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17/01/2013 | CDES critica investimento baixo e extorsão do "superávit primário"

CUT e CGTB participaram, terça, da reunião Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, realizada em SP

Nesta terça-feira, 15, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) se reuniu em São Paulo para um debate sobre o desenvolvimento do país e conjuntura internacional.

Estiveram presentes na reunião diversos sindicalistas e representantes do setor empresarial e econômico. Entre as principais questões apontadas está o baixo crescimento econômico do Brasil, a falta de investimentos públicos e o papel do BNDES e do governo. Os presentes criticaram os cortes nos recursos do PAC; o superávit primário; a desindustrialização e a desnacionalização; e as privatizações.

O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, ressaltou a importância dos investimentos públicos, afirmando que o governo precisa priorizar suas compras para as empresas genuinamente nacionais. “Essa conversa de dizer que as empresas locais são empresas nacionais é mentirosa. A Volks é empresa nacional? A Ford é empresa nacional? Não. Então precisamos deixar claro quais são as empresas genuinamente nacionais”, alertou.

Para Jacy Afonso, secretário de Organização da CUT, é preciso acabar com o superávit primário, que “só serve para dar dinheiro para banco e mais nada. No final do ano não houve reunião do CDES. Isso não pode acontecer. O governo se reúne com vários segmentos e não com o CDES, que é amplo, deu uma grande contribuição para o governo Lula e pode contribuir com esse governo. Mas a presidenta Dilma precisa nos ouvir”, afirmou.

Os conselheiros e convidados destacaram o problema do direcionamento dos investimentos e financiamentos via BNDES, lembrando que o banco recentemente “emprestou R$ 3 bilhões para a Fiat”. Presente na reunião, Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também foi alvo de críticas. O BNDES foi representado da reunião pelo economista Fernando Puga.

Além dos investimentos, a taxa de juros e o câmbio também foram debatidos. O presidente da Abimaq, Luis Aubert, disse que é necessário reduzir as taxas de juros e controlar o câmbio porque a indústria nacional está demitindo e indo à falência. Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e ex-conselheiro do CDES, afirmou que agora o país esta vivendo as conseqüências do que fez anteriormente ao permitir altas taxas de juros e sobrevalorização do câmbio.

Bira lembrou ainda a grave crise que atinge a Europa: “As economias estão destruídas vivendo um período de recessão. Na nossa opinião a situação não irá mudar enquanto não for alterada, drasticamente, o rumo que estão seguindo de ajuste fiscal. Eles estão querendo resolver os problemas dos bancos e das multinacionais arrancando o couro dos trabalhadores com a retirada de direitos trabalhistas, salários, aposentadorias e pensões”, avaliou Bira. “Ficou demonstrado que essa política de terra arrasada não resolve nada, pelo contrário, só aprofunda a crise. Eles precisam tomar o rumo do desenvolvimento fortalecendo o Estado e a produção com fortalecimento do salário, do emprego e dos direitos dos trabalhadores. O que está acontecendo na Europa demonstra o que não pode ser feito no Brasil”, finalizou .

O debate concluiu que haverá uma comissão – formada por Luiz Gonzaga Belluzo, Ubiraci Dantas de Oliveira, Jacy Afonso, Antonio Trevisan, Rui Prado, Germando Rigotto e um representante da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) – que irá elaborar um documento com as propostas, críticas e contribuições,  que será entregue a presidenta Dilma Rousseff.

Fonte: Hora do Povo

 
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