Você está em: Home >> Notícias >> Soberania e independência dos povos, tema cada vez mais atual e necessário
 
- Procurar Notícias  
 
 
 
05/12/2012 | Soberania e independência dos povos, tema cada vez mais atual e necessário

PROFESSORA EMILIA FERNANDES*

Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no dia 20/11/2012, em evento organizado pelo Instituto da Amizade Brasil-Coreia, a Editora Alfa Omega e a Associação Cultural José Martí, foi realizado o Lançamento do livro "MEMÓRIAS – No Transcurso do Século – Vol.1" – autobiografia de Kim Il Sung, comandante da revolução da Coreia, no ano do centenário do seu nascimento. A tradutora da obra Rosanita Campos, Conselheira do Instituto de Amizade Brasil-Coreia e destacada militante política e feminista de nosso país, ressaltou a importância da obra para o maior conhecimento da verdadeira história daquela liderança e de seu país.

O evento contou com a presença dos diplomatas coreanos Paek Tong Un e do Ma Kyong Ho, Conselheiro e Secretário da Embaixada da RPDC no Brasil, respectivamente, os quais relataram a situação econômica e política da Coreia do Norte, a uma atenta e participativa plateia, integrada por professores, estudantes, pesquisadores, representantes de partidos políticos e de entidades da sociedade civil.

A professora Emilia Fernandes, Secretária do Escritório CODESUL/RS – Conselho do BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul do Brasil, integrou a Mesa oficial dos trabalhos, e iniciou sua manifestação destacando os princípios norteadores do 20 de novembro no Brasil - Dia da Consciência Negra inspirados no exemplo do guerreiro Zumbi dos Palmares, e na determinação do Governador Leonel Brizola que criou o BRDE, para fomentar, integrar e acelerar o desenvolvimento econômico e social da região sul de nosso país.

Ao relatar a sua atuação junto à Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, por ocasião do mandato de Senadora da República pelo Estado do Rio Grande do Sul, época em que o Brasil e a República Democrática Popular da Coreia estabeleceram relações diplomáticas, Emilia contou emocionada, o que viu e sentiu nas três visitas oficiais que fez à Coreia do Norte, entre 1995 e 2002, no cargo de Senadora do Brasil e de Presidenta do Grupo Parlamentar Brasil/Coreia. "Conhecer a verdadeira história da Coreia do Norte, serviu para reafirmar minhas convicções em defesa da solidariedade e da independência da humanidade, e da soberania dos povos e das nações", afirmou Emilia.

Destacou o evento realizado na capital Pyongyang, em 2002, que coincidiu com a celebração do ano novo oriental e que teve como objetivo, entre outros, os festejos do sexagésimo aniversário do então dirigente máximo daquele país, Kim Jong IL, que contou com a participação de delegações de mais de 40 países, como França, Japão, China, Espanha, Mongólia, Rússia, Venezuela, Colômbia, Cuba, Finlândia, Suécia, Suíça e países das Américas, da Europa, da África e da Ásia.

Todos que conhecem pessoalmente a Coreia do Norte, sabem da magnitude e pujança das obras públicas, tais como, escolas, hospitais, bibliotecas, museus, teatros, academias e estádios desportivos; a ausência da miséria e do analfabetismo, e a especial atenção dedicada à formação das crianças no plano educacional, cívico, cultural e artístico; a educação, a habitação, o transporte e a saúde realmente são direitos garantidos ao povo coreano. A união de um povo em torno da defesa, da soberania e da independência de seu país, inspirados na sua história de desafios, na coragem e na determinação de seu lideres e dirigentes, no respeito e admiração à memória do grande general Kim IL Sung, com o entusiasmo e a reverência característicos da cultura oriental.

Cabe um destaque especial à importância da decisão do Governo do Brasil, em 2002, em estabelecer relações diplomáticas com a República Popular e Democrática da Coreia. E após, no governo Lula efetuar-se a instalação das embaixadas nos dois países. Porém, necessário hoje sem dúvida, é acelerar as tratativas através de ações governamentais, diplomáticas, parlamentares, empresariais e da comunidade científica e cultural, no sentido de se desenvolver realmente uma integração entre os dois povos.

Todas as manifestações dos presentes ao lançamento da significativa obra fluíram no sentido de reforçar que é de vital importância que os Poderes constituídos, os entes federados, o povo brasileiro e os formadores de opinião, se mantenham corretamente informados e isentos às distorções que se assacam contra aquele povo milenar. O povo coreano defende e almeja a paz, sem cometer a ingenuidade e a imprudência de acreditar que, fragilizados, deixarão de ser presa fácil do avanço da dominação e opressão estrangeira. Um povo que sonha com a reunificação e deseja estabelecer um diálogo sincero, profundo e fluente com seus irmãos-coreanos do sul, sem interferências externas.

Os diplomatas coreanos destacaram, ainda, o forte desejo do governo da RPD da Coreia em fortalecer as relações econômicas, culturais, educacionais, sociais com o Brasil e os diferentes Estados brasileiros, visando maior interlocução, troca de experiências, apoio e integração, em especial nas áreas da saúde, da energia, da produção agropecuária, da cultura e do conhecimento científico e tecnológico, entre outras.

Neste sentido, por acreditar na força da história, força capaz de reverter situações arbitrárias e antinaturais, o encontro ocorrido entre as duas Coreias no ano 2002 é um fato que não pode deixar de ser registrado. Foi o primeiro passo, exatamente aquele sem o qual nenhuma longa marcha pode ocorrer. O aperto de mãos entre os Presidentes da República Popular e Democrática da Coreia e da Coreia do Sul teve forte dose simbólica: prenuncia a paz, prepara o terreno para a reunificação de um povo irmão, que não pode ser interrompida por nenhuma interferência externa.

