Você está em: Home >> Notícias >> Mantega declara que 2,7% é “um piso mais do que bom” para o PIB
 
- Procurar Notícias  
 
 
 
25/05/2012 | Mantega declara que 2,7% é “um piso mais do que bom” para o PIB

 Ministro reduziu, de novo, previsão para este ano

Disse o ministro Mantega, terça-feira, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE): “em 2012, a maioria dos países terá um taxa de crescimento menor que a apresentada no passado. Felizmente, o Brasil figura entre aqueles que terão crescimento maior esse ano, pois criamos as condições para isso”.

Pois é, leitor, em 2011 o crescimento do Brasil (2,7%) foi pífio, abaixo da média dos demais “países emergentes” (38 países) e dos “países em desenvolvimento” (112 países), que cresceram, em média, 6,2% - e o dado é do FMI, insuspeito de favorecer os pobres. No setor decisivo para o desenvolvimento, a indústria, a produção aqui cresceu 0,3% - o que, para todos os efeitos práticos, é a mesma coisa que zero.

Então, o que significa dizer que  “o Brasil terá crescimento maior esse ano”? Que mérito pode haver - sobretudo quando, em 2010, crescemos 7,5% e a produção industrial cresceu 10,5% - num crescimento “maior” que esse desastre? Ou quer dizer que não precisamos mais baixar os juros básicos, que ainda estão numa taxa real de 3,4%, enquanto o patamar internacional está em -0,5% (menos 0,5%)?

Porém, diz o sr. Mantega: “criamos as condições para isso”. Para quê? Para derrubar o crescimento de 7,5% para 2,7%? Para enviar, com juros e câmbio, a indústria para uma geladeira de necrotério?

Pois, a derrubada foi uma façanha: “no ano passado (…) achamos que o crédito estava exagerado, eu chamei todos os banqueiros e falei: vocês não acham que está crescendo muito este crédito? Estava crescendo 30%. Então, falei, vamos crescer menos o crédito. Nós fomos muito prudentes. O governo é muito responsável aqui no Brasil. Tanto que nós desaceleramos a economia no ano passado. Podíamos ter deixado. Se tivéssemos deixado, a economia ia crescer mais que 2,7%” (grifo nosso).

Mantega não deveria atribuir ao governo a sua pusilanimidade e incompetência. No dia em que prudência e responsabilidade for afundar uma  economia que crescia pujantemente - de um jeito que até agora ela não se reanimou, apesar de todas as mezinhas, elixires e emplastros - o Tiaguinho vai ser cantor, talvez até de samba. Como isso está mais longe que o dia do juízo, diz Mantega que “ter um piso de 2,7% está é muito bom”.

Piso?? Mas esse foi o teto de 2011. Quer dizer que o bom é não crescer para, no ano seguinte, dizer que “o crescimento este ano vai ser maior”?

O que isso mostra é que Mantega continua - contra a orientação da presidente - insistindo em impedir a economia de crescer, mesmo quando ela está afundada. O motivo é claro, quando diz: “eu gosto de investimento direto [estrangeiro], que vem aqui para produzir” (sic).

Desde que Mantega, em 2006, assumiu o Ministério da Fazenda, com o favorecimento ao “investimento direto estrangeiro” (IDE), entraram no país US$ 254,52 bilhões em IDE – antes de tudo, para comprar empresas nacionais. De março de 2006 a março de 2012, o estoque de IDE – o montante da propriedade estrangeira de empresas dentro do país – foi de US$ 198,30 bilhões para US$ 709,56 bilhões.

Como esses números estão sujeitos às turbulências do câmbio, vejamos o Censo de Capitais Estrangeiros (ano base: 2010), comparado aos Censos anteriores (excluídos os “empréstimos intercompanhias” - só o IDE no capital das empresas está incluído).

O estoque de IDE dentro do país passou de US$ 41,70 bilhões (1995), para US$ 103,15 bilhões (2000), para US$ 162,81 bilhões (2005) e para US$ 579,63 bilhões em2010.

Em suma, a propriedade estrangeira de empresas dentro do país foi multiplicada por 3,5 entre 2005 e 2010; por 5,6 entre 2000 e 2010; e por 14 entre 1995 e 2010.

Em dólares, o salto maior foi entre 2005 e 2010, devido à política do sr. Mantega, de que o “investimento direto estrangeiro” iria desenvolver o país, o que não se distingue em nada dos tucanos, com sua falta de confiança em nossa capacidade, com seu desprezo metido a besta pelo país e seu povo.

Ainda bem que o presidente Lula não deixou o barco correr. Caso contrário, o país teria descido os infernos, ao invés de sair da crise em 2010.

Resumidamente: houve um processo de desnacionalização em massa de empresas, e, portanto, da economia, só comparável ao mesmo processo no governo Fernando Henrique.

No entanto, para crescer, de nada nos adiantou essa catadupa de dinheiro e propriedade estrangeira – tivemos, apesar da resistência do sr. Mantega, de recorrer ao investimento público, ao financiamento público e aos gastos públicos, inclusive para puxar os investimentos privados.

