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18/07/2012 | CPMI avalia que já há elementos para indiciar governador tucano

Para PF, venda da casa foi operação em que a Delta recebeu dívida do Estado e Perillo um troco  

   Relatório da Polícia Federal, divulgado no último fim de semana pela revista Época, revela que a conturbada compra da casa do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, por Carlos Cachoeira fazia parte de um acerto de propina entre Perillo e a empreiteira Delta. O negócio, intermediado pelo contraventor, envolvia a liberação de pagamentos do governo à empreiteira e a liberação de cheques de empresas laranjas para Perillo. A compra da casa serviu para a transferência de dinheiro ao governador. A nova revelação complica a vida do governador tucano.

A investigação da PF começou em fevereiro de 2011. Num diálogo interceptado no dia 27 de fevereiro, Cachoeira pede pressa a Cláudio Abreu (na compra da casa). Diz Cachoeira: “E aquele trem do Marconi, hein? Marconi já falou com o Wladmir (Garcez), viu”. “Não é 2 milhões e meio, não. Ele (Marconi) quer só a diferença”, explica Cachoeira. Abreu responde: “Pois é, doutor, eu não tenho como. Do mesmo jeito que o Estado tá com o orçamento fechado, eu também tô”.

Garcez liga para pressionar Cláudio Abreu: “Tive lá no Palácio, conversei com o governador lá. Falei... ‘Olha, o compromisso que ele (Abreu) tinha feito com o senhor faltava 1 milhão e meio. (...) Ele (Abreu) vai ver se cumpre aquele compromisso com o senhor”. Diante da pressão, Abreu diz que tem “outros compromissos” em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Pede tempo. A polícia, segundo a revista, achava que a demora em resolver o problema era porque que Perillo queria o dinheiro antes de liberar a fatura da Delta; Abreu, da Delta, queria a fatura paga antes de liberar o dinheiro para Perillo.

Cachoeira resolve intervir e apressar o cumprimento do acordo. Ele entra diretamente na transação e usa a Excitante Indústria e Comércio de Confecções Ltda, razão social da grife Babiole, pertencente a Leonardo Souza Ramos, seu sobrinho, para efetuar os pagamentos. No dia 28 de fevereiro, Garcez informa a Cachoeira que Perillo quer cheques nominais. Cachoeira combina a entrega de três cheques para o dia seguinte: dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil, que serão depositados no dia 1º de cada mês. Em seguida, no dia 1º de março, Cachoeira faz a operação: pede ao sobrinho que assine os cheques, avisa a Delta e manda entregar os cheques no Palácio das Esmeraldas.

Garcez liga e confirma a Cachoeira que os cheques foram entregues e avisa que levará a escritura da casa no dia seguinte. Cachoeira pede a contrapartida a Garcez: “O trem da Delta, aqueles 9 milhões que o Estado tem de pagar... Você levou para mostrar para ele (Perillo)?”. Garcez confirma: “Tá comigo aqui. Oito milhões, quinhentos e noventa e dois, zero quarenta e três”. Garcez liga para Cachoeira e diz que está no gabinete do governador, entregando os cheques. Em seguida, Garcez comunica a Abreu que os problemas da Delta acabaram. “(Perillo) falou que vai resolver”. No dia 1º de março, o governo de Goiás liberou R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. No dia seguinte, o cheque de R$ 500 mil foi depositado na conta de Perillo.

No mesmo dia 1º de março de 2011, a Adécio & Rafael Construção e Incorporação (uma das empresas fantasmas de Cachoeira) deposita R$ 250 mil na conta da Excitante. No dia seguinte, mais R$ 250 mil. No mesmo dia, a Excitante emite um cheque de R$ 500 mil. Um mês depois, no dia 31 de março, a Alberto e Pantoja Construções (outra fantasma) emite mais um cheque de R$ 250 mil para a Excitante. No dia 4 de abril, mais um cheque de R$ 250 mil, enquanto a Excitante emite um cheque de R$ 500 mil. No dia 2 de maio, a Alberto e Pantoja deposita mais R$ 400 mil na conta da Excitante. No mesmo dia, a Excitante emite outro cheque de R$ 400 mil.

Um sinal de que o acordo estava andando é que no dia 25 de março, o governo de Goiás liberou mais um pagamento de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. Enquanto os pagamentos caíam nas contas da Delta, a Delta cobria, por meio de uma empresa laranja, os cheques dados por Cachoeira.

Depois de feita a transação com pagamentos feitos pela Delta, Cachoeira repassou a casa para o empresário Walter Santiago. Para não aparecer, recorreu à ajuda de Garcez, que coordenou a nova transação. Garcez assegurou ao empresário que a casa era de Perillo. No dia 12 de julho, Walter Santiago encontrou-se com Garcez e lhe entregou R$ 2,1 milhões em dinheiro vivo. Cachoeira orientou Garcez pelo telefone: “Manda trazer o dinheiro aqui no Excalibur, entendeu?”.

Segundo a PF, o empresário Walter Santiago pagou R$ 2,1 milhões pela casa. Destes, R$ 100 mil foram para Fiúza, assessor de Perillo, R$ 500 mil para Perillo, levados por Fiúza e o restante, R$1,5 milhão, para Cachoeira. Numa conversa com Andressa, gravada pela PF, Cachoeira pede para ela deixar as coisas na casa. Para justificar o pedido, ele confessa a Andressa o preço real da casa e revela a existência de uma “diferença”. “Deixa do jeito que tá. Aquilo lá custou quanto? Afinal, eu comprei ela (a casa) por mil (R$ 1 milhão), vendi por mil e quinhentos (R$ 1,5 milhão)”. Marconi teria vendido a casa oficialmente por R$ 1 milhão e recebido R$ 1,4 milhão através da Delta e mais R$ 500 mil através da revenda de Cachoeira.    

O relator Odair Cunha avalia que as novas revelações da PF, publicadas pela revista Época, trazem elementos para já propor o indiciamento de Marconi – opinião compartilhada pelo vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT/SP). De acordo com a reportagem da Época, os pagamentos que o ex-vereador Wladimir Garcez fez pela compra da casa de Marconi em Goiânia, por R$ 1,4 milhão, coincidiram com liberações de recursos do Estado de Goiás para a empreiteira Delta.

Marconi Perillo, mais uma vez, soltou nota insistindo, como fez, sem sucesso, o ex-senador Demóstenes, que não tem nenhuma relação e não fez nenhum negócio com Cachoeira. O relatório da PF diz o contrário. A CPMI diz que vai aprofundar as investigações.

Fonte: Valter Silva/Jornal Hora do Povo

 

 
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