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Créditos:Ueslei Marcelino/Reuters
06/06/2012 | 0,2%: PIB beija a lona e Mantega comemora o superávit primário

Se Dilma não abrir o olho, o derrubador do PIB seguirá com as medidas recessivas

PIB: Mantega diz que economia “nem acelera nem desacelera”   

PIB do primeiro trimestre de 2012 cresceu 0,2%

A declaração do ministro Mantega, segundo o qual o crescimento da economia só não foi maior no primeiro trimestre porque a agricultura teve desempenho fraco, equivale a dizer que o crescimento só não foi maior porque foi menor.

O ministro não recorre a esse horrendo truísmo por mera estupidez, mas por enrolação – Mantega sabe, e até citou, que a participação da agricultura no Produto Interno Bruto (PIB) é apenas 5%. Portanto, mesmo com a quebra nas safras da soja (-11,4% sobre o primeiro trimestre de 2011), arroz (-13,8%) e fumo (-15,9%), não foi a agricultura que levou ao desastre no crescimento do PIB.

Esse resultado, ínfimos 0,2% (sobre o trimestre anterior), é devido à política de Mantega de segurar o crescimento quase a qualquer custo e de desnacionalizar em massa as empresas brasileiras. É dessa responsabilidade que ele está fugindo.

Não há questão em que Mantega tenha gasto tanto latim quanto a do investimento. Segundo disse, era preciso cortar os gastos de custeio (ou seja, de consumo) do governo e “atrair” o capital estrangeiro (o notório “investimento direto estrangeiro” - IDE – que há muito se resume a comprar empresas nacionais) para aumentar o investimento (FBCF – “formação bruta de capital fixo”: os gastos das empresas com máquinas, equipamentos e instalações) e a taxa de investimento (a FBCF em termos do PIB).

O investimento caiu -1,8% no primeiro trimestre sobre o trimestre anterior e caiu -2,1% em relação ao mesmo período do ano passado; nos últimos seis meses, o crescimento do investimento foi zero (cf. IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, 1º tri/2012, págs. 10 e 12).

Quanto à taxa de investimento (FBCF/PIB), Mantega alardeou que chegaríamos a 2014 com 25%. Até agora ela caiu de 19,5% (2010) para 19,3% (2011) e, no primeiro trimestre, para 18,7% do PIB.

Trata-se de uma consequência direta da desnacionalização – as multinacionais, que são monopólios estrangeiros, ao comprar empresas nacionais, paralisam a expansão dos investimentos, que seriam, claro, uma redução nas remessas de lucros das filiais para as matrizes –, do corte de gastos públicos, que são um dos principais estímulos ao investimento, e, ainda, dos próprios investimentos públicos (os investimentos do PAC, exceto os do “Minha Casa, Minha Vida”, caíram no primeiro trimestre, enquanto o BNDES se dedica a bancar multinacionais e candidatos internos a monopólio).

Há muita conversa sobre um suposto esgotamento do papel do consumo no estímulo ao crescimento e ao investimento. Na verdade, o que houve foi uma queda no crescimento do consumo (de 6% no primeiro trimestre de 2011 para 2,5% no primeiro trimestre deste ano – cf. IBGE, loc. cit, pág. 13).

Assim, realmente, é difícil que o consumo exerça o mesmo papel que durante o governo Lula. Mas não é porque o consumo se esgotou, e, sim, porque seguraram o consumo, seja pelo aperto no crédito, ou, principalmente, pela contenção dos aumentos reais de salário.

Mantega declarou que o resultado do PIB demonstrou que não houve “nem aceleração nem desaceleração da economia”. Pensamentos profundos à parte, o que o ministro procura esconder são os resultados medíocres desde janeiro de 2011. Sucintamente, na comparação com o trimestre anterior:

- 1º trim./2011: 0,9%;

- 2º trim./2011: 0,5%;

- 3º trim./2011: -0,1%;

- 4º trim./2011: 0,2%;

- 1º trim./2012: 0,2%.

