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Créditos:Ministro Guido Mantega
05/12/2012 | PIB fica estagnado em 0,6% e investimento cai 3,9% no ano

Dilma já perdeu dois anos; restam dois

Política de achatar o investimento público arruína PIB outra vez

Segundo o aloprado Mantega, cortar o investimento público faria crescer o privado. A realidade não confirmou

Indústria de transformação cai de 10,1% a -3,2%

A sétima débàcle consecutiva do Produto Interno Bruto (PIB) – revelada na sexta-feira pelo IBGE, contra todas as expectativas forjadas pelo marketing do sr. Mantega – deveria fazer com que o governo constatasse o óbvio: com a atual política econômica de restrição dos investimentos e gastos públicos, desnacionalização acelerada da economia e anti-industrialismo que está se tornando quase histérico (já apareceram, inclusive no governo, os adeptos da agricultura como nosso modelo – quem sabe, vocação - de “competitividade”), estamos condenados a um pântano sem fim, com um crescimento inferior ao da própria população.

Infelizmente, até agora, nada indica que tenha se chegado a tal constatação. Apareceu até uma teoria segundo a qual os microscópicos 0,6% de crescimento do PIB no terceiro trimestre do ano são um bom resultado, pois refletiriam o menor faturamento do setor financeiro.

Além da burrice evidente desse raciocínio – o PIB é uma soma do valor adicionado em mercadorias e serviços, portanto, se a parcela do setor financeiro diminuiu, o problema é porque os setores produtivos não ocuparam o espaço – resta a questão de que ele é, simplesmente, falso, mentiroso ou preguiçoso. Quem, de boa fé, diz uma barbaridade dessas, não leu o relatório do IBGE, apenas está repetindo o resumo que a “Folha de S. Paulo” publicou no sábado, onde apareceu a citada teoria pela primeira vez.

Para que o leitor não pense que é implicância, vejamos algo elementar, a evolução do subsetor de “intermediação financeira” no PIB (ou seja, sua variação em valor, não a sua magnitude em relação ao PIB, que é 5,7%):

-     2010: 10%;

-    2011: 3,9%;

- 2012: 0,4% (cf. IBGE, “Contas Nacionais Trimestrais - Indicadores de Volume e Valores Correntes”, Julho/Setembro 2012, tabela anexa, “Taxa acumulada ao longo do ano”).

O que isso quer dizer é que o setor financeiro “adicionou menos valor” em 2011 e 2012 do que em 2010, último ano do governo Lula. Em outras palavras: o setor concedeu, relativamente, menos empréstimos às empresas e aos consumidores – ou seja, secou o crédito.

Mas não foi por isso que o crescimento do PIB afundou. Se fosse, a conclusão mais coerente seria aumentar os juros para aumentar o faturamento dos bancos, e, consequentemente, o PIB.

Mas, graças aos céus – e à mais comezinha realidade -, o PIB afundou pela razão de sempre: o setor mais dinâmico da economia, a indústria de transformação, atirada em areia movediça desde janeiro de 2011, continuou afundando. Vejamos a evolução, no ano, da indústria de transformação:

- 2010 (governo Lula): 10,1%;

- 2011: 0,1%;

- 2012 (até o 3º trimestre): -3,2% (cf. loc. cit.).

Para conseguir esses números – a nosso ver, escandalosos – que mostram como a indústria de transformação foi vandalizada, em prol, sobretudo, do setor financeiro e das multinacionais, basta ler o relatório do IBGE. Não é preciso nem mesmo raciocinar. Apenas, é preciso não ser preguiçoso ou ter a mínima consideração pela verdade para lê-los.

RESULTADOS

Mas esse não é o caso do sr. Mantega. Sua alienação e irresponsabilidade são apenas sinal de que tornou-se um cínico, como também há os que se tornam corruptos ou ladrões, servos dos bancos ou dos refletores da mídia, e, até, como o sr. Fux, juiz do STF à custa de pedir um pistolão a quem iria trair e condenar sem provas.

Na véspera do anúncio, pelo IBGE, do PIB do terceiro trimestre, Mantega anunciou “em torno de 1%”, resultado que considerava excelente à moda dos escroques no governo dos EUA - multiplicando por quatro o resultado do trimestre para dizer que o país está crescendo a 4% ao ano.

