiro teve alta de 1,3%. Em todas as bases de comparação a produção da indústria ficou negativa. Em relação a março de 2011, a variação foi de -2,1%. No acumulado do primeiro trimestre a produção fabril apresentou retração de 3,0% ante o mesmo período do ano passado. Sobre o trimestre imediatamente anterior, -0,5%. Todos os índices com ajuste sazonal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), “a recuperação tão esperada do setor provavelmente ficará para o segundo semestre, o que compromete o crescimento da produção industrial neste ano”.

O índice negativo do primeiro trimestre de 2012 é o quarto trimestre seguido de queda. A produção industrial vem perdendo ritmo desde o primeiro trimestre de 2011, quando subiu 2,8%, caindo para 0,6% no segundo trimestre, ficou estagnada (0,0%) no terceiro trimestre e caiu para -2,1% no quarto trimestre de 2011. Foi o resultado de cinco aumentos consecutivos da taxa Selic em 2011 e a resistência posterior do Banco Central em reduzi-la aos níveis internacionais, para eliminar o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos, Europa e Japão. Mais também do corte do orçamento, das restrições de crédito e do alto grau de desnacionalização da economia brasileira, que, junto com o câmbio deformado pelos juros siderais, viabiliza uma avalanche de produtos importados, estrangulando a produção industrial local.

A redução à conta gota da taxa Selic não foi capaz de eliminar o diferencial de juros e mesmo com a recente decisão do governo em reduzir os juros de linhas de crédito do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, no geral, os créditos continuam caros, o que dificulta os investimentos industriais.

Em março, 18 dos 27 ramos pesquisados apresentaram recuo. As maiores quedas se deram nos segmentos de equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros (-10,1%), edição, impressão e reprodução de gravações (-7,1%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-6,9%), refino de petróleo e produção de álcool (-3,6%) e outros produtos químicos (-2,3%).

Segundo o IBGE, “no índice acumulado para os três primeiros meses de 2012, frente a igual período do ano anterior, o recuo foi de 3,0%, explicado principalmente pelos resultados negativos em três das quatro categorias de uso e na maior parte (15) dos vinte e sete ramos investigados. Entre as atividades, a fabricação de veículos automotores, com queda de 20,4%, permaneceu com a maior influência negativa sobre o índice geral”. Outros ramos tiveram expressivos resultados negativos: vestuário e acessórios (-14,1%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-13,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-12,1%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-12,7%), têxtil (-7,5%), borracha e plástico (-5,1%) e metalurgia básica (-3,7%).

Entre as categorias de uso, os resultados para o primeiro trimestre de 2012 confirmaram o menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-11,6%) e bens de capital (-11,4%), pressionados especialmente pela menor produção de automóveis, no primeiro grupamento, e de bens de capital para transportes (caminhões) no segundo. O setor produtor de bens intermediários (insumos, componentes etc.) recuou 1,3%. O segmento de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (roupas, alimentação etc.) teve modesta expansão de 0,9%, o único resultado positivo no período.

“O cotejo da indústria de transformação brasileira com os de economias periféricas com semelhante grau de desenvolvimento revela igualmente o baixo dinamismo do setor fabril nacional. Com a queda de 3,1% frente a março de 2011, o desempenho da produção manufatureira foi inferior ao da grande maioria dos demais países da amostra, com destaque para Rússia (2,4%) e Argentina (2,1%). Além do Brasil, apenas a indústria de transformação da Tailândia registrou taxa negativa em março (-3,2%)”, comparou o IEDI.

Com informações do Jornal Hora do Povo

 
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