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08/06/2012 | Produção industrial despenca no RJ (-2,9%), SP (-0,4%) e MG (-0,1%)

Nem Rio consegue compensar desaceleração que atingiu 12 dos 14 estados pesquisados em abril

O resultado pífio da produção industrial no primeiro trimestre, após o fiasco de 2011, é reveladora sobre a desastrosa política econômica do ministro da Fazenda, Guido Mantega, isto é, de desaceleração econômica e atração de investimento direto estrangeiro (IDE) para cobrir o rombo das contas externas. Em abril, em relação a março, a atividade industrial registrou um recuo de 0,2%, com ajuste sazonal, com queda em 12 das 14 regiões pesquisadas pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo os três estados que produzem mais de 50% do PIB do país: São Paulo, que responde por 32,6% da atividade industrial, teve retração de 0,4%; Rio de Janeiro, com 10,8% da produção fabril, houve queda de 2,9%; e Minas Gerais, com 9,0% da produção, recuo de 0,1%.

Como constatou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), São Paulo – responsável por um terço da produção e que, portanto, puxa os resultados tanto para o crescimento, quanto para a queda – e Minas Gerais já vinham apresentando fraco desempenho, o que era compensado, em parte, pela atividade industrial no Estado do Rio de Janeiro. Em março, por exemplo, ante fevereiro, enquanto a indústria paulista recuou 0,3% e a mineira, 0,7%, a indústria fluminense apresentou variação positiva (2,5%). Agora, sucumbiu com as demais. Paraná e Goiás, que nesse período tiveram crescimento de 9,8% e 6,7%, respectivamente, despencaram em abril para um resultado negativo: -7,0% e -7,6%, nessa ordem.

Em relação a abril do ano passado, a produção industrial de São Paulo caiu 3,8%. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o recuo foi de 5,1%.

Em Minas Gerais, na comparação abril de 2012 com abril de 2011, a atividade industrial teve queda de 0,7%. No acumulado do primeiro quadrimestre, caiu 1,4%.

O fato de que essa política já tenha levado ao fracasso em 2011, com um ridículo PIB de 2,7%, parece que não serviu de lição à equipe econômica. Os resultados da produção industrial e do PIB (0,2% sobre o trimestre anterior) se encarregaram de desmoralizar as bravatas do titular da Fazenda para o crescimento deste ano. Todas as projeções são as de a variação do PIB ficará novamente abaixo de 3%, o que é muito pouco, principalmente porque no ano passado já foi registrado um desastre. “A expansão de 0,2% da economia no primeiro trimestre foi menor do que o esperado. Desse modo, embora o ritmo deva se intensificar nos próximos trimestres, é improvável que a previsão de crescimento de 3% em 2012 seja alcançada”, avaliou a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Como já foi registrado no HP, a redução da taxa básica de juros a conta-gotas – após cinco sucessivas altas da Selic – não foi capaz de estimular os investimentos, nem reverter o desequilíbrio do câmbio. Segundo o IBGE, a formação bruta de capital fixo (FBCF), o investimento, recuou 1,8% no primeiro trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior e caiu 2,1% ante o mesmo período do ano passado. Por seu lado, a taxa de investimento (FBCF/PIB) diminuiu de 19,5% (2010) para 19,3% (2011). No primeiro trimestre deste ano caiu para 18,7% do PIB.

Quando o dólar deu uma ligeira subida, situando-se um pouco a cima de R$ 2, o Banco Central agiu prontamente para forçar sua baixa, realizando operações de swap tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Ou seja, em vez de agir para livrar a indústria do sufoco, o BC fez o jogo dos bancos e também das multinacionais, uma vez que o câmbio sobrevalorizado é um verdadeiro subsídio às importações, atividade a qual se dedicam com desembaraço os monopólios estrangeiros.

Mas esse é um problema que passa ao largo do Ministério da Fazenda. Pelo contrário. Ao lado do “belo primário” – desvio de recursos do Orçamento para encher os cofres dos bancos -, os olhos de Mantega brilham quando se refere ao IDE, pois segundo ele, é um capital “que vem aqui para produzir”. Trata-se, evidentemente, de um sofisma. Primeiro, as multinacionais não vêm para cá “produzir” e sim para comprar as empresas nacionais (estatais ou privadas), obter superlucros e remetê-los para suas matrizes. Segundo, as multinacionais são importadoras de insumos, componentes, bens intermediários e, inclusive, de bens finais. Terceiro, como já foi constatado até pelo IPEA, órgão do governo, parte do IDE é desviado para especulação em renda fixa, sem nenhum controle por parte do Banco Central. E por último, por serem filiais de monopólios estrangeiros, seguem a lógica de suas matrizes: mínimo de investimento e máximo de remessas de lucros, pressão para rebaixamento da massa salarial, além de não hesitarem em demitir, mesmo quando recebem polpudos aportes do governo – vivem mamando nas tetas do BNDES -, como aconteceu em 2009 com as montadoras de veículos. Entre 2003 e 2011, as remessas totais para o exterior aumentaram 262,92%.

Portanto, sem um uma política industrial que impulsione a indústria genuinamente nacional, a economia brasileira vai continuar patinando. Em 2011 e início de 2012, a “política industrial” tem se resumido a desonerações, ou seja, na diminuição da capacidade do Estado em produzir e expandir o atendimento às necessidades básicas dos seus cidadãos. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), no ano passado as desonerações somaram R$ 187 bilhões. Some-se a isso o superávit primário de R$ 128,7 bilhões e chegaremos a volumosos recursos que faltaram aos investimentos.

No dia 31 de maio, em um mesmo decreto, o governo aumentou a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bebidas e reduziu o IPI de 27% para 17% do xarope concentrado, o principal insumo de refrigerantes. Os maiores produtores de extratos instalados no país são estrangeiros: o grupo belga AmBev (Guaraná Antarctica) e as norte-americanas Coca-Cola (Recofarma) e Pepsi.

A experiência já demonstrou que a política de jogar as fichas de nosso crescimento nas multinacionais se revelou uma verdadeira canoa furada. Insistir nisso é retroagir décadas. Não por acaso, a raiz da desindustrialização está exatamente na desnacionalização da economia. O que falta, então, é corrigir o rumo, direcionar os financiamentos do BNDES às empresas genuinamente nacionais e dar-lhes preferência nas compras governamentais.

VALDO ALBUQUERQUE

 

 

 
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