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23/01/2013 | Amorim quer prevenir os países do Atlântico Sul contra intervenções externas na região

O ministro da Defesa, Celso Amorim, propôs aos países integrantes da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas) uma série de iniciativas, para tornar mais concreta a parceria em matéria de defesa e segurança entre as nações que compõem o foro multilateral. "Se nós não nos ocuparmos da paz e segurança no Atlântico Sul, outros vão se ocupar. E não da maneira que nós desejamos: com a visão de países em desenvolvimento que repudiam qualquer atitude colonial e neocolonial", afirmou Amorim, durante a VII Reunião Ministerial do grupo, realizada dias 15 e 16 de janeiro em Montevidéu, capital do Uruguai.

A Zopacas é um foro de diálogo e cooperação entre nações sul-americanas e africanas banhadas pela parte sul do Oceano Atlântico.

O ministro advertiu que a região pode atrair, "de maneira negativa para nossa área, a presença de intervenções externas", a pretexto de combater "atividades ilícitas", como a pirataria, tráfico de drogas e de pessoas, além do terrorismo internacional. Alguns países africanos do Atlântico Sul citaram esses problemas na reunião, embora pirataria, terrorismo e outros sejam casos que atingem o nordeste e leste da África (Somália principalmente) e não o lado ocidental. Apesar disto, EUA e governos da Europa alardeiam estranhamente que o Atlântico Sul é vítima de pirataria, sem haver casos concretos.

Tem razão o ministro Celso Amorim em se preocupar com a defesa e a paz da região, que assiste a ocupação colonial das Ilhas Malvinas, roubadas pela Inglaterra da Argentina. E recentemente os Estados Unidos reativaram a IV Frota, em que navios de guerra norte-americanos navegarão ostensivamente pelas águas da América Latina e Caribe, uma afronta à soberania da região. O Brasil descobriu o pré-sal, uma riquíssima e incalculável (até agora) nova fronteira de petróleo, que já é alvo da cobiça estrangeira. Países africanos do Atlântico, como Angola, também têm petróleo e outras riquezas cobiçadas.

Celso Amorim reforçou a importância de se ampliar a cooperação em defesa entre os países do foro. "Hoje vivemos uma realidade em que é muito difícil dizer exatamente onde, como e quais serão as intervenções externas, dos conflitos que poderão surgir", disse. "Esses fatos tornam ainda mais importante e vital a manutenção da nossa zona de paz e cooperação", completou.

Fonte: Hora do Povo

 
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