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23/01/2013 | Obama inicia novo mandato com 2 mil civis mortos por seus drones

O mesmo Obama que ordena ataques de drones no Paquistão, destruiu a Líbia e assassinou o líder Kadafi, e agora patrocina a matança na Síria, disse na 2ª posse que a ‘década de guerras’ está no fim

Conhecido por sua traição ao programa de mudança com que fora eleito em 2008, substituído na Casa Branca por outro de salvação dos bancos e guerra dos drones, Barack Obama resolveu jurar sobre duas bíblias, uma de Lincoln, outra de Martin Luther King, na cerimônia pública de posse no segundo mandato, diante do Capitólio, na segunda-feira (21), feriado nacional em homenagem ao reverendo que foi assassinado por lutar contra a segregação racial, a desigualdade social e a Guerra do Vietnã.

Um cartaz no meio da assistência manifestava toda a distância que separa Obama de Luther King: “I have a drone”. Assim, tomou posse com as mãos sujas de sangue. No seu discurso, diante de um público que era um terço do de 2009, e tendo quase nove milhões de votos a menos, Obama evitou promessas explícitas, apelando para frases de efeito, ainda mais frágeis de violar, e comparações históricas entremeadas de considerações sobre as traições à frente - como as “duras decisões” sobre os cortes na saúde e no déficit.

Mas possivelmente a mais descarada mentira de Obama foi contida na frase em que declarou que nos EUA “uma década de guerras estava acabando agora”. Com os EUA fazendo planos para manter 15 mil soldados no Afeganistão mesmo depois da retirada dita para 2014 - se é que vai haver-, a extensão da guerra ao Paquistão com os drones, o bombardeio da Líbia e assassinato do líder Muamar Kadhafi, o patrocínio à matança na Síria, as ameaças de guerra e sanções de aleijar contra o Irã, a ingerência na África, o cerco pretendido à Rússia e a China com o escudo antimíssil e o deslocamento de 60% da frota naval dos EUA para as costas asiáticas e a manutenção de 1000 bases no exterior, o que se prepara é outra década de intervenção e confrontos.

Se não houve outro caminho senão bater em retirada do Iraque, só não foram mantidas tropas dos EUA ali porque o governo Maliki se recusou a aceitar a cláusula de “imunidade”, isto é, impunidade, para os soldados restantes. Mas 20 mil marines estão de prontidão no vizinho Kuwait. Com Obama, a invasão do Afeganistão tornou-se conhecida como “Guerra do AfPak” (Afeganistão e Paquistão). Passou a ser parte da rotina presidencial se reunir às terças-feiras para aprovar alvos dos bombardeios com os drones, que foram estendidos ao Oriente Médio e à África. Guantánamo continua aberto com seus torturados. O Ato (In)Patriótico foi agravado pela Lei de Defesa Nacional, que na prática revogou o hábeas corpus, permite prisão indefinida e abole até o sigilo advogado-cliente. O grampo continua amplo, geral e irrestrito.

NOBEL DA PAZ

Não foi por falta de afagos que Obama fracassou: chefe de duas guerras, foi agraciado com o Nobel da Paz, mesmo com pelo menos 2 mil civis mortos por drones no Paquistão, e com suas tropas cometendo chacinas quase diárias no Afeganistão. Mas não se limitou à intervenção armada: também desfechou contra os povos do mundo uma guerra econômica, guerra cambial, emitindo trilhões de dólares frios no chamado “quantitative easing”, para encher as arcas dos bancos norte-americanos encharcados de papeis podres. O paladino da democracia também deu guarida a golpes de estado em Honduras e no Paraguai – para ficar só na América Latina. Tenta, ainda, extraditar Julian Assange por ter, com o WikiLeaks, vazado os telegramas secretos do Pentágono sobre as agressões no mundo inteiro.

No seu discurso, Obama se referiu a que os homens foram “criados iguais”, o que não parece se aplicar aos banksters que levaram o país para o buraco: nenhum deles foi para a cadeia, estão todos soltos, e aproveitando os bônus milionários. Para eles, o bailout. Já se roubar uma galinha, é tolerância zero. Os bancos grandes-demais-para-falir se tornaram ainda mais inchados após a crise, continuam empanturrados de derivativos, e a legislação aprovada não restaurou a separação entre atividade bancária e especulação que o governo Roosevelt criou após o crash de 1929 e o governo Clinton revogou. Com o dinheiroduto injetado pelo Federal Reserve, a jogatina em Wall Street voltou aos dias de festa, enquanto os bancos maqui-avam balanços. Quanto à “recuperação econômica” que não para de derrapar, é questionada por 23 milhões de desempregados e pelos milhões que tiveram as casas tomadas pelos bancos.

PROMESSAS

Chegado ao poder nas asas das promessas, ao invés de um estadista, Obama se revelou um politiqueiro ávido por agradar o establishment e Wall Street, sempre pronto a recuar diante da pressão do outro lado, sempre disposto a atender ao Pentágono. O povo o havia elegido no primeiro mandato para pôr fim às guerras de W. Bush e, internamente, liderar uma saída para a crise em que a especulação desenfreada de Wall Street havia jogado o país, e em especial defender os empregos, além de solucionar impasses, como a perseguição aos imigrantes. Acabou sendo o presidente na história do país que mais imigrantes deportou, apesar de prometer cidadania aos filhos deles. Na Saúde, aprovou uma reforma que ao invés de implantar um sistema universal e público, passou a obrigar cada norte-americano a pagar por um plano privado sob pena de multa.

Com tal trajetória, resta saber se a providência de Obama de jurar sobre duas bíblias servirá de garantia à grande maioria da população quanto aos cortes pretendidos pelos republicanos no Medicare, Medicaid, Previdência Social, seguro-desemprego, assistência às crianças e outros programas sociais a pretexto de “redução do déficit”. São esses programas que vêm salvando milhões de famílias norte-americanas do desamparo – aliás, 47%, segundo o oponente Mitt Romney -, mas para os republicanos, como o dinheiro dos bancos e do Pentágono é intocável, é do corte brutal neles que se trata. Na realidade o déficit só existe por conta das guerras, do bailout dos bancos e do corte de impostos dos ricos, este agora amenizado desde o acordo do “abismo fiscal”.

É certo que Obama se referiu ao papel desses programas para “os mais vulneráveis”, mas ele também disse adiante que “nós entendemos que programas ultrapassados são inadequados para as necessidades do nosso tempo”, e de “vitórias parciais”. Falou, ainda, de decisões que “estão diante de nós e que nós não podemos permitir que sejam adiadas”. O que cheira a “redução do déficit” no lombo das famílias trabalhadoras, com a discussão não sendo sobre se haverá ou não redução dos programas sociais, mas de quanto será a redução. Levando em conta o estelionato eleitoral de Obama quando ele ainda tinha um mandato a pleitear, agora que está no último período é difícil crer que sua coluna subitamente fique ereta.

 

Fonte: Antonio Pimenta

 

 
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