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17/11/2012 | Nível de atividade econômica do país recua 0,52% em setembro

Prévia do PIB no ano é de minúsculo 0,92%

O resultado de setembro do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma queda de -0,52%, significa que o crescimento do terceiro trimestre, medido pela variação do Produto Interno Bruto (PIB), deverá chegar a cerca de 1% em relação ao trimestre anterior.

No primeiro e no segundo trimestres do ano, esse resultado foi, respectivamente, 0,2% e 0,4%. O resultado do PIB no terceiro trimestre somente será divulgado pelo IBGE no dia 30, mas o IBC-Br, que é uma prévia, já fez o sr. Mantega declarar à imprensa: “A economia está em recuperação. Alguns indicadores precursores da atividade indicam que a economia vai continuar reagindo. A novidade é que os investimentos também começaram a melhorar e vamos entrar 2013 com a economia aquecida”.

Hum... resta saber se, desta vez, é verdade – até agora, nesse quesito, a folha-corrida de Mantega não tem sido um primor. Ele é um especialista em comemorar resultados medíocres como se fossem uma nova revolução industrial - ou até em comemorar resultado algum. Trata-se de uma rara vocação para celebrar o nada. Ou, talvez, estejamos sendo injustos, talvez tudo se resuma a que suas homenagens são, inevitavelmente, ao que está ao alcance da sua mente. Como se pode criticá-lo por isso? Realmente, não, mas ele poderia fazer isso mais longe do Ministério da Fazenda...

Do ponto de vista estrito do IBC-Br (isto é, sem fazer extrapolações em relação ao PIB), o crescimento do ano é de minúsculos 0,92%. Com a produção industrial em queda, a CNI apontou redução de -1,7% no faturamento real das empresas industriais (setembro/agosto) e -0,5% na comparação com setembro do ano passado.

O fato é que a principal fonte de financiamento para os investimentos das empresas, o BNDES, até setembro desembolsara R$ 94,6 bilhões (para a indústria de transformação: R$ 85,5 bilhões), inferior ao que, no mesmo período, desembolsou em 2009 (R$ 95,8 bilhões) ou 2010 (R$ 128 bilhões), e quase empatando com a retração para R$ 91,6 bilhões de 2011 (cf. BNDES, Estatísticas Operacionais, “Desembolso mensal do Sistema BNDES por Setor CNAE, 1999-2012”).

Provavelmente, nem o sr. Luciano Coutinho, presidente do BNDES, jubilou-se por esse resultado.

Com essa trava no financiamento público – nem mencionamos, ainda, que boa parte dele é vazado para o exterior, por filiais de empresas externas que aumentam as remessas de lucros para suas matrizes com injustificáveis empréstimos concedidos pelo BNDES – é difícil conceber algum aumento substancial dos investimentos. Até porque o investimento público sob a forma de aplicação direta está, também, travado (cf. os dados oficiais em nossa edição anterior).

O resultado é que a venda de veículos se tornou o único indicador da economia que tem verdadeira importância para a atual equipe econômica. Estamos, aqui, na fronteira da maquiagem dos índices de crescimento.

Em suma, a queda na atividade econômica em setembro corresponde a uma queda no volume de vendas do “varejo ampliado” (que inclui veículos e motos, partes e peças desses veículos, além de material de construção) de -9,2%. Notemos que as vendas no “varejo restrito” (que exclui veículos, etc.) cresceram +0,2% (e, comparado com setembro de 2011, +8,5%).

O inverso não somente é verdadeiro, como é a situação mais comum: um aumento nas vendas de veículos mascararem, por seu peso excessivo nos índices de crescimento, a queda no consumo de outras mercadorias. É o caso, parece, de outubro, segundo algumas declarações de estatísticos.

Mas nada disso é capaz de substituir o mundo real. As desonerações para as multinacionais da indústria automobilística podem falsificar os índices que aferem o estado (ou o movimento) da economia, mas não têm o dom de transformá-la em algo melhor do que é. Aliás, segundo demonstram alguns, logo essas desonerações perdem até o poder de mascarar os índices. Por exemplo:

A redução temporária do IPI tem efeito apenas de antecipação pontual de compra de veículos. No momento seguinte ao do fim da isenção, há uma queda nas vendas justamente devido ao efeito-antecipação. No máximo, o ganho líquido estimado seria o da redução do prazo de troca do veículo. Ou seja, em vez de esperar 4 anos para trocar o veículo, o consumidor troca em 3 anos. Mas esse ganho ocorre apenas uma vez - durante o período de isenção. Depois não se repete mais, a não ser por outros fatores - como a melhoria de renda - que nada tem a ver com a isenção fiscal. (…) No orçamento dos consumidores o automóvel compete com grande variedade de itens, de bens de consumo durável ao lazer. O dinheiro despendido em um automóvel novo foi desviado da compra de uma geladeira, de um computador, de uma moto, da renovação do guarda-roupas, bens de consumo que recolhem impostos. Privilegiando exclusivamente o setor automobilístico, a Fazenda compromete a isonomia fiscal, ampliando as vendas de um setor em detrimento de todos os demais” (Luis Nassif, “A hora de rever os incentivos aos automóveis”, 14/11/2012).

Não por acaso, até o provecto “Estadão” condenou em editorial a “excessiva dependência” da economia em relação à indústria automobilística. Seria mais preciso dizer que essa excessiva dependência é mais dos índices que da economia - mais do termômetro que do organismo, principalmente quando este não passa muito bem. Ou mais da política econômica do governo, que no momento é constituída de desonerações - como se o problema fossem os impostos e não o investimento público e a desnacionalização da economia.

Fonte: Jornal Hora do Povo/Carlos Lopes

 
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