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14/06/2012 | Presidente da Fenaj defende que Policarpo Jr vá à CPMI: “não vamos proteger jornalistas criminosos”

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, afirmou que a revista Veja precisa explicar o que guiou sua vergonhosa prática jornalística depois que a Polícia Federal flagrou o envolvimento da publicação no esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. “A Fenaj não vai proteger jornalistas criminosos”, disse Schröder, referindo-se às cerca de 200 conversas telefônicas entre o diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e o esquema do contraventor.

“A Veja tem que dar explicações ao Brasil. É preciso explicar como ela exerce a atividade jornalística com essas veleidades, com descompromisso e irresponsabilidade em relação a princípios éticos e técnicos”, acrescentou, em entrevista ao portal Sul21.

Celso Schröder disse que Veja extrapolou os limites da atividade jornalística, ressaltando que a publicação não tratou Cachoeira como fonte. “O problema é um jornalista ou uma empresa jornalística atribuir a alguém uma dimensão de fonte única, negociando com ela o conteúdo e a dimensão da matéria e, principalmente, conduzindo a Veja para uma atuação de partido político”, observou.

Ele avaliou que, do ponto de vista jornalístico, Veja cometeu um pecado inaceitável: “estabelecer uma relação promíscua entre o jornalista e a fonte”. “Não é só um repórter, mas é a organização, a chefia da empresa, que conduz e encaminha uma atividade tecnicamente reprovável e eticamente inaceitável”, frisou.

Segundo o presidente da Fenaj, o comprometimento e o “alinhamento inescrupuloso” da revista a uma determinada visão de mundo, de forma que se deixava levar pelos interesses políticos de um empresário envolvido em atividades ilegais “conduz à ideia de que a Veja possa ter aberto mão de ser um veículo de comunicação para ser um instrumento político com financiamento deste campo”.

Schröder ressaltou que não há dúvida de que a Veja “praticou um mau jornalismo” e deve prestar contas, defendendo que pessoas ligadas à publicação envolvidas no esquema sejam convocados a depor na CPI do Cachoeira. “A CPI tem gravações de integrantes da revista com o bicheiro. Que eles sejam convocados, então”.

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.064

 
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