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08/07/2012 | Com queda de 4,3% na indústria, Mantega vê “ciclo de expansão”

Dona Dilma precisa começar a governar antes que seja tarde

Mantega prega arrocho salarial em reunião com empresários da Fiesp

Para ministro, aumentar salário é um “risco fiscal”

Desfiamos, na edição anterior, alguns índices econômicos desastrosos: o crescimento no primeiro trimestre foi de minúsculos 0,2%; as projeções para o segundo, estão por volta de 0,7%; a Fiesp projeta apenas 1,8% para o ano; a produção industrial caiu -4,3% (e pelo nono mês consecutivo); a indústria de São Paulo reduziu sua atividade em -6,3%, e paramos por aqui, para não fazer o leitor perder o sono.

Na quarta-feira, Mantega declarou na Fiesp, para 400 empresários: “estamos prestes a começar um novo ciclo de expansão forte da economia brasileira”. Como é possível um ministro da Fazenda, sem uma única medida efetiva para enfrentar uma situação que se agrava a cada momento, dizer uma coisa dessas?

Porém, Mantega diz qualquer coisa. No mesmo discurso: “[a indústria] vai desacelerar não só nos países europeus, mas também na China e no Brasil”.

A indústria, no Brasil, não “vai desacelerar”, pois há nove meses está caindo. Mas é evidente que Mantega está se lixando. Porém, como é possível conciliar essa frase (ou esta outra: “estamos enfrentando uma crise bastante grave, que não vai ser solucionada no curto prazo”), com “estamos prestes a começar um novo ciclo de expansão forte da economia brasileira”?

Mantega, além de seus outros predicados – incluindo o servilismo aos monopólios financeiros - é um irresponsável, pois é com essa leviandade que trata a política econômica, isto é, a vida das pessoas, de trabalhadores, empresários, homens e mulheres, crianças, jovens e idosos, gente assim como nós todos.

Depois de “prever” que o crescimento seria de 4,5% este ano – ele derrubou-o de 7,5% (2010) para 2,7% em 2011 – Mantega diz que “nos últimos trimestres crescemos bem abaixo da nossa capacidade por causa do impacto da crise”. Previu que cresceremos “entre 4,5 e 5% em 2013 e 2014”. Quando lhe perguntaram quanto cresceremos este ano, disse: “não estou aqui para fazer projeções de PIB”. É mesmo?

Em que interferiu, no Brasil, a crise nos EUA e na Europa? Por que mecanismo? Economia não é meteorologia. As crises são causadas pela conduta dos homens, ainda que muitos deles não percebam.

Nem o Banco Central, que colaborou para a débàcle com cinco aumentos sucessivos de juros no ano passado, tem mais a cara de pau de afirmar que os problemas atuais do Brasil são por causa da “crise internacional” (na página 74 de seu recente Relatório de Inflação, o BC refere-se à “moderação da atividade doméstica observada no segundo semestre do ano passado, que foi maior do que se antecipava”. Quanto à crise dos países centrais, há somente, de passagem, uma menção acaciana aos “efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional” - o que quer dizer absolutamente coisa alguma).

Então, por que crescemos bem abaixo da nossa capacidade?

Primeiro, porque o sr. Mantega considerou, em janeiro de 2011, que era um terrível risco o Brasil continuar a crescer. Segundo, porque considerou (como, aliás, desde 2006) que a mola da economia deviam ser filiais de multinacionais, isto é, o famigerado “investimento direto estrangeiro” (IDE). Terceiro, porque obstruiu o investimento – e o gasto – público, com uma teoria imbecil de que isso aumentaria o investimento privado. Quarto, Mantega implantou na política econômica o mais desvairado servilismo aos bancos, desde que aquele maluco, Gustavo Franco, foi demitido do BC.