(cf. IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, 1º tri/2012, pág. 30).

No entanto, mesmo diante desses números, o sr. Mantega comemorou o “superávit primário” do governo central - que superou a meta do quadrimestre em 57,9% (!!!) - e declarou que “o governo não tem necessidade de afrouxar a meta fiscal para estimular a economia... o Brasil dá segurança para os investidores porque a nossa situação fiscal é sólida”.

O governo central (Tesouro + Banco Central + Previdência) desviou para juros R$ 44,2 bilhões das verbas públicas, de janeiro a abril. A meta do Orçamento era R$ 28 bilhões.

Notemos que R$ 44,2 bilhões é mais do que o governo gastou, no mesmo período, em custeio + investimento de nove Ministérios: Saúde, Educação, Desenvolvimento Social, Defesa, Ciência & Tecnologia, Desenvolvimento Agrário, Previdência, Transportes e Cidades. Com o investimento e custeio desses nove Ministérios, o governo dispendeu, de janeiro a abril, R$ 43,8 bilhões (cf. STN, Resultado do Tesouro Nacional – Abril 2012, Despesas do Tesouro Nacional, p. 5).

Mas o “superávit primário”, o desvio de verbas para juros, consumiu R$ 44,2 bilhões.

Evidentemente, isso teve – e tem – um efeito tremendamente recessivo sobre a economia: em suma, um sequestro brutal do investimento e das despesas públicas de consumo pelos bancos. Mas o sr. Mantega acha que o importante é “dar segurança para os investidores” (isto é, para os bancos) que “nossa situação fiscal é sólida” (ou seja, que continuaremos a dar dinheiro público, sob a forma de juros, eternamente).

O sr. Mantega também sabe o estrago que as importações estão fazendo em nossa economia. Como ele diz, “as importações, os bens e serviços importados, levaram para fora uma parte do nosso crescimento. Isso é cerca de 30% do crescimento do trimestre” (sic). Portanto, se não tomou providências efetivas (pois isso está acontecendo há muito tempo), se não foi além das encenações costumeiras, foi porque não quis – e não quis porque não teve coragem ou porque não corresponde a seus interesses.

Porém, é uma piada que ele comemore o grande sucesso da indústria, que cresceu 1,7% no trimestre em valor. Ele omitiu que esse resultado foi em cima de três quedas sucessivas na mesma comparação com o trimestre anterior: -0,5% no 4º trimestre de 2011, -0,8% no 3º trimestre de 2011 e -0,4% no 2º trimestre de 2011 (cf. IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, 1º tri/2012, loc. cit.).

Só assim, por uma comparação com o fundo de um poço, a indústria pôde crescer 1,7% em valor, ao mesmo tempo que sua produção física caiu -2,8% desde o início do ano (cf. IBGE, Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física, abril 2012, págs. 6 e 11).

Diz o sr. Mantega que “nós estamos diante de uma desaceleração de quase todos os países.  E o mais importante: uma desaceleração das economias chinesa e indiana e dos demais BRICs”.

O próprio IBGE se encarregou de mostrar que a “desaceleração” da China no primeiro trimestre, sobre o mesmo período do ano passado, foi de 9% para 8,1%, e, a da Índia, de 6% para 5,3% - antes tivéssemos no Brasil tais desacelerações!

Entretanto, não é o mais grave: nessa comparação com os demais Brics, ficamos em último lugar, depois da China (+8,1%), da Índia (+5,3%), da Rússia (+4,9%) e da África do Sul (+2,8%).

A conclusão do sr. Mantega: “esse primeiro semestre ficou para trás”. Como medidas, desonerações de impostos, desonerações e desonerações – em 2011, já tinham chegado, segundo o TCU, a R$ 187 bilhões (e mais R$ 128,7 bilhões de superávit primário). Reduzir o poder do Estado de estimular o crescimento é a única política de Mantega para estimular o crescimento.

CARLOS LOPES

 

 
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