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Créditos:CNI
23/05/2012 | Cresce penetração de importados no consumo pessoal e industrial

Consumo de importados avançou e índice passa de 10,5% em 2002 para 22,2%, maior índice registrado

Na área econômica do governo, a redução ou mesmo isenção de impostos passou a ser quase a panaceia universal. Promete-se cortar impostos de quase tudo. Principalmente de monopólios como os das telecomunicações (ver matéria nesta página), da energia elétrica ou da indústria automobilística, todos com lucros mais do que exorbitantes.

Há um grão de desespero nesse furor desoneratório (ou desonerante), na medida em que a economia brasileira, afundada pela política econômica do ano passado, não se reanima – e, segundo pelo menos uma autoridade, “já perdeu o semestre”.

No entanto, a principal mola propulsora do crescimento é o próprio Estado, seus investimentos e gastos – inclusive os de custeio. De que vale, então, enfraquecer o poder do Estado com a renúncia a impostos, se o problema, como demonstram os lucros dos monopólios, não são os impostos?

O recentemente divulgado, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),  “coeficiente de penetração das importações” é uma base para perceber qual é o problema, ou quais são, da economia brasileira. Mas, antes de tudo, acertemos uma premissa: não existe desenvolvimento econômico sem expansão industrial. Algum idiota pode argumentar o contrário, mas será, apenas, “uma história/ cheia de som e fúria/ significando nada”.

Nos últimos quatro trimestres, encerrados em março, o coeficiente de penetração das importações para a indústria em geral foi 22,2%, o maior já registrado por esse índice, calculado desde 1996. Sucintamente: 22,2% do consumo interno – incluído o consumo pessoal (“consumo final”) e o consumo industrial (“consumo intermediário”) - foi suprido por mercadorias importadas.

O mesmo índice, no trimestre anterior, “alcançou o recorde histórico de 20,7%. (…) uma alta de 5,2 pontos percentuais (p.p.) em apenas dois anos” (IPEA, Carta de Conjuntura nº 16, maio/2012, pág. 46).

Pois agora, em apenas mais um trimestre, a penetração das importações avançou +1,5 p.p., com tendência, se as coisas (sobretudo a política econômica) continuarem como estão, de aumentar mais ainda.

Está evidente a aceleração da penetração das importações no mercado interno, contra a indústria nacional. Daí, a dificuldade de reanimar a economia. Para a indústria de transformação, a mais importante para o crescimento, esse índice era de 10,1% em 1996 e 10,5% em 2002, e isto depois do estúpido aumento de importações durante o governo Fernando Henrique, quando elas foram de US$ 168,51 bilhões (1987-1994) para US$ 428,59 bilhões (1995-2002).

No entanto, esses 22,2% para o total da indústria ainda expressa mal a penetração das importações.

Por exemplo, no setor de máquinas e equipamentos a penetração das importações atingiu 41,4% (em 2007 essa penetração era 29,9%). No setor de “informática, eletrônicos e ópticos”, a penetração das importações está em 52% (2007: 44%), com os “componentes eletrônicos” chegando a 83,8%.

O gerente-executivo da CNI, Flávio Castelo Branco, declarou que “esses números mostram que a indústria manufatureira está se transformando em importadora. Se nada for feito (…), o quadro deve se agravar, com o crescimento da economia sendo limitado pelo baixo desempenho da indústria”.

Exatamente, mas por que a indústria está se transformando em importadora? Porque isso é inevitável quando o principal setor da indústria não é nacional, isto é, quando as multinacionais dominam a economia do país. As filiais de multinacionais, já se sabe há muito, são importadoras – elas importam, segundo um acurado trabalho, em média 290% a mais que as empresas nacionais (cf. Fernanda De Negri, “Desempenho Comercial das Empresas Estrangeiras no Brasil na Década de 90”, pág. 60).

Além disso, essas filiais são um freio ao aumento do investimento. Para que vão investir substancialmente, quando o seu negócio é a montagem de produtos a partir de insumos e componentes importados? Ainda mais quando suas matrizes estão em crise. Daí, também, o peso cada vez menor da indústria no conjunto da economia.

Vejamos a trajetória do “coeficiente de insumos importados”, ou seja, a penetração das importações exclusivamente no consumo industrial. A CNI ainda não forneceu os números do primeiro trimestre deste ano, mas temos a série histórica, que vai de 1997 até 2011:

1)   Indústria química: de 23,2% (1997) para 44,1% (2011).

2)   Máquinas e equipamentos: de 12% (1997) para 21,4% (2011).

3)   Informática, eletrônicos e ópticos: de 47,6% (1997) para 76,7% (2011).

4)   Metalurgia: de 23% (1997) para 46,4% (2011).

5)   Indústria de medicamentos: de 29,6% (1997) para 44,4% (2011).

De 1997 a 2011, entraram no país US$ 431,19 bilhões em “investimento direto estrangeiro” (IDE), fundamentalmente para comprar empresas nacionais, que foram convertidas em subsidiárias ou filiais de multinacionais. De 1995 a 2002, foram desnacionalizadas 1.532 empresas; outras 1.000 foram desnacionalizadas de 2004 até o primeiro trimestre deste ano (dados da consultoria KPMG).

Essa desnacionalização explica o salto espetacular nas importações de insumos e bens intermediários, isto é, componentes, sobretudo para as filiais de multinacionais. O resultado é que cada vez temos menos indústria nacional e mais montadoras que usam componentes importados – quando não importam o produto final.

Essa invasão de importações “pode desestruturar cadeias produtivas inteiras instaladas no país, dentre elas as mais representativas das etapas superiores da evolução industrial (…) e retirar o poder de encadeamento que a indústria tem sobre outros ramos da própria indústria e sobre outros setores econômicos, reduzir o potencial de crescimento da economia” (IEDI, “Por trás dos coeficientes de comércio exterior da indústria brasileira”, 14/05/2012).

Essa avaliação é otimista. Uma parte – e não pequena – dessas cadeias produtivas já foi desestruturada, redundando na perda de dinamismo da indústria, e, por consequência, da economia. Esse é o problema. Nenhum país pode se desenvolver se a parte principal de sua indústria pertence a outros países, com sua dinâmica determinada pelos interesses das matrizes, não pelo interesse do país.

CARLOS LOPES 

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.058

 
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