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01/06/2012 | Zona do euro: quebra do Bankia faz a Espanha subir no telhado

A quebra do Bankia foi o pretexto para juros dos títulos da dívida espanhola de 10 anos subirem a 6,7%, na quarta-feira (30), patamar que levou Grécia, Portugal e Irlanda a nocaute. Só que o PIB da Espanha é quatro vezes maior que o da Grécia

A quebra do Bankia – quarto maior banco espanhol -, que levou no dia 9 de maio à sua nacionalização parcial e no dia 25 de maio ao pedido de 19 bilhões de euros para ser mantido à tona, continua repercutindo na zona do euro e aumentando as pressões dos especuladores sobre a Espanha, a quarta maior economia da região.

Na quarta-feira (30) os juros sobre os títulos da dívida espanhola de 10 anos subiram para a insuportável marca de 6,7%, se aproximando perigosamente do patamar que levou Grécia, Portugal e Irlanda a nocaute. Com a diferença de que o PIB da Espanha é quatro vezes maior do que o da Grécia.

O Bankia resultou da fusão de sete caixas de poupança, abalroadas pelo estouro da bolha imobiliária no país, e foi pilotado, até o desastre, pelo ex-diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato. Com mais de 12 milhões de clientes, tem depósitos que correspondem a 10% do total do sistema bancário espanhol.

Tentativa fracassada de escapar de levantar junto aos especuladores a juros de escorcha os bilhões de euros necessários ao resgate, utilizando títulos da dívida para serem usados como garantia junto ao BCE, agravou o quadro e levou à demissão, com um mês de antecedência do final de mandato, do presidente do Banco de Espanha, o BC espanhol, sob argumento de que era preciso “recuperar a confiança”. Na seqüência, o euro despencou diante do dólar e bolsas desabaram na Europa e no mundo inteiro. Após o pedido dos 19 bilhões de euros, as ações do Bankia caíram 27%.

E o alcance da crise bancária na Espanha ainda não está completo. A arapuca de ‘classificação de risco’ Moody’s recentemente rebaixou as notas de 16 bancos espanhóis, inclusive a dos dois maiores, o Santander e o BBVA. Os bancos estão empanturrados de lixo tóxico e de imóveis que não têm como vender.

Com previsão de queda do PIB este ano de 1,7%, a Espanha sofreu cortes de 27 bilhões de euros em março para “redução do déficit”, seguidos de mais 10 bilhões em educação e saúde impostos às regiões autônomas, cuja situação financeira também é precária. O desemprego ultrapassou 24% da força ativa de trabalho, e entre os jovens um em cada dois está sem trabalho.

Com a situação cada dia mais insustentável, a Comissão Europeia anunciou algum alívio – desde que haja mais arrocho. Assim, acenou com o alargamento, por mais um ano, do prazo de fazer o déficit fiscal cair para 3% do PIB, na condição de que o governo promova mais ajustes, aumente o imposto sobre valor agregado e estenda a idade mínima para aposentadoria. A CE advertiu ainda que a dívida pública espanhola está saindo de controle “a uma velocidade aterradora”.

META DUVIDOSA

É duvidoso que o governo Rajoy cumpra a meta – aliás, renegociada – de reduzir este ano o déficit de 8,5% para 5,3%. Assim, na prática o país já se encontra sob um memorando do FMI, mas ainda sem assinar nada.

O arrocho tem conflagrado o país, que já viveu este ano uma greve geral e várias manifestações com centenas de milhares de pessoas. Ao serem anunciados os novos cortes nos gastos sociais, o secretário-geral da maior central sindical (CCOO), Ignácio Fernández Toxo, declarou que se tratava de “um crime contra a população espanhola que parece não ter limite. O Partido Popular [do primeiro-ministro Rajoy] perdeu qualquer laço que pudesse ainda manter com o nosso país”.

Antonio Pimenta

 

 
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