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25/05/2012 | Espanhóis em greve ocupam ruas contra corte de 3 bi na Educação

 Novo corte de 3 bilhões de euros deve desempregar 80 mil professores. Centenas de milhares nas marchas encabeçadas pelas Centrais Sindicais CCOO e UGT. Atos foram apoiados pelo Partido Esquerda Unida

Em apoio à greve geral de todos os níveis da educação pública, que incluiu creches, escolas de primeiro e segundo grau, cursinhos pré-vestibulares e universidades, centenas de milhares de pessoas saíram em manifestações de repúdio aos inaceitáveis cortes impostos pelo governo do presidente espanhol, Mariano Rajoy, além de exigir a demissão do ministro de Educação, Cultura e Esporte, Ignacio Wert.

Um milhão de funcionários, a maioria professores, e 7,5 milhões de estudantes foram convocados para a greve. Segundo os sindicatos da categoria, 80% dos convocados aderiram à paralisação.

As maiores manifestações ocorreram em Madri, Sevilha, Valência e Barcelona, cidade onde mais de 200 mil pessoas ocuparam as ruas.

Rajoy afrontou a população para se curvar às exigências do FMI, do Banco Central Europeu e a União Européia. Seu governo aprovou um corte adicional na Saúde e na Educação, que acrescenta 10 bilhões de euros à já insuportável facada inicial de 10 bilhões acertada em abril último. Contra a educação, o corte adicional é de 3 bilhões de euros que terá que ser assumido pelas comunidades autônomas que administram essa área. Em nível nacional, o gasto previsto pelo Ministério da Educação é de 3,7 bilhões de euros, cifra três vezes menor que a soma que o governo entregará para o falido Bankia, a quarta entidade financeira do país. "Esse antro de papéis podres, resultado de anos de especulação, já recebeu 4,5 bilhões de euros e ainda tem prometidos entre 7 e 7,5 bilhões mais para cobrir o rombo", disse Juan Manoel Rubio, professor de segundo grau de Barcelona e diretor da regional da União Geral de Trabalhadores (UGT), acrescentando que "esses números foram reconhecidos pelo próprio ministro de Economia espanhol, Luis De Guindos".

O aumento das matrículas universitárias para o próximo curso será de 66%. "Essas medidas suporão uma muito clara deterioração do ensino e o desemprego de 80.000 professores no próximo ano letivo", afirmou o secretário geral da Federação do Ensino da central CCOO (Comissões Obreiras), José Campos. O governo de direita defende o aumento de 20% dos alunos por turma, maior carga horária para os docentes, diminuição do tempo para preparar as aulas, e a supressão de programas.

Os estudantes universitários ocuparam as faculdades e acompanharam as manifestações com atos, como o bloqueio de estradas e avenidas de grande tráfego em Barcelona e Madri.

As mobilizações em defesa da educação foram as que deram início às grandes passeatas e ocupações das cidades espanholas pelos indignados nos últimos meses. São chamadas de "maré verde" pela cor das camisetas.

Em Madri, a mobilização ocupou o Congresso, onde o representante da frente Esquerda Unida (IU), Gaspar Llamazares e outros deputados da oposição rechaçaram os cortes, numa sessão em que se debateram os orçamentos gerais.

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.059

 
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