Houve até documento oficial do governo em que se disse, literalmente, que “a economia brasileira, em meados deste ano, entrou em novo ciclo de expansão, refletido nas elevadas taxas de crescimento de diversos indicadores de atividade econômica no terceiro trimestre” (PAC2, 5º Balanço, maio/setembro 2012, pág. 8, grifo nosso).

Em vez disso:

1) O PIB ficou em 0,6% na comparação com o trimestre imediatamente anterior (ou 0,7% no acumulado do ano de 2012, o que é uma taxa inferior ao crescimento vegetativo).

2) O investimento desabou, também pela sétima vez, (a variação do gasto das empresas com máquinas, equipamentos e construções – a formação bruta de capital fixo ou FBCF – que em 2010 estava em +21,3%, agora está em -3,9%).

3) Em termos de PIB – o que é conhecido como “taxa de investimento da economia” – a FBCF decresceu de 19,5% do PIB em 2010 para 19,3% em 2011 e, agora, para 18,7%, o que significa que voltamos ao nível de cinco anos atrás.

4) A soma de todos os investimentos (incluídas as importações de máquinas e equipamentos, que ocuparam 76,4% do mercado interno), medidos pela FBCF, de janeiro a setembro deste ano, montou a R$ 205 bilhões, o que é muito pouco para uma economia do tamanho da brasileira.

5) A agropecuária acumulou o terceiro resultado negativo ao longo do ano (-8,5% no 1º trimestre; -3% no segundo; e -1% no terceiro).

6) Até a indústria extrativa mineral está negativa no período que vai de janeiro a setembro (-0,9%).

Pois Mantega continuou satisfeito: “Estamos numa trajetória de recuperação da economia. Há um movimento difuso de recuperação de todos os setores. No 4º trimestre, devemos ter crescimento em torno de 1% e, no ano que vem, a economia estará numa trajetória de 4% de crescimento. Eu diria que a indústria de transformação está ganhando velocidade e vai continuar nessa trajetória, refletindo as medidas que o governo tomou para sua recuperação. A indústria da construção também mostra uma retomada”.

Já vimos como “a indústria de transformação está ganhando velocidade”. Quando alguém declara semelhante estrupício, fazem falta aquelas velhas senhoras de antigamente, que, entre uma frase e outra, sempre diziam: “que pouca vergonha! Onde está a polícia, que não vê uma coisa dessas?”.

Realmente...

Quanto à indústria da construção, os números da “retomada” são os seguintes: 2010: 11,6%; 2011: 3,6%; 2012 (até o 3º T): 2%.

REVIVAL

Como se explica a continuação da derrubada do crescimento, após Lula deixar a Presidência, se os juros básicos caíram, e, por consequência, o câmbio melhorou para a economia nacional?

Evidentemente, o principal sentido de baixar os juros básicos – isto é, os juros que remuneram ou remuneravam os que especulam com títulos públicos – era aumentar o investimento público. No entanto, com a redução da taxa de juros, não foi isso que aconteceu.

Pelo contrário, o investimento, os gastos e os financiamentos públicos continuam travados. Como consequência, os investimentos privados também se retraíram. Somente um gênio como o sr. Mantega poderia postular que, para incentivar o investimento privado, seria necessário diminuir os investimentos públicos. Qualquer sujeito interessado pelo assunto – que não seja um débil mental ou um funcionário, oficial ou oculto, do cartel bancário – sabe que são os investimentos públicos que “puxam” os investimentos privados.

Porém, há mais de um ano que essa política de segurar os investimentos públicos – na verdade, substituí-los pelo dinheiro estrangeiro que invade o país para comprar empresas brasileiras – fracassou rotundamente. Ficou claro que o objetivo do sr. Mantega era “limpar o terreno” para o capital estrangeiro, deixando as empresas nacionais à sua mercê, ao tirar delas o estímulo e apoio dos investimentos públicos, dos gastos públicos e dos financiamentos públicos. Nesse aspecto, a política de Mantega é essencialmente a mesma que a do notório Roberto Campos, ou Bob Fields, no primeiro governo da ditadura. Com, mais ou menos, o mesmo resultado – e o “menos” corre por conta de que a presidente Dilma não é Castello Branco.

OBSTRUÇÃO

Mas, fracassada essa política, qual é, então, a situação atual?

