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10/08/2012 | CPI vota na terça a convocação de Policarpo e Gurgel

Veja e procurador-geral têm muito a falar sobre relações com Cachoeira

Vital garante pôr em votação na CPI convocação de Poli e Gurgel

Presidente da comissão garantiu que vai colocar os requerimentos em votação nesta terça-feira

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou, ao debater com parlamentares, na quarta-feira (8), que colocará em votação na próxima reunião administrativa da comissão o requerimento de convocação de Policarpo Jr., redator-chefe e diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, acusado de fazer parte de uma associação criminosa com o contraventor Carlinhos Cachoeira. A reunião administrativa deverá acontecer na terça-feira da semana que vem, dia 14 e agosto.

Além da decisão sobre a convocação de Policarpo, serão analisadas também a convocação do procurador-geral, Roberto Gurgel, e do dono do Grupo Abril, responsável pela publicação da revista, Roberto Civita.

A necessidade da convocação de Policarpo cresceu bastante depois que a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, mostrou uma grande proximidade com o jornalista de Veja, numa tentativa de chantagear o juiz titular, Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiânia, responsável pelo processo aberto a partir da Operação Monte Carlo. Ela disse ao juiz que seu marido tinha contratado Policarpo Jr. para montar um dossiê contra o magistrado. Segundo Andressa, o dossiê seria publicado pela revista Veja, caso ele não soltasse Cachoeira. "Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? (que nos áudios é tratado pela quadrilha por "Poli"). O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê", disse Andressa.

Desmascarada, a revista (depois de uma semana) tentou tirar o corpo fora, alegando que não tinha nada com isso e que "não publica dossiês", mas na mesma matéria do último fim de semana, ela não consegue negar, com a mesma ênfase, que o seu diretor, Policarpo Jr., tivesse feito o dossiê. Somente no último parágrafo de uma matéria na página 82, ela repete a conversa fiada de que as relações de Policarpo – com mais de 200 ligações telefônicas detectadas pela PF com Cachoeira e membros da quadrilha – eram apenas uma relação de jornalista e fonte.

Já o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tão zeloso e intrépido nas acusações aos integrantes do Partido dos Trabalhadores e do governo Lula, terá que explicar por que acobertou os crimes do então senador do Dem, Demóstenes Torres, por quase um ano.

As ligações de Demóstenes e Cachoeira já haviam sido fartamente reveladas pela Operação Vegas da Polícia Federal. Não havia dúvida, como ficou provado depois, que Demóstenes era integrante da quadrilha. Mas o procurador-geral engavetou a investigação da Polícia Federal (PF), atrasando o processo contra a quadrilha. Em depoimento à CPI, o delegado da PF que comandou a Operação Vegas, Raul Alexandre Souza, disse que foram detectadas as ligações entre Cachoeira e Demóstenes e os resultados da operação e da investigação foram ignorados por Gurgel.

Alexandre Souza enviou em setembro de 2009 um pedido para que Gurgel investigasse Demóstenes Torres, por graves suspeitas de envolvimento com o esquema do contraventor. O procurador só pediu abertura de inquérito contra o senador no Supremo Tribunal Federal (STF) em 27 de março de 2012, depois que o conteúdo das ligações entre o senador e Cachoeira já havia sido revelado ao público.

A frágil explicação de Gurgel para justificar a não denúncia de Demóstenes foi que não havia indícios contra o parlamentar. O pretexto caiu por terra quando os fatos vieram à tona. Aberta a Operação Monte Carlo, ficou provado que Gurgel estava acobertando o senador goiano. Com o vazamento das ligações, Demóstenes acabou perdendo o mandato parlamentar, cassado por 56 votos dos senadores, 19 contra e 5 abstenções. Gurgel deverá comparecer à CPI para mostrar os verdadeiros motivos que o levaram a retardar as investigações contra os parlamentares envolvidos com os crimes de Cachoeira.

O debate sobre as convocações na comissão envolveu os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ), Domingos Sávio (PSDB-MG) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). O deputado tucano interviu para tentar evitar que o procurador fosse convocado. Segundo ele, as funções de Gurgel não aconselhavam que ele fosse convocado. Já Fernando Collor insistiu que o procurador compareça para se explicar. "Ele não pode ter o receio das perguntas que aqui serão feitas", disse o senador. Miro Teixeira, que tem se destacado na defesa de Veja, evitou falar em favor da revista na sessão.

 

 
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