Você está em: Home >> Notícias >> Desinvestimento público fez Brasil perder dois anos
 
- Procurar Notícias  
 
 
 
22/02/2013 | Desinvestimento público fez Brasil perder dois anos

Se não consertar, PIB não volta a crescer

Números de Mantega mostram queda no investimento público

Investimento cai em 2011 e 2012 em relação a 2010

Recentemente, na primeira etapa do “road show” da privatização, no dia 5 de fevereiro, o ministro Mantega apresentou, em gráfico, seus números sobre o investimento público (ver na primeira página). Curiosamente, o gráfico tinha um título garrafal: “Investimento do setor público se amplia”.

O curioso corre por conta de que, até no gráfico de Mantega, é evidente que o investimento público foi derrubado nos dois primeiros anos do governo Dilma, em relação a 2010, quando a economia, representada pelo Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 7,5% - com a produção física da indústria se elevando 10,5%. Portanto, o título mais correto para o gráfico seria: “Investimento público cai em relação a 2010”. Ou, então: “Investimento público cai nos dois primeiros anos de governo”.

A queda, provocada pela política econômica, se deu no mesmo período em que Mantega anunciava que a meta era, dos 19,5% de 2010, chegar a uma taxa de investimento total (público + privado) de 24% do PIB – uma taxa perfeitamente exequível e até menor que a do nosso próprio país em outros tempos (por exemplo, de 1973 a 1979 a taxa de investimento do Brasil variou de 23% a 26% do PIB).

Aliás, em termos internacionais, uma taxa de 24% do PIB de investimento seria, para um país do nosso porte, corriqueira. Vejamos as taxas em 2011 de alguns países: Argentina: 23%; Bielorrússia: 36%; China: 48%; Peru: 25%; Indonésia: 33%; Vietnã: 35%; Índia: 37%; Coreia do Sul: 29%; Laos: 27%; Malásia: 24%; Mongólia: 63%; Moçambique: 24%; Namíbia: 27%;  Rússia: 25%; Senegal: 31%; Tanzânia: 37%; Tailândia: 27%; Venezuela: 23% (cf. World Bank National Accounts Data and OECD National Accounts Data Files, “Gross capital formation (% of GDP), 1960-2011”).

Que maldição existirá sobre o Brasil para que não possa ter taxas de investimento semelhantes a estes países? Nenhuma. Exceto a de que é impossível aumentar a taxa de investimento quando se diminui o investimento público. Seria um fenômeno aritmético miraculoso se a soma do investimento público com o investimento privado aumentasse à medida em que se reduz o investimento público... Mas não é somente isso: há muito, se é que em algum tempo foi diferente, em qualquer parte do mundo, o estímulo maior ao investimento privado é, precisamente, o investimento público. Já voltaremos a esta questão.

Que o sr. Mantega mostre um gráfico com um título oposto ao seu conteúdo, parece um problema de córtex cerebral - mas é apenas a sua irresponsável certeza de que, não importa o que fale, a mídia e os “amigos banqueiros” lhe darão cobertura. Ainda que fosse verdade (e não é), no mundo não existem apenas a mídia e os bancos...

Portanto, analisemos mais detidamente o gráfico de Mantega.

Em primeiro lugar, há um problema em relação aos números apresentados para o investimento público de 2010.

Num gráfico semelhante, mostrado no dia 14 de janeiro de 2011 ao Ministério e à presidente Dilma - ou seja, há dois anos, na primeira reunião ministerial do atual governo -, Mantega apresentara a taxa de 5,1% do PIB para o investimento público do ano anterior. Essa taxa era assim composta: 1,4% do PIB correspondiam aos investimentos da União; 2% do PIB aos investimentos das estatais; e 1,7% do PIB aos investimentos dos Estados e municípios.

Agora, no último dia cinco, a taxa que Mantega apresentou para o investimento público de 2010 foi 4,7% do PIB, com a seguinte composição: 0,8% do PIB correspondem aos investimentos da União; 1,9%, aos investimentos das estatais; e 2% aos investimentos dos Estados e municípios.

O que houve para que o investimento público de 2010 passasse de 5,1% do PIB para 4,7% do PIB (uma queda de quase 8% na taxa de investimento público, de um gráfico para o outro)?

Mais estranho ainda, essa diferença se deve, sobretudo, a uma revisão no investimento da União: no gráfico de dois anos atrás, este é 1,4% do PIB; no gráfico de agora, o investimento da União em 2010 foi alterado para 0,8% do PIB – em termos percentuais, a taxa de investimento da União caiu 43% (mais rigorosamente: -42,86%), sem que houvesse nenhuma modificação da realidade, apenas entre um e outro gráfico.

Uma alteração de 43% (para menos) exatamente no item que o governo tem mais controle – e que é mais fácil de saber, pois é o próprio governo que libera (e que registra) os investimentos orçamentários da União – não é pouca pipoca. Mais suspeito ainda é o silêncio do sr. Mantega em relação a essa alteração.