O Sul e o Norte precisam voltar a mesa de negociação, construir a reunificação independente, por meio de esforços conjuntos da população coreana, que é o verdadeiro líder dos dois países. Acordar sobre temas humanitários, a aproximação das famílias separadas e promover diálogo entre autoridades de ambos os países.

O povo coreano travou heróica resistência durante décadas contra o jugo imperialista japonês. Os japoneses escravizaram o povo da Coreia, promoveram o extermínio em massa, aviltaram a dignidade e a integridade das famílias e promoveram a política de terra destruída. O grande líder, General Kim IL Sung, organizou, na década de 20, a grande resistência, conduzindo o exército do povo coreano na luta de guerrilhas antijaponesas.

Ocorre que a divisão da nação coreana, hoje dividida em Coreia do Norte e Coreia do Sul, não se originou em contradições internas. Muito pelo contrário, foi imposta pelas potências mundiais no fim da II Grande Guerra, em 1945, com a ocupação da parte sul da Coreia por tropas dos Estados Unidos, dividindo o território e, o mais grave, separando as famílias coreanas, bem ao estilo do que ocorreu com a Alemanha. O povo coreano, no início dos anos 50, sustentou ainda, bravamente, a famosa Guerra da Coreia contra o poderoso exército norte-americano, com a perda de mais de três milhões de vidas coreanas, guerra esta que findou pela assinatura de um armistício.

Para mim tem um significado importante de ter participado desse fato histórico do Brasil, por se tratar de uma causa que abracei de coração, consciência, espírito investigativo acadêmico e admiração por aquele povo, pela sua luta, sua capacidade de resistência e principalmente pelo amor que dedicam à sua pátria, aos seus líderes, às  suas crianças e pelo desafio constante de se impor como Nação, apesar de toda opressão internacional.

Há aproximadamente duas décadas, tenho acompanhado a luta, os desafios e a capacidade de superação da RPDC, buscando conhecer as diferentes versões da realidade daquele povo e não apenas o noticiário internacional e nacional, ainda profundamente discriminatório e parcial em relação aos países de sistema socialista.

Cabe destacar ainda, que apesar do falecimento recente do então Presidente Kim Jong Il, a programação nacional e internacional está mantida, em defesa da paz, da independência e do respeito à soberania dos povos. A ideia é que os diferentes países amigos expressem suas condolências ao povo coreano, solidariedade e apoio à reunificação independente e pacífica da pátria coreana, ressaltando a importância do tratamento respeitoso e sem bloqueios e sanções pelo fato da RDPC defender sua independência e sua livre determinação e, conheçam mais profundamente a história e a vida daquele país.

Para o Brasil, o mais importante é a reafirmação do espírito democrático e soberano de nosso país, destacando o respeito, a amizade e o tratamento que dispensamos a todos os povos do mundo, independente dos sistemas políticos de governo. Daí a importância do Brasil ter relações diplomáticas com a RPDC, graças ao destemor do governo do Brasil, o esforço e o apoio do parlamento e do povo brasileiro e, mais recentemente ter a sua embaixada e seu embaixador, graças à compreensão política favorável e amiga demonstradas pelo Presidente Lula e que está sendo dada continuidade no governo da presidenta Dilma.

* Primeira senadora da República pelo RS, ex-ministra de Políticas para as Mulheres do governo Lula, secretária do CODESUL-BRDE – RS, suplente de deputada federal PT/RS, presidenta do Fórum de Mulheres do Mercosul - Brasil

 

 
Últimas Notícias
 
18/03/2017   -- Atos dizem NÃO a Temer & súcia em defesa da Previdência e CLT
18/03/2017   -- Michel Temer, Gilmar, Rodrigo Maia e Eunício tramam contra a Lava Jato
16/03/2017   -- Não tem déficit na Previdência, o que tem é muito roubo
18/01/2017   -- Fernando Siqueira: “o acordo com Total é um ato criminoso”
18/01/2017   -- Para Ciro, conchavo PT-Temer na Câmara é uma traição imoral
 

 
Voltar


 Comente
 
COMENTÁRIOS:
18.03.2017
 Michel Temer, Gilmar, Rodrigo Maia e Eunício tramam contra a Lava Jato.
18.01.2017
 Para Ciro, conchavo PT-Temer na Câmara é uma traição imoral.
18.01.2017
 Fernando Siqueira: “o acordo com Total é um ato criminoso”.
13.12.2016
 Wagner e assessor especial de Dilma receberam suborno.
13.12.2016
 Geddel se sentia passado para trás.
13.12.2016
 Renan recebia pixuleco através de Jucá.
13.12.2016
 Padilha e Moreira Franco eram os prepostos de Temer que abasteciam PMDB da Câmara.
13.12.2016
 “PEC 55 só favorece especulador”, afirma o economista Nilson Araújo.
13.12.2016
 PEC do roubo à Previdência barra aposentadoria plena antes dos 70 .
13.12.2016
 Juros altos e sem investimentos, PIB recua 0,8% no 3º trimestre.
13.12.2016
 Governo, Congresso e STF estão podres. Eleições Gerais Já!.
23.11.2016
 Governo apresenta novo pacote de arrocho contra servidores gaúchos.
23.11.2016
 Contra a PEC 241/55 e o Pacote do Sartori.
21.10.2016
 Ipea diz que PEC 241 vai tirar 868 bilhões da assistência Social.
[+ Notícias]

Correio Eletrônico: pplrs@pplrs.com.br