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10/08/2012 | Multinacionais controlam etanol e derrubam agroindústria: -3,9%

Aumento do preço e freio na produção foram deliberados

Desde 2008, a produção de etanol no Brasil estagnou ou, nos piores anos, caiu. Por isso, é muito precário atribuir a incrível queda de -28,5% na produção de etanol no primeiro semestre deste ano (em relação ao mesmo período do ano anterior), somente ao clima.

Evidentemente, existem atores climáticos – secas e enchentes – mas eles constituem um cobertor curto demais para agasalhar uma catástrofe dessas proporções. O mesmo pode-se dizer da queda de -38% na produção de açúcar no mesmo semestre, que, junto com a quebra na produção de fumo (-16,9%), arrastaram a agroindústria para um poço de -3,9% no período (cf. IBGE, PIM-PF regional, 07/08/2012).

Antes das multinacionais tomarem a produção interna de etanol, nosso país não chegava a ser como aquele do poema satírico de Maiakovsky (“Onde havia mulheres, pássaros, danças,/ E, sobre guirlandas de flores de laranja,// Baobás - até onde a vista alcança.// Bananas, ananás! Peitos felizes./ Vinho nas vasilhas seladas...”).

Mas era um país com orgulho de ter projetado no mundo uma nova alternativa energética. O que aconteceu depois se parece muito com o destino do país inventado pelo poeta russo, após a sua invasão – só que, no nosso caso, os invasores não foram censores, inquisidores ou críticos literários de maus bofes.

Diz o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB),  José Augusto de Castro: “Hoje, as empresas estrangeiras já são mais da metade das usinas em funcionamento no país. Elas trabalham com o conceito de rentabilidade. O consumo brasileiro pode perder importância para o produtor nos próximos anos”.

A cartelização e desnacionalização do setor redundou – como era inevitável – no aumento de preços do etanol. Esse aumento, e o freio na expansão do setor, foi deliberado. A encenação atual, em que se culpa a Petrobrás por não ter aumentado os preços da gasolina é de um cinismo repugnante: simplesmente, estão acusando a Petrobrás de oferecer uma alternativa ao aumento de preços do etanol, provocado por algumas (precisamente: sete) multinacionais. Em outras palavras, o preço da gasolina estabelecido pela Petrobrás impediu que esse cartel impusesse, no etanol, preços de monopólio – isto é, sobrepreços – aos consumidores brasileiros.

Apesar da obtusa senhora Foster não compreender, é para isso mesmo que existe a Petrobrás; essa é a razão pela qual foi fundada – para romper o cerco do cartel do petróleo e da energia sobre o país; por isso, ela é a empresa mais popular do Brasil, tão popular que nem presidentes da cepa do sr. Reichstul, ou da senhora Foster, conseguem abalá-la.

Em abril de 2007, em editorial, fizemos a seguinte consideração:

Bush deixou claro em sua passagem pelo Brasil e no encontro com Lula em Camp David que não aceita reduzir as tarifas que impedem o aumento da venda do álcool brasileiro aos EUA. Ou seja, que não está interessado em comprar etanol produzido por brasileiros. O que ele pretende é adquirir nossas usinas, desnacionalizar a produção e, aí sim, passar a adquirir o produto de suas próprias empresas. Tal é o plano, para o Brasil e para a América Latina. O imperialismo pretende transformar a sua crise energética num fator de dominação e atrelamento das economias latino-americanas aos seus interesses. Cabe a nós, sem renunciar à produção do etanol, tomar os cuidados necessários para não cair na armadilha” (HP, 11-12/04/2007).

Esse texto foi publicado há mais de cinco anos. Infelizmente, os “cuidados necessários” a que se refere a última frase não foram tomados.

O resultado é que “a Shell é agora proprietária da Cosan e da NovaAmérica; a British Petroleum é agora dona da CNAA e da Tropical Bioenergia; a Bunge tomou o Grupo Moema; a Louis Dreyfus tomou o Grupo Santa Elisa; o Noble Group levou o Grupo Cerradinho; a Shree Renuka Sugars pegou o Grupo Equipav; a Tereos tomou parte do Grupo Guarani, a Vertente e a Mandu (cf. UNICA, Marcos Jank, ''The rise of ethanol imports: trends in Brazil’s ethanol market'' p. 10 – HP, 13/01/2012)”.

Rapidamente, os EUA estabeleceram um sistema de cadastro para as empresas que quisessem vender etanol no mercado norte-americano, um registro simplificado na “Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA, na sigla em inglês) em troca da redução das burocracias de exportação. É um procedimento simples, que pode ser realizado pela internet” (cf. Leonardo Sakamoto e cols., “O etanol brasileiro no mundo”, Repórter Brasil, maio/2011, pág. 2).

De repente, nunca foi tão fácil exportar etanol para os EUA...

Mas, o primeiro objetivo do cartel era (e ainda é) a espoliação do mercado interno do Brasil. Sobretudo quando o mercado norte-americano não parece promissor – com perspectiva de piorar, e não se sabe até quando.

“O setor de etanol cresceu 10,4% ao ano de 2003 a 2008. Depois da desnacionalização, o crescimento anual caiu para 3,6% de 2009 a 2011, período em que o aumento da frota de carros flex atingiu 40% (UNICA, op. cit., p. 7 e 8). Multinacionais são sempre monopólios. Investem o mínimo para lucrar mais. Assim, o que elas fizeram foi se apoderar do que as empresas brasileiras já tinham construído – a construção de novas usinas, que havia crescido de nove (2005) para 19 (2006), 25 (2007) e 30 (2008) caiu para 19 (2009), 10 (2010) e 5 (2011). Portanto, deixaram de investir, apesar da generosidade do BNDES com essas multinacionais” (HP, 13/01/2012).

Assim, a produção de etanol, por safra de cana-de-açúcar, evoluiu do seguinte modo (fonte – DCAA/SPAE/MAPA/SAPCANA):

Safra 2005/2006: 15.808.184 m3

Safra 2006/2007: 17.939.428 m3

Safra 2007/2008: 22.445.979 m3

Safra 2008/2009: 27.681.239 m3

Safra 2009/2010: 25.738.675 m3

Safra 2010/2011: 27.604.120 m3

Safra 2011/2012: 22.705.695 m3

Há quatro anos a produção de etanol, a rigor, não sai do lugar, exceto para baixo. As multinacionais podem provar que há quatro anos o clima para a cana-de-açúcar, no Brasil, está horrível. Se não, como dizer que o problema da produção de etanol, que chegou a um ponto crítico no final do semestre, é o clima? Aliás, se for, seria bom elas mudarem de país.

Fonte: Jornal Hora do Povo/Carlos Lopes

 
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