Qualitativamente, a mesma de antes, por mais que agora a equipe econômica até fale que aumentou o investimento público. Do ponto de vista real, a situação é até pior, pois a destruição da indústria, o desaparecimento de elos da cadeia produtiva, substituídos por importações, e as empresas nacionais que deixaram de existir, substituídas por multinacionais remetedoras de lucros e importadoras de componentes, paralisaram muito mais a economia do que na época em que o sr. Mantega propalava abertamente o besteirol da contenção dos investimentos públicos – assim como dos gastos públicos de custeio, um dos mais poderosos estímulos ao investimento privado.

A política de Mantega era uma escadinha de conversa fiada: conter os gastos de custeio para aumentar os investimentos públicos e conter estes para aumentar os investimentos privados. Logo, não houve investimentos públicos nem privados.

A amostra atual: até o dia 1º de dezembro, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), somente 18,29% das verbas aprovadas pelo Congresso para investimentos orçamentários em 2012 fora efetivamente liberada, isto é, pagas (o grifo é porque, frequentemente, nas prestações de contas e balanços públicos, esquece-se que verbas empenhadas, verbas liquidadas e verbas pagas não são a mesma coisa).

Na mesma data, apenas 21,31% das verbas orçamentárias aprovadas pelo Congresso para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), haviam sido efetivamente liberadas, isto é, pagas.

Quanto ao orçamento das estatais, somente 68,11% da dotação aprovada pelo Congresso fora realizada em 1º de dezembro.

Sobre o financiamento público, os desembolsos do BNDES permaneceram estagnados, com um aumento global, de janeiro a setembro,  de apenas 3% em relação a 2011 - ano em que houve uma queda de -18% em relação ao ano anterior (no caso dos financiamentos à indústria, a queda foi de -19%).

Para agravar a situação, em setembro, os desembolsos do BNDES nos últimos 12 meses caíram -9% no famoso setor de infraestrutura - aquele que todo demagogo econômico sempre aponta como um dos gargalos do alegado “custo Brasil”.

Da mesma forma, os desembolsos para as médias empresas, contingente onde se localizam as mais importantes empresas nacionais, caiu -1% nos 12 meses anteriores a setembro, enquanto a queda nos financiamentos para as microempresas foi de -2% (todos os dados extraídos do último Boletim de Desempenho do BNDES, 30/09/2012).

JUROS

Porém, voltemos: como se explica essa situação, considerando que a presidente Dilma conseguiu baixar substancialmente os juros?

Explica-se porque o dinheiro poupado nos juros não foi canalizado para investimentos ou financiamentos públicos – isto é, para o financiamento público do investimento privado.

Pelo contrário, foi enfiado nas amortizações, ou seja, aumentaram-se as transferências aos bancos por outra via. Quem quiser comprová-lo, pode ler dois relatórios do Tesouro: o Relatório Resumido da Execução Orçamentária do Governo Federal (RREO) de setembro de 2011 (página 70) e o RREO correspondente a setembro de 2012 (página 58).

Comparando as tabelas dessas páginas, o leitor perceberá que as amortizações em dinheiro aos bancos, de janeiro a setembro de 2012, subiram 352,33% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Há vários números para essas amortizações – no Resultado Fiscal do Tesouro, chega-se a R$ 337.654.700.000, o que é muito próximo do montante aprovado pelo Congresso para 2012. No entanto, o RREO fornece, como gasto de janeiro a setembro em amortizações (fora refinanciamento), a quantia de R$ 254.913.741.000. No mesmo período de 2011, o governo federal pagou R$ 56.355.811.000 aos bancos nessas amortizações. Ou seja, o governo pagou aos bancos, em amortizações, e em dinheiro, quatro vezes e meia o que pagou em 2011.

Há outro modo, ainda, que está sendo usado para desviar, outra vez, o dinheiro que seria poupado com a baixa dos juros básicos, para os bancos: a substituição dos títulos indexados pela taxa básica por outros que pagam juros até mais altos. Por isso, o custo da dívida, segundo o BC, está em quase 12%, enquanto a taxa básica desceu para 7,25%.

De onde se conclui que é preciso ser tolo – ou muito ingênuo – para esperar outra coisa dessa política.

 

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 

 

 
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