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Créditos:Andressa Mendonça, mulher do bhicheiro Carlinhos Cachoeira
01/08/2012 | Lady Cachoeira ameaça juiz com dossiê na Veja e acaba em cana

PF detém mulher de Cachoeira por chantagear juiz com ‘Veja’

Ou ele soltava o bicheiro ou iria ser vítima do Poli, denunciou Alderico Rocha Santos

O juiz Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, denunciou ao Ministério Público Federal,(MPF), na quinta-feira (26), que a mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, o chantageou, ameaçando-o de publicar um dossiê contra ele elaborado pela revista Veja, caso o contraventor não fosse solto. Conforme o juiz, Andressa disse: “Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? (diretor de Veja, que nos áudios é tratado pela quadrilha como Poli) O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê”.

Segundo Santos, Andressa teria pedido para falar com ele mesmo sem a presença do seu advogado. Como ela insistiu em ser atendida, o juiz disse que concordou em recebê-la e chamou uma de suas assessoras para acompanhar a reunião. Depois de cerca de 20 minutos, Andressa pediu para que a assistente fosse retirada da sala. Pouco depois insistiu novamente na saída da assessora. “Quero falar com o senhor a respeito das minhas visitas ao Carlos e vou falar de questões pessoais. Não queria que questões da minha intimidade fossem reportadas a terceiros”, disse. “Então concordei com a saída da minha assessora”, relatou o juiz.

A mulher de Cachoeira teria então escrito o nome de três pessoas em um pedaço de papel e perguntado se ele os conhecia: o ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda, que teve o mandato cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2006; um fazendeiro da região do Tocantins e Pará, conhecido como Maranhense; e Luiz, que seria um amigo de infância do juiz e supostamente responderia a processo por trabalho escravo. De acordo com o juiz, Andressa disse que Policarpo tinha fotos do magistrado com essas três pessoas. O juiz respondeu que não tinha nada a temer e ouviu a seguinte resposta: “O senhor tem certeza?”.

“Não tenho nada a temer”, repetiu. “Eu não vejo Marcelo Miranda há mais de quatro anos. O Maranhense, ou quem imagino que possa ser o Maranhense, também não vejo há bastante tempo. Já o Luiz é meu amigo de infância. As terras da família dele fazem divisa com as do meu pai, no Maranhão, há mais de 50 anos”, informou Santos. “Falei para Andressa: ‘Não sei se você tem fotos minhas com ele [Luiz]. Se não tiver foto minha com ele, eu tiro a hora que você quiser’”.

Andressa reagiu pedindo várias vezes para que Cachoeira fosse solto e dizendo que, se eu o liberasse, o dossiê não seria divulgado.

“Quando ela saiu, guardei o papel onde ela escreveu os três nomes, solicitei as imagens que mostram a sua entrada e saída do prédio da Justiça Federal e encaminhei um documento ao Ministério Público relatando o fato”, informou Santos.

A acusação de chantagem foi apresentada nesta segunda-feira (30) pelo próprio juiz. Em entrevista, Alderico relatou mais detalhes do caso. Disse que Andressa insistiu muito para falar com ele. Depois, segundo ele, ela mostrou intimidade com Policarpo “dizendo que tinha ligado pra ele, pedindo pra não divulgar [o dossiê] enquanto ela não falasse comigo”, prosseguiu o juiz.

Por causa da chantagem, Andressa foi detida na mesma segunda-feira. Ela foi interrogada na Superintendência da Polícia Federal de Goiânia e terá que pagar fiança de R$ 100 mil. Se não fizer o pagamento, terá sua prisão preventiva decretada.

O Ministério Público Federal em Goiás concluiu que Andressa Mendonça tornou-se “mensageira do grupo criminoso” do marido. A informação foi dada pelo procurador Daniel Resende Salgado, que concedeu entrevista coletiva na tarde da segunda-feira. A Polícia Federal informou também que foi cumprido um mandado de busca e apreensão na casa da mulher de Cachoeira. Foram apreendidos 2 computadores, 2 tablets e documentos no condomínio de luxo de Goiânia.

Segundo o vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investiga os crimes cometidos pela organização criminosa chefiada por Cachoeira, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, o jornalista Policarpo Junior, será convocado para depor na (CPMI). “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”, afirmou.

A revista Veja, primeiro, tentou desconversar e não tocou no assunto em seu site, mas, depois soltou uma nota ameaçando “tomar providências judiciais contra seus caluniadores”. No caso não se sabe se a revista está ameaçando o juiz ou se referindo à mulher de Cachoeira. Depois veio o “cãozinho amestrado” dos Civita, Reinaldo Azevedo. Segundo ele, tudo não passaria de “uma tramóia da máfia mensaleira para colocar a revista no banco dos réus”. Azevedo, é claro, terá que esclarecer se está falando do juiz ou da mulher do contraventor. De todo modo, essa reação destemperada não deverá impedir a convocação da revista para a CPMI. Ao contrário, se não ficar claro a quem ele se refere, Azevedo poderá ter mesmo destino que “lady Cachoeira”, ou seja, ir em cana, por calúnia contra um juiz federal.

VALTER SILVA

Publicado no Jornal Hora do Povo, edição 3.078

 
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