O problema, naturalmente, não é que não possa haver capital estrangeiro dentro do país. Mas quando as filiais de multinacionais se tornam o principal setor, temos uma economia bloqueada por elas. Essa é, precisamente, a dificuldade do momento, pois as multinacionais não vêm para cá “produzir”, como diz o sr. Mantega, vêm comprar nossas empresas para ganhar e remeter lucros – instalando, às custas das empresas que compram, montadoras que importam insumos, componentes, bens intermediários a rodo.

Por isso, essas filiais de multinacionais investem muito pouco no país, empregam muito pouco e estão submetidas a uma economia que não é a nossa – mais ainda quando a matriz está em crise.

A essa altura dos acontecimentos, a economia estagnada por essa política de favorecimento ao IDE, à desnacionalização e às multinacionais, contra as empresas nacionais, o sr. Mantega declara que “eu gosto de investimento direto, que vem aqui para produzir”.

Daí, portanto, a sua propensão para segurar o crescimento – pois o crescimento sustentável só pode ser baseado na empresa nacional, privada ou estatal, que acumula dentro do país, que tem sua dinâmica determinada pela dinâmica do próprio país. A política de Mantega é, portanto, meramente a racionalização do efeito estagnante que a invasão das multinacionais causa na economia.

O último indicador econômico divulgado foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br): nos últimos três meses, a economia caiu -0,35% (março/fevereiro), -0,38% (fevereiro/janeiro) e -0,13% (janeiro/dezembro). O IBC-Br é uma prévia do PIB.

O peculiar em Mantega é a notável falta de simancol. Disse ele que “não acredita” que o BC irá vender dólares para impedir que sua cotação suba – transação que beneficia as importadoras multinacionais, por baratear suas importações via artifício cambial, e prejudica os empresários nacionais, que estão tendo um alívio depois de anos submetidos a um câmbio criminoso que, exatamente, subsidia importações, tirando deles o mercado de seu próprio país.

Pois foi exatamente o que o BC passou a fazer a partir do dia 18. Mas, diz Mantega, não foi isso, foi “swap”, e “swap é diferente” (sic). Não se sabe aonde. O “swap cambial” é uma venda de dólares no mercado futuro para influenciar, ou seja, baixar a cotação no momento presente.

Mantega mostrou no Senado um gráfico, com os investimentos do PAC – R$ 11,3 bilhões até abril. Provavelmente, sua conta inclui recursos não-orçamentários (tenhamos boa vontade, não vamos pressupor que é mentira). Mas ele esqueceu de especificar os recursos orçamentários.

Segundo o Tesouro Nacional, até o dia 22 de maio foram liberados 1,56% dos recursos orçamentários do PAC e 2,6% do total de recursos do Orçamento destinados a investimentos. No mesmo período, 43,66% dos recursos orçamentários destinados a “juros e encargos da dívida” já haviam sido liberados, isto é, pagos (cf. LOA 2012 -Execução Orçamentária, 24/05/2012).

Provavelmente inspirado por tais números, Mantega disse aos senadores que “aumentar os investimentos públicos é um desafio, porque eles servem de indutores para os investimentos privados”.

Não entendemos porque é um desafio - talvez ele só goste de pagar juros... No entanto, para quem afirmava, em janeiro de 2011, que os investimentos públicos eram obstáculo aos investimentos privados, ele levou apenas um ano e cinco meses para descobrir o que já se sabia há uns 80 anos.

CARLOS LOPES

 

 
Últimas Notícias
 
27/11/2017   -- A vice-presidente do PPL/RS recebe homenagem da ALRS alusiva à Semana da Consciência Negra
22/11/2017   -- PPL inicia campanha à presidência: “Chega de roubalheira e recessão!”
06/10/2017   -- PPL-RS: NÃO à adesão do RS ao plano do governo federal de arrocho dos estados
06/10/2017   -- RS: Sartori anuncia venda de 49% do estatal Banrisul
06/10/2017   -- Presidente ladrão diz que imoral é o procurador que o pegou pelo pé
 

 
Voltar


 Comente
 
COMENTÁRIOS:
06.10.2017
 Presidente ladrão diz que imoral é o procurador que o pegou pelo pé.
06.10.2017
 RS: Sartori anuncia venda de 49% do estatal Banrisul.
03.07.2017
 Trabalhistas históricos fortalecem o PPL.
29.06.2017
 João Vicente Goulart se filiará ao PPL.
14.06.2017
 O manual da canalhice - ou como Temer escapou no TSE.
14.06.2017
 Trabalhadores nas ruas dizem “Não” às ‘reformas’ de Temer .
14.06.2017
 Boletim do BC reduz a 0,41% previsão para o PIB este ano.
14.06.2017
 Lucro das operadoras de saúde aumentou 70% em 2016, diz ANS.
14.06.2017
 Fux: os fatos são gravíssimos .
14.06.2017
 Gilmar defende impunidade para PMDB, PT e PSDB.
14.06.2017
 TSE livra chapa Dilma-Temer e vota pela ditadura da propina.
14.06.2017
 A luta pelo Brasil em um novo partido.
22.05.2017
 Resolução Diretório Estadual Partido Pátria Livre RS.
18.05.2017
 Parente corta investimentos e privatiza Campo do Azulão.
[+ Notícias]

Correio Eletrônico: pplrs@pplrs.org.br