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25/05/2012 | Syriza: “Manter arrocho da Troika é que faria a Grécia sair do euro”

 O líder da Coalizão Syriza,Tsipras, desmascara boatos sobre saída da Grécia do euro e afirma que “nossa possível vitória é que será a grande chance de salvarmos o euro e estabilizar a Europa”

“Nossa eleição não significa que vamos sair do euro. Eu não acre-
dito que a rejeição do programa de austeridade signifique a saída da Grécia da zona do euro”, afirmou o líder da Coalizão de Esquerda Radical (Syriza), Alexis Tsipras, em sua visita à Alemanha na terça-feira (22) para apresentar o programa de salvação do país de cinco pontos.

Favorito para as eleições do dia 17 de junho, o Syriza em um mês saiu da condição de partido com menos de 5% da votação, para o de segundo colocado no pleito de 6 de maio e, em seguida, favorito nas pesquisas para encabeçar novo governo, por ter proposto revogação imediata do arrocho da Troika (FMI/BCE/EU). Tsipras fez questão de esclarecer o tema, para fazer frente à avalanche de chantagens e boatos sobre a “iminente saída da zona do euro” se o país não se dobrar ao arrocho.

“A austeridade evidentemente fracassou porque a sociedade grega tem sido destruída, a base produtiva tem sido dissolvida. Nosso país tem estado em profunda recessão pelo quinto ano consecutivo, isto nunca aconteceu na Europa em tempo de paz”, advertiu o líder grego.

“Se Syriza vencer a eleição de 17 de junho, isso não significará que nós deixaremos o euro, ao contrário oferece uma grande chance de que nós salvemos o euro”, afiançou Tsipras. “Se a austeridade continuar, a Grécia precisará de um terceiro resgate em poucos meses, e uma reestruturação posterior da dívida, e isso poderia forçar uma volta à moeda nacional”, assinalou. Ele declarou ainda que seu partido está preparado para a contingência da volta do dracma, mas que fará de tudo para manter a Grécia na moeda comum. Não partirá da Grécia um “ato unilateral”.

SEM FEUDO

Tsipras não deixou qualquer dúvida de que se a Syriza vencer em junho, a Grécia defenderá seus direitos. “A zona do euro não tem proprietários ou senhorios, não somos inquilinos na zona do euro, somos parceiros em igualdade e ninguém deve assumir o papel de proprietários”, disse ele, em aberta referência às ameaças de Berlim sobre o que acontecerá se os gregos derrubarem a austeridade. “O Tratado diz que nenhum país pode ser expelido da união monetária”, destacou.

O dirigente grego advertiu que é a insistência na austeridade que está levando o velho continente à crise aberta. “Todos nós temos o dever de evitar uma catástrofe”, ele disse. “A possibilidade de dissolução da zona do euro não é uma tempestade temporária, seria um desenvolvimento histórico muito negativo para o mundo inteiro”.

Continuando, ele afirmou que “estamos propondo um caminho para salvar o euro. Nossa possível vitória na eleição oferece a perspectiva de estabilizar a Europa, não de causar mais instabilidade como temido”. Afinal, foram os seguidos pacotes de arrocho que lançaram um país após o outro na senda da recessão e do recrudescimento do desemprego. Assim, é preciso tirar a Europa desse rumo equivocado. “Só há um caminho para a Europa – implementar nossa estratégia”, reiterou.

Tsipras acrescentou que “a sra. Merkel disse recentemente – e eu concordo com ela – que se um país deixar a zona do euro, no dia seguinte os mercados financeiros vão procurar outros países para expulsar. E há países com déficits muito maiores que a Grécia, como a Itália, com 2 trilhões de euros em dívidas”.

CHOQUE

O dirigente grego tem esclarecido que a Grécia se encontra sob um experimento de choque neoliberal, com seu povo feito de cobaia, e que se não for derrotado, será estendido a mais e mais países europeus, em prol de banqueiros e especuladores. Ele manifestou seu otimismo sobre a recente vitória de François Hollande na França, com sua proposta de rever a austeridade e estimular o crescimento e a criação de empregos. “Certamente nós temos grandes esperanças e expectativas em relação à ruptura do eixo franco-alemão que se seguiu à derrota de Nicolas Sarkozy na eleição francesa”.

Tsipras assinalou que o dinheiro dos contribuintes alemães tem sido jogado num “buraco sem fundo”, porque os banqueiros ficam “com a maior parte” e o povo grego “não vê qualquer benefício”, enquanto a devastação se agrava. “Se nós tivéssemos tido um programa de resgate diferente desde o início, que não fosse baseado na estrita austeridade mas no crescimento e na criação de empregos, os gregos poderiam se reerguer e pagar a dívida”.

Ele reafirmou a condenação ao programa de arrocho da Troika que foi repudiado nas urnas. “Se você está dando a um paciente um remédio que o está fazendo ficar pior, a solução não é aumentar a dosagem, mas parar de dar o remédio”. Finalizando, Tsipras salientou que “se o paciente não puder ser curado, a doença se espalhará por toda a Europa e nós temos a responsabilidade histórica de evitar isso”.  

ANTONIO PIMENTA

 

 

 
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