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17/01/2013 | Amortizações a bancos saltam de R$ 94 bilhões para R$ 282,35 bilhões

Embora não seja a única causa, o desvio sistemático de recursos para os bancos tem sido um fator decisivo para o fraco desempenho da economia nos dois últimos anos. Talvez até em função disso, a presidente Dilma tem defendido e se esforçado para que os juros caiam aos patamares internacionais. Porém, o dinheiro poupado com a redução da taxa Selic, a partir de agosto de 2011, em vez de viabilizar a ampliação dos investimentos públicos continuou sendo drenado para os bancos via amortizações que estão crescentes.

Os relatórios resumidos da Execução Orçamentária do Governo Federal (página 59) e da Execução Orçamentária da União – Sintético (páginas 2 e 4), de novembro do ano passado divulgados pelo Tesouro Nacional, comprovam isso. De janeiro a novembro de 2011 as despesas liquidadas com juros da dívida pública somaram R$ 121.757.000.000,00. No mesmo intervalo de 2012, totalizaram R$ 132.730.000.000,00, um aumento de 9,0%. Enquanto isso, na mesma base de comparação, as despesas liquidadas com amortizações (exceto financiamento) passaram de R$ 93.744.000.000,00 para R$ 282.356.200.000,00, um salto de 210%.

INVESTIMENTOS

Já os investimentos continuam travados. De uma dotação autorizada de R$ 90.909.000.000,00 para todo o ano de 2012, até novembro haviam sido liquidados tão somente R$ 17.069.000.000,00, contra R$ 11.710.000.000,00 no mesmo período do ano anterior, uma variação de 45,8%.

Somando-se gastos com juros e amortizações (exceto refinanciamento), tivemos em no acumulado de janeiro a novembro de 2012 nada menos que R$ 415.086.200.000,00. Comparativamente, até novembro foram gatos com saúde R$ 60.901.918.000,00; com educação, R$ 50.580.363.000,00; com defesa nacional, R$ 25.742.566.000,00.

Resumo da ópera: mesmo com o Brasil deixando de ser o campeão mundial dos juros altos – mantendo-se, porém, ainda em um patamar bastante elevado, com juros reais de 1,7% ao ano, ante uma média mundial negativa de 0,4% -, do dinheiroduto para os bancos está a todo vapor, com agravante ainda da diminuição dos desembolsos do BNDES, especialmente às empresas nacionais e da estagnação dos investimentos.

O problema é que se já se passaram dois anos de governo, que foram perdidos em termos de crescimento econômico, até aqui vegetativo, nos moldes da chamada década perdida, que na verdade foram duas, contando com o desastre do período neoliberal.

Como já foi dito, além de estancar a sangria dos recursos para os bancos, por exemplo, dando um fim nesse monstrengo chamado de superávit primário, e aumentar os investimentos públicos, também se mostra necessário deter a desnacionalização e a desindustrialização.

Reduzir a taxa de juros é um bom começo. Mas, como vimos, não é o bastante. Muito menos se limitar a desonerações em vez de implantar uma política industrial digna do nome.
 

Fonte: Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 

 
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