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21/07/2012 | Servidores param Brasília contra o corte de salários

Perdas em relação a 2010 já passam de 12%

Governo copia Europa e tira do trabalhador para dar às múltis e bancos

Servidores em manifestação exigem que governo negocie

Governo não apresentou proposta de reajuste

Servidores e professores federais ocuparam, na quarta-feira, a Esplanada dos Ministérios em uma Marcha Nacional que reuniu cerca de 20 mil pessoas. Acampados em frente ao Palácio do Planalto desde terça-feira, os servidores exigem que governo federal receba os sindicatos e negocie.

No último dia 13, o governo apresentou uma proposta apenas aos docentes do magistério, que estão há mais de dois meses de greve. Mas, de acordo com as últimas declarações da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o tema não está em debate: “Essa não é uma proposta para negociação. Essa é a proposta do governo para valorizar a educação”, declarou a ministra.

Ao referir-se às demais categorias em greve, novamente, a ministra alegou a “crise financeira internacional”, quando, na verdade, copia a agenda dos países europeus, com uma política econômica que beneficia bancos e multinacionais em detrimento do trabalhador – e arrocha os servidores públicos, isto é, os responsáveis pelo atendimento à população. Os dados econômicos vêm demonstrando o resultado dessa política, que não tira qualquer país da crise, e sim, afunda-o cada vez mais. Basta ver as previsões do PIB da zona do euro, que continuam negativas em -0,3% para 2012, e onde o que impera são os cortes nos investimentos, nos salários e nos empregos. Se essa política de arrocho permanecer, o resultado no Brasil não será diferente. Infelizmente, já está sendo, com o crescimento desabando de 7,5% (2010) para 2,7% (2011) e 1,5% a 1,9%, segundo as projeções para este ano.

No entanto, a ministra não demonstra disposição em negociar com os servidores. Segundo Belchior, “nós não temos carreiras com perda salarial. Agora, estamos fazendo as contas para fazer uma proposta responsável. É preciso ver o que é possível para 2013”, disse, desconsiderando o fato de que o funcionalismo está desde 2010 sem receber reajuste algum. Se levarmos em conta apenas a inflação desse período, medida pelo INPC, de julho de 2010 a junho de 2012, as perdas chegam a 12,03%.

E o que importa para os professores é o reajuste necessário para agora, repondo as perdas que obtiveram nos últimos dois anos. O ministro Mercadante argumenta também que quem receberia os maiores reajustes é a maioria dos professores. “Dos 67 mil professores nas universidades federais, 59.100 têm dedicação exclusiva. Dos professores com dedicação exclusiva, 71% já são doutores. Essa titulação já é a base das universidades”, afirmou. No entanto, o maior reajuste, de 45%, tão propagado nos últimos dias, será destinado apenas aos doutores que são professores titulares e não a todos os doutores, nem mesmo àqueles com dedicação exclusiva. É o caso de um professor doutor associado com dedicação exclusiva, que teria a sua remuneração alterada de R$ 11.131,69 para R$ 13.319,00 em 2015, pela proposta do governo, o que representa 19,6% de reajuste, parcelado em três vezes. Não será o suficiente para repor as perdas, que só nos últimos dois anos passam de 12% - ao mesmo tempo que a primeira parcela do reajuste é 7,84%. Conforme o ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), com essa proposta o governo prevê aumento real para menos de 10% do quadro de professores.

No caso dos demais servidores, a situação é ainda pior, pois os trabalhadores sequer foram recebidos pelo governo, o que foi cobrado pelas diversas lideranças presentes no ato.

O presidente da CUT Vagner Freitas; José Maria, coordenador nacional do CSP Conlutas; e o presidente da CTB, Wagner Gomes, além outros dirigentes sindicais, reforçaram a marcha dos servidores. “É inconcebível que depois de 30 dias de greve o governo não tenha feito uma proposta para os servidores públicos federais. A greve é um instrumento legítimo de luta e o governo tem de receber o trabalhador para negociar. Queremos propostas para todos os setores e não apenas para os professores porque, senão, a greve continua, continua e continua”, afirmou do caminhão de som o presidente da CUT, Vagner Freitas. “Companheira Miriam, você precisa receber o comando de greve e negociar”, disse.

Para Pedro Armengol, também dirigente da CUT, “só é possível dialogar com os servidores públicos federais em greve se o governo colocar uma proposta na mesa. Sem proposta, não tem diálogo, e, sem diálogo, sem negociação concreta, a greve continua. Mais que isso, pode ser ampliada, pois setores mais pacientes começam a aderir a paralisações em todo o país”.

Na segunda-feira, os servidores das agências reguladoras federais aderiram à greve e, segundo o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), todas as onze autarquias estão paralisadas.

Também pressionando para que o governo negocie, o presidente da CUT se reuniu com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para relatar a situação e tentou chamar a atenção do governo para a questão; “a negociação está travada e o governo precisa fazer propostas”, disse.

“Essa belíssima Marcha que realizamos hoje é resultado da indignação dos servidores públicos federais pela falta de compromisso do governo com as políticas sociais”, discursou a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira. Apesar da ampla participação dos sindicatos de diversas frentes, o esforço ainda não sensibilizou o governo, que continua sem apresentar propostas para o conjunto dos servidores.

Para o próximo dia 2 de agosto, as centrais sindicais, CUT, CTB, CGTB e Conlutas, marcaram o Dia Nacional de Luta de todos os trabalhadores e movimentos sociais em apoio à luta dos servidores. “A luta dos servidores é de toda a classe trabalhadora”, afirmou o representante da CSP-Conlutas, José Maria de Almeida. “Convocamos os filiados a realizarem atos públicos, por todo o país, em defesa da causa do serviço público”, completou.

Nesta quinta, 19, a Condsef (Confederação dos trabalhadores no serviço público federal) promove uma Plenária Nacional a partir das 14 horas no Clube dos Previdenciários, em Brasília, com o intuito de fazer uma avaliação do movimento e levar à Plenária Conjunta que todas as categorias em greve irão realizar, na sexta, às 9 horas, no “Acampamento da Greve”. 

Fonte: Jornal Hora do Povo

 
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