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28/02/2013 | As empresas privadas que mais importaram em 2012

Em seu relatório sobre a balança comercial do país em 2012, a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) divulgou a lista dos principais importadores no ano passado. São 250, entre empresas privadas, empresas estatais ou órgãos da administração direta, que realizaram 62,52% das importações.

Para avaliar quais são os maiores importadores privados, na lista que publicamos nesta página, retiramos as estatais (cuja importância quase que resume-se às importações de combustíveis - feitas através da Petrobrás, mas que são uma necessidade do país enquanto não expandirmos nosso parque de refino), órgãos da administração direta (por exemplo, importações de peças para reposição feitas pelo Comando da Aeronáutica) e, também, as tradings (pois sua atividade-fim é, exatamente a importação/exportação), com uma exceção: mantivemos tradings que constituem um ramo especializado de um grupo empresarial para operar importações e exportações de outras empresas desse mesmo grupo).

Obtivemos, assim, um quadro de 216 empresas: 49 empresas nacionais e 167 empresas estrangeiras. Estas últimas estão destacadas em vermelho. No caso de empresas que, apesar de oficialmente em nome de "residentes" (e até de brasileiros), só existem em função de uma empresa estrangeira (caso, por exemplo, da Caoa em relação à Hyundai), elas foram consideradas com a mesma nacionalidade da empresa a que servem. Há, na lista divulgada, por vezes, mais de uma empresa do mesmo grupo empresarial. Optamos por publicar as empresas da forma que apareceram na relação da SECEX, com uma exceção: a Vale Fertilizantes, que aparece duas vezes, o que nos pareceu apenas um erro. Sendo assim, somamos as duas entradas. Mas não fizemos a mesma coisa com a Continental, pois a possibilidade das duas entradas referirem-se a empresas diferentes era algo forte.

Em 2012, as importações somaram US$ 223 bilhões e 149 milhões (o que é 5% do PIB estimado pelo Banco Central). Hoje, essas importações são um problema gravíssimo para o país – e não apenas devido ao estrangulamento continuado das contas externas, mas, sobretudo, porque a maior parte delas são a própria desindustrialização da economia em forma de mercadoria - isto é, a substituição de produtos antes fabricados internamente por produtos fabricados no exterior.

Na lista abaixo, somamos entre as empresas nacionais a Embraer – uma das principais importadoras do país desde sua privatização – apesar de ninguém garantir que seu controle seja nacional (pelo contrário: até a "Exame", do Grupo Abril, não se atreve a essa temeridade, registrando seu controle como "pulverizado"; a propósito, ao contrário de sua colega de grupo, a "Veja", a mesma revista registra a Ambev como "belga" - e, realmente, a única dúvida que pode existir é se sua controladora, a Inbev, é belga ou norte-americana).

Apesar da Embraer ser considerada entre elas, as empresas nacionais desta lista de maiores importadores compraram no exterior, em 2012, US$ 19 bilhões e 733 milhões, enquanto as empresas estrangeiras importaram US$ 74 bilhões e 51 milhões. Ou seja, não somente, entre as grandes importadoras, o número de filiais de multinacionais é mais de 3 vezes o das empresas nacionais, como, em valor, aquelas importaram quase quatro vezes mais que estas.

Esses dados reforçam aqueles obtidos em estudos que apontaram o caráter sobretudo importador das filiais das multinacionais (p. ex., cf. Fernanda De Negri, "Desempenho Comercial das Empresas Estrangeiras no Brasil na Década de 90", pág. 60, e, também: Maurício Mesquita Moreira, "Estrangeiros em uma Economia Aberta: Impactos Recentes sobre a Produtividade, a Concentração e o Comércio Exterior", in "A economia brasileira nos anos 90", Rio, BNDES, 1999, págs. 364 e segs.).

Portanto, a desindustrialização da economia é uma consequência direta da desnacionalização – pois o que as filiais das multinacionais importam, principalmente, são bens intermediários, componentes para a indústria, que constituem, há muitos anos, a principal produção da indústria nacional. É verdade que passaram, já há tempos, a importar insumos de toda espécie e, sobretudo, o produto acabado, o que transformou montadoras, parcial ou totalmente, em entrepostos meramente comerciais.

Em 2012, as "matérias-primas e produtos intermediários" foram, em valor, 44,74% das importações (US$ 99 bilhões e 840 milhões) do país; em segundo lugar, os "bens de capital" foram 21,79% delas (US$ 48 bilhões e 622 milhões); em terceiro, os "bens de consumo", 17,64% (US$ 39 bilhões e 373 milhões); por último, os "combustíveis e lubrificantes" constituíram 15,82% das importações ou US$ 35 bilhões e 312 milhões (cf. Secex/MDIC, "Balança Comercial Brasileira – Janeiro-Dezembro/2012", pág. 88).

Porém, há outra desgraça, que beiraria o ridículo, se não fossem as consequências: 3/5 do comércio exterior do país é, na verdade, "comércio intrafirma", ou seja, "comércio" de uma filial de multinacional com sua matriz ou com outras filiais, feito, certamente, aos preços que as multinacionais decidirem (cf. Reinaldo Gonçalves, "Impacto do investimento estrangeiro direto sobre a renda, emprego, finanças públicas e balanço de pagamentos", in "Inserção Internacional Brasileira: temas de economia internacional", IPEA, Brasília, 2010, pág. 239).

Ao modo do guru econômico de Fernando Henrique, o tresloucado Gustavo Franco, há, inclusive na equipe atual do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), quem se deslumbre com esse formidável "comércio intrafirma" - por sinal, bem acima da média (1/3), que já é um escândalo, do comércio exterior mundial. Não é o nosso caso. Não gostamos de ser roubados.

Por último, sobre a origem do capital: certamente, o leitor não ficará surpreendido ao saber que, entre as grandes importadoras estrangeiras, predominam as filiais de corporações norte-americanas, que são, isoladamente, mais de 1/3 delas (35%), bem acima das alemãs (12%), francesas (8%), japonesas (7%), italianas (5%) ou qualquer outra nacionalidade.

Mais ou menos a mesma coisa quando usamos o valor – isto é, o preço - das importações como critério: 1) filiais de empresas dos EUA (29,46%); 2) da Alemanha (13,87%); 3) do Japão (12,58%); 4) da França: 6,8%; 5) e da Itália: 6,26%.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes


 
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