A devastação foi tão violenta na economia brasileira que vários elos da cadeia produtiva deixaram de existir. Assim, como está hoje, com um magote de multinacionais dominando a economia, ela tende à estagnação – e à desindustrialização – porque as filiais de multinacionais pertencem a uma cadeia produtiva que está fora do país. Por isso investem tão pouco, importam tanto e remetem tantos recursos do país para suas matrizes no exterior. Aqui elas apenas montam produtos com componentes – isto é, tecnologia – importados.

Mantega disse na Fiesp que “2012 é como se fosse 2009, um ano em que as coisas começaram a melhorar no meio do ano”.

Mas o que há de diferente é a política econômica – Lula não deixou Mantega dirigir a política econômica, no que fez muito bem, e alicerçou o crescimento do país em financiamento público, investimento público, gastos (de custeio) públicos e expansão do mercado interno, isto é, aumento do salário real, portanto, aumento do consumo. Com isso, o investimento aumentou +21,3% (2010).

Hoje, o financiamento público, no BNDES, está tomado pelas multinacionais (70% dos empréstimos acima de R$ 100 milhões em 2011).

O investimento público está beirando o ridículo – uma publicação do IPEA mostra uma queda de -14,43% no investimento do governo federal (administração direta) de 2010 para 2011. Na verdade, a queda é maior (-22,57%), se considerarmos somente o efetivamente liberado pelo caixa do governo. Em 2012, até o último dia 3, só foram efetivamente liberados 15,82% da verba para investimentos. Quanto às estatais, até o fim de maio só haviam sido executados R$ 23,6 bilhões, incluindo a Petrobrás – e no mesmo período do ano passado, essa quantia era ainda menor: R$ 19,8 bilhões (cf. IPEA, “Conjuntura em Foco”, nº 19, ano 4, junho de 2012, pág. 9 e “LOA 2012, Execução Orçamentária GND”, cons. 03/07/2012).

Quanto aos gastos de custeio, leitor, com os servidores em greve, nem é preciso explicar.

Por fim, a expansão do mercado interno foi freada, através de um arrocho salarial – em cima dos servidores e aposentados, mas também do salário-mínimo em 2011 – e uma campanha contra os aumentos reais em geral. Mantega disse aos empresários: “Temos pressão para o aumento de servidores. Temos que ter muito cuidado com isso, não podemos brincar em serviço em tempos de crise”, porque o “aumento salarial dos servidores públicos [é um] risco fiscal”. E ainda disse que os salários do funcionalismo já são muito altos, exemplificando com os servidores do Judiciário (naturalmente, não é original misturar ministros do STF com o contínuo de uma Vara Federal; é apenas canalha).

Ele estava falando em arrochar salários diante de 400 empresários. Que mensagem ele estava passando para os empresários? É tão óbvia que não necessitamos dizer.

Aqui o reacionarismo se confunde com a burrice: não há saída para o país, senão expandindo o seu mercado interno – o que implica em aumento do salário real. Para quem as empresas nacionais vão vender os seus produtos, mais ainda no momento atual, se não for para os habitantes do país? Mas ele somente se importa com as filiais de multinacionais, que para cá vieram explorar mão de obra barata e vender para as camadas mais favorecidas – o que implica em concentração de renda, monopolização e arrocho salarial.

Numa situação em que devido às suas próprias medidas, a indústria nacional está acabando (ou sendo acabada), levando consigo o crescimento, o risco perigosíssimo que Mantega vê é... o Congresso ser sensível aos servidores, estudantes e aposentados que querem “quebrar o Estado brasileiro” (sic) com aumentos salariais (depois de dois anos sem qualquer reajuste), com mais verbas para a educação e com a mínima recomposição de pensões e aposentadorias. Assim convocou os empresários para que pressionem o Congresso para não aprovar nenhum “projeto com forte impacto sobre as contas públicas”. De onde se conclui que a função do Congresso é discutir abobrinhas.

Mantega está cada vez mais parecido com Mussolini – com uma diferença: Mussolini era mais sério (e, apesar de ser também uma besta, era mais inteligente).

CARLOS LOPES

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.071 

 

 
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