É óbvio o que essas mudanças, nos números de um mesmo ano, sugerem: que os dados apresentados atualmente foram ajeitados para que a diferença entre 2010 e os anos subsequentes, isto é, a queda em 2011 e 2012 no investimento público, parecesse menor do que é. Não temos certeza, mas é difícil encontrar outra explicação, até porque o sr. Mantega levou dois anos para fazer essa revisão, e, mesmo agora, não disse que a fez: no último dia cinco, apresentou os novos números como se fossem os mesmos. Mas não são.

Ignoremos, por um momento, essa prestidigitação – e consideremos apenas os números do gráfico apresentado por Mantega no último dia cinco. Vejamos o investimento das administrações públicas (APUs), isto é, União + Estados + municípios.

Segundo os números do último gráfico do sr. Mantega, a taxa de investimento das APUs foi 2,8% do PIB em 2010; caiu para 2,3% do PIB em 2011; e manteve-se abaixo de 2010 em 2011 (2,5% do PIB).

Essa variação da taxa, em termos percentuais, significa que a taxa de investimento das administrações públicas caiu -17,86% em 2011 e -10,71% em 2012 (também em relação a 2010).

Se usarmos o número do gráfico anterior de Mantega para a taxa de investimento das APUs em 2010 (3,1% do PIB), a débàcle é pior:  -25,8% na taxa de 2011 e -19,35% em 2012 (também sobre 2010).

Em janeiro de 2011, quando apresentou o primeiro gráfico, a tese (cáspite!) do sr. Mantega, dita explicitamente, é que era preciso reduzir o investimento público para que aumentasse o investimento privado: “... nós estaremos revertendo todos os estímulos que nós fizemos para a economia brasileira entre 2009 e 2010. (…) nós já estamos retirando esses incentivos e agora falta uma parte deles que estão sendo retirados do Orçamento”.

O resultado foi um desastre. Atualmente, ele não sustenta mais essa idiotice – mas continua praticando-a. É o que explica a redução no pagamento de juros em 2021 (o setor público pagou a menos R$ 22,81 bilhões e o governo federal, sozinho, pagou a menos R$ 25,34 bilhões) não ter redundado em maior investimento público. Pelo contrário, o que ocorreu foi um tremendo aumento das amortizações aos bancos (de R$ R$ 97,628 bilhões em 2011 para R$ R$ 319,952 bilhões em 2012 – um aumento de 227,73%).

Pelos dados do sr. Mantega, sabemos que a taxa de investimento da União passou de 0,2% do PIB em 2003 para 0,8% em 2010 – ou seja, o esforço do então presidente Lula teve como resultado um aumento de 300% na taxa de investimento da União. No mesmo período, as estatais federais aumentavam seus investimentos de 1,1% do PIB para 1,9%. Um aumento de 72,7%.

Esse esforço foi interrompido pela política de derrubar o crescimento em 2011, com cinco aumentos de juros, taxas de câmbio alucinadamente desastrosas para a indústria nacional e seca nos investimentos públicos, nos gastos públicos, e, inclusive, nos financiamentos públicos (segundo o presidente do BNDES, os desembolsos do banco em 2011, em termos reais – isto é, considerada a inflação - diminuíram 22% em relação ao ano anterior; em 2012, esses desembolsos ainda foram 17,9% abaixo de 2010).

Naturalmente, a taxa geral de investimento caiu (de 19,5% do PIB foi para 19,3% do PIB em  2011 e, agora, ao que tudo indica, depois de cinco trimestres de quedas, deve estar abaixo de 19%).

Com ela, o crescimento – como uma consequência direta da queda no investimento público.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 

 
Últimas Notícias
 
06/10/2017   -- PPL-RS: NÃO à adesão do RS ao plano do governo federal de arrocho dos estados
06/10/2017   -- RS: Sartori anuncia venda de 49% do estatal Banrisul
06/10/2017   -- Presidente ladrão diz que imoral é o procurador que o pegou pelo pé
03/07/2017   -- Trabalhistas históricos fortalecem o PPL
29/06/2017   -- João Vicente Goulart se filiará ao PPL
 

 
Voltar


 Comente
 
COMENTÁRIOS:
03.07.2017
 Trabalhistas históricos fortalecem o PPL.
29.06.2017
 João Vicente Goulart se filiará ao PPL.
14.06.2017
 O manual da canalhice - ou como Temer escapou no TSE.
14.06.2017
 Trabalhadores nas ruas dizem “Não” às ‘reformas’ de Temer .
14.06.2017
 Boletim do BC reduz a 0,41% previsão para o PIB este ano.
14.06.2017
 Lucro das operadoras de saúde aumentou 70% em 2016, diz ANS.
14.06.2017
 Fux: os fatos são gravíssimos .
14.06.2017
 Gilmar defende impunidade para PMDB, PT e PSDB.
14.06.2017
 TSE livra chapa Dilma-Temer e vota pela ditadura da propina.
14.06.2017
 A luta pelo Brasil em um novo partido.
22.05.2017
 Resolução Diretório Estadual Partido Pátria Livre RS.
18.05.2017
 Parente corta investimentos e privatiza Campo do Azulão.
19.05.2017
 Com manifestações e panelaço, povo vai às ruas após divulgação de gravações de Temer .
19.05.2017
 Molon protocola pedido de impeachment.
[+ Notícias]

Correio Eletrônico: pplrs@pplrs.org.br