Você está em: Home >> Notícias >> Gurgel retardou por três anos denúncia contra José Arruda
 
- Procurar Notícias  
 
 
 
Créditos:Renato Araújo/ABr
04/07/2012 | Gurgel retardou por três anos denúncia contra José Arruda

 Engavetador de processos do Dem quer que ‘mensalão’ seja julgado rápido

Contra Demóstenes, que também era do Dem, ele igualmente engavetou o processo

 Depois de quase três anos guardado a sete chaves pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, o resultado das investigações feitas pela Polícia Federal na Operação “Caixa de Pandora”, finalmente foi enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre os denunciados pelo procurador estão o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (Dem), e o ex-vice-governador Paulo Octávio, além de secretários de governo, deputados distritais e membros do Tribunal de Contas do DF.

Apesar de evidências exuberantes - suficientes para incriminar os envolvidos no escândalo, como, por exemplo, a imagem do ex-governador José Roberto Arruda, gravada em um vídeo, recebendo maços de dinheiro, ou a deputada Eurides Brito enchendo a bolsa de dinheiro, - o Procurador justificou a longa demora em apresentar a denúncia porque, segundo ele, “não havia provas suficientes” para denunciar os envolvidos. As fortes imagens - que falavam por si mesmas, mostrando detalhes da corrupção - foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa.

Além de demorar para apresentar a denúncia, Roberto Gurgel chegou até a cogitar arquivar o processo contra os integrantes do Dem. Ele já tinha feito isso em relação a outro político ligado ao DEM, o senador Demóstenes, que foi flagrado em ações criminosas junto com a quadrilha de Carlos Cachoeira. Gurgel demorou o quanto pôde para denunciar Demóstenes. Só o fez depois que todos já sabiam detalhes da participação do senador goiano na quadrilha. A confidência de que ele pretendia arquivar tudo foi feita ao jornalista Fernando César Mesquita pouco antes da denúncia ser apresentada.

Porém o procurador-geral não é sempre lerdo assim. Fazendo coro com a mídia golpista e a oposição ele dá pilha para que o tal “mensalão” seja julgado logo, mesmo atropelando prazos e procedimentos. Assim, concordou que o tempo dedicado a ele para fazer a sustentação acusatória contra os 38 réus tenha sido reduzido: “Ressalto a conveniência da decisão, porque as defesas sabem desde sempre que terão uma hora para a sustentação. (O período de cinco horas) não é suficiente para fazer uma acusação detalhada sobre as implicações de cada réu, mas é um tempo bom para que a acusação possa esboçar-se de forma satisfatória”, disse o procurador.

Outras 37 pessoas foram acusadas e vão responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Arruda tentou se justificar dizendo que os recursos recebidos nos pacotes de dinheiro durante a campanha foram “regularmente registrados e contabilizados”. Suas desculpas não colaram e, em meio ao escândalo, ele deixou o Dem e acabou preso e cassado.

Apesar da demora de Gurgel, alguns outros personagens envolvidos no escândalo já tiveram condenações em outros processos. Eurides Brito, cassada por quebra de decoro parlamentar há dois anos, foi condenada a devolver aos cofres públicos R$ 620 mil após a Justiça ter considerado que este é o valor corresponde à propina que Eurides recebeu durante 31 meses para apoiar o governo de Arruda. Além da devolução da quantia acrescida de juros e atualização monetária, a Justiça determinou que Eurides pague multa de R$ 1,86 milhão e indenização por danos morais de R$ 1 milhão. A ex-deputada teve os direitos políticos suspensos por 10 anos.

Júnior Brunelli, que ficou conhecido por ter realizado a famosa “oração da propina”, terá de devolver R$ 400 mil aos cofres públicos, além de pagar multa de R$ 1,2 milhão e danos morais de R$ 1,4 milhão à sociedade. Ele também perdeu os direitos políticos por 10 anos.

Acusado de tentar subornar o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do caso, Arruda foi preso preventivamente em fevereiro de 2010, por determinação do Superior Tribunal de Justiça, que ainda o afastou do cargo de governador. Ele ficou preso por dois meses e, neste período, teve o mandato cassado.

Arruda ainda mora em Brasília, mas passa boa parte do tempo em São Paulo. Isolado politicamente, alguns dizem que ele estaria escrevendo um livro sobre suas barulhentas passagens pelo poder. As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam que Arruda e seus assessores, deputados e empresários cometeram os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.070

 
Últimas Notícias
 
03/07/2017   -- Trabalhistas históricos fortalecem o PPL
29/06/2017   -- João Vicente Goulart se filiará ao PPL
14/06/2017   -- A luta pelo Brasil em um novo partido
14/06/2017   -- TSE livra chapa Dilma-Temer e vota pela ditadura da propina
14/06/2017   -- Gilmar defende impunidade para PMDB, PT e PSDB
 

 
Voltar


 Comente
 
COMENTÁRIOS:
29.06.2017
 João Vicente Goulart se filiará ao PPL.
14.06.2017
 O manual da canalhice - ou como Temer escapou no TSE.
14.06.2017
 Trabalhadores nas ruas dizem “Não” às ‘reformas’ de Temer .
14.06.2017
 Boletim do BC reduz a 0,41% previsão para o PIB este ano.
14.06.2017
 Lucro das operadoras de saúde aumentou 70% em 2016, diz ANS.
14.06.2017
 Fux: os fatos são gravíssimos .
14.06.2017
 Gilmar defende impunidade para PMDB, PT e PSDB.
14.06.2017
 TSE livra chapa Dilma-Temer e vota pela ditadura da propina.
18.05.2017
 Parente corta investimentos e privatiza Campo do Azulão.
19.05.2017
 Com manifestações e panelaço, povo vai às ruas após divulgação de gravações de Temer .
19.05.2017
 Molon protocola pedido de impeachment.
19.05.2017
 JBS: Mantega recebia a propina e distribuía.
19.05.2017
 Agendas e foto desmentem Lula.
19.05.2017
 Okamoto e Vaccari na agenda de Léo Pinheiro.
[+ Notícias]

Correio Eletrônico: pplrs@pplrs.org.br