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29/01/2013 | Colunistas e analistas políticos alertaram sobre a inconsistência da denúncia do suposto “mensalão”

Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos afirmou que "a votação da reforma tributária não foi unânime, mas vários votos do PSDB e do DEM foram iguais aos dos governistas. Na reforma previdenciária, o PSDB votou junto com o governo, na época o PFL também votou quase unanimemente. Isso aconteceu também quando todos os partidos votaram com o governo no Código Florestal - o PT foi o partido com mais votos contrários. É um erro de análise aceitável pegar a votação de um partido e dizer que o voto foi comprado. Isso é um absurdo".

Wanderley segue sua linha de argumentação sobre a criminalização das coligações. "A legislação é inconsistente no que diz respeito a coligações. Ela favorece a coligação partidária de qualquer número de partidos. Porém, a lei proíbe que partidos que têm maior capacidade de mobilização financeira transfiram, à luz do dia e por contabilidade clara, recursos para partidos com menor capacidade de mobilização. Então você induz a criação de coligações, mas proíbe o funcionamento delas. Isso favorece o caixa 2, entre outras coisas. Todos os países com eleições proporcionais permitem coligações, do contrário não há governo possível. A coligação entre partidos que não têm a mesma orientação ideológica não é crime", argumentou.

O jornalista Jânio de Freitas também chamou a atenção, em seu artigo "A mesada e o mensalão", para as incoerências da denúncia feita por Roberto Jefferson. "Era mentira a mesada de R$ 30 mil. Nem indício apareceu desse pagamento de montante regular e mensal, apesar da minúcia com que as investigações o procuraram. Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira, além da mensalidade, na denúncia inicial de Roberto Jefferson. A tão citada conversa com Lula a respeito da mesada é um exemplo da ficção continuada", afirmou. E prossegue: "a mentira central deu origem ao nome - mensalão - que não se adapta à trama hoje conhecida. Torna-se, por isso, ele também uma mentira. E, segundo o deputado Miro Teixeira, ‘uma mentira de origem’".

Para sustentar as "mentiras de origem", Barbosa lançou mão de afirmações absurdas como: "entender que Valério e Delúbio agiram sozinhos, sem vontade de Dirceu (...) é, a meu ver, inadmissível"; "no meu sentir, essa cronologia, também evidencia ter havido promessa de repasses a líderes"; não há provas contra Dirceu, mas "no conjunto probatório contextualizado na ação penal, os pagamentos efetuados por Delúbio e Valério a parlamentares com quem Dirceu tinha contato direto colocam o chefe da Casa Civil em posição central de organização e liderança da prática criminosa, como mandante".

Como disse o nosso chefe de redação do HP, Carlos Lopes, em artigo publicado aqui: "como contestar o ‘a meu ver’ e "é inadmissível" de Barbosa?; ‘o meu sentir’ dele é suficiente para ‘evidenciar’ alguma coisa; a culpa de Dirceu, diz Barbosa, mais adiante, é ‘fato público e notório’. Logo, não precisa ser provado: a prova de que Dirceu era mandante dos pagamentos é a existência desses pagamentos". "Poder-se-ia acusar Dirceu também de provocar uma enchente - e, como prova, bastaria a própria chuva. Se choveu, ele é culpado. Portanto, está provado que ele provocou a enchente...", conclui Lopes.

Tudo isso é perfeitamente ridículo, mas, Barbosa prosseguiu dizendo que o que importa não é a verdade, que, segundo Fux, virou uma simples "quimera", mas o "conjunto probatório contextualizado". "O ‘contexto’ é suficiente para condenar", argumentou. Em suma, é como qualificou o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT/RS). "É uma grande falácia o suposto mensalão".

Fonte: Hora do Povo

 

 
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