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25/05/2012 | Citricultores brasileiros se tornaram reféns do cartel das multinacionais

 Três empresas controlam todo o mercado. “Com o poder que adquiriram, impõe preços a produtores e verticalizam a produção”, denuncia Flávio Viegas

O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio de Carvalho Pinto Viegas, denunciou a verticalização da produção e imposição de preços abaixo de custo aos produtores de laranja brasileiros. Segundo ele, a monopolização da produção de suco de laranja pelas multinacionais estrangula o produtor.

Viegas afirmou que três multinacionais controlam todo o mercado brasileiro, Citrosuco (Grupo Fischer), Cutrale e Dreyfus, e também o mundial. Além de estarem associadas com as grandes engarrafadoras de sucos (por ex., Coca-Cola).

“Com o poder que adquiriram, estão excluindo as concorrentes, impondo preços aos produtores e verticalizando a produção”, denunciou Flávio, em sua palestra no 23º Fórum de Debates Brasilianas.org. Ele apontou que a cadeia produtiva da citricultura no país, gera em torno de 2 a 3 bilhões de dólares por ano.

Líder em exportação de suco de laranja, os produtores rurais brasileiros sofrem com concentração no setor, que provoca imposição de contratos unilaterais, pagamento de preços abaixo de custo e tem feito com que a laranja seja substituído por outros insumos agrícolas, principalmente no norte do estado de São Paulo, tradicional região citrícola.

O presidente da Associtrus detalhou a ação das múltis que “subfaturam o suco, transferindo-o para suas subsidiárias no exterior abaixo do custo de produção”.

Viegas exemplificou o caso da Frutestp, uma empresa de cooperados. No começo dos anos 90, as indústrias de suco se uniram para atacar e inviabilizar a Frutesp, provocando uma mudança importante no setor: a indústria, que não tinha produção própria de frutas, hoje tem mais de 50%. “O setor citrícola de São Paulo é de tal forma concentrado que 47% do parque citrícola está em apenas 120 propriedades. Tínhamos cerca de 130 mil citricultores, hoje são cerca de 8 mil, com tendência de redução”, ressaltou Flávio.

Alguns efeitos sentidos por esta concentração e verticalização no ramo são a erradicação de mais de 350 mil hectares dedicados aos pomares de laranja, hoje substituídos pela cana-de-açúcar, e redução de empregos gerados, antes uma estimativa de 400 mil e hoje de 230 mil.

Flávio Viegas também pontuou que os produtores tem uma tensa relação com os monopólios. “Impõem contratos unilaterais, com as condições que querem, não remuneram por qualidade. Há constantes quebras de contrato: se o contrato é interessante para a indústria, ela te obriga a fornecer até as últimas caixas, e se deixa de ser interessante eles dão um jeito de dizer que não podem pagar o preço, e pressionam o produtor a rever o contrato ou a sofrer penalidades”.

O Brasil é o primeiro no ranking das exportações de suco laranja, com uma fatia de 60% do mercado mundial. Os Estados Unidos aparecem na segundo posição, com 29%. A diferença é que a produção norte-americana, concentrada basicamente no estado da Flórida, é voltada para abastecer o mercado interno.

O preço imposto pelas indústrias provoca uma distorção entre o quanto recebe um produtor brasileiro e o quanto recebe o produtor na Flórida. As companhias que comercializam suco exigem R$ 8,00 por caixa, que geralmente tem custo de R$ 18,00. Nos Estados Unidos, a mesma caixa custa US$ 14, e os produtores nacionais pedem US$10. “Achamos perfeitamente razoável ter uma diferença de 2 ou 3 doláres entre a remuneração de lá e aqui, mas a indústria quer pagar 20% ou 30% do que pagam na Flórida”. Segundo Flávio, essa prática da indústria tem o objetivo de evitar um conflito no estado norte-americano. “Nós subsidiamos a citricultura na Flórida”.

Há, também, um desco-lamento entre o preço da matéria-prima e o preço final ao consumidor. “Antes de 94/95, os preços vinham colados, se subia na bolsa subia o preço para o consumidor. A partir de 95/96 há um descolamento, com queda do preço da matéria-prima e aumento do preço ao consumidor final”. Este aumento também explica a retração do mercado nos EUA.

Flávio aponta o problema do subfaturamento. Um levantamento feito pela Associtrus mostrou que existe uma diferença de US$ 750 milhões entre o valor de registro do produto aqui no Brasil e o valor no mercado internacional.

Segundo Viegas, é necessária uma maior organização dos produtores: “esperamos que organizando melhor este setor, a gente possa ganhar alguma coisa”. Além disso, Flávio contou que tem feito inúmeras tentativas de sensibilizar diversas autoridades para o problema, mas que vê uma falta de interesse para combater a cartelização do setor.

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.059

 
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