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28/02/2013 | Remessas e importa√ß√Ķes causam d√©ficit recorde nas contas externas

Em janeiro, o déficit na balança comercial atingiu US$ 4,036 bilhões e as remessas totais ao exterior somaram US$ 7,524 bilhões

Em janeiro, as transações correntes (balança comercial, serviços e rendas e transferências unilaterais) foram deficitárias em US$ 11,371 bilhões. No mesmo mês do ano passado, o déficit das contas externas foi de US$ 7,050 bilhões, segundo números divulgados pelo Banco Central na sexta-feira (22).

O rombo nas contas foi devido ao déficit na balança comercial de US$ 4,036 bilhões, resultante de US$ 15,967 bilhões de exportações e US$ 20,003 bilhões de importações. E também do aumento das remessas totais para o exterior, na ordem de US$ 7,524 bilhões.

Comparativamente, no mesmo mês do ano passado a balança ficou deficitária em US$ 1,307 bilhão (US$ 16,141 bilhões de exportações contra US$ 17,448 bilhões de importações) e as remessas atingiram US$ 5,939. Ou seja, em janeiro, o saldo da balança comercial diminuiu e as remessas para o exterior aumentaram (21%).

Em todo o ano de 2012, o saldo da balança comercial foi de US$ 19,438 bilhões, resultado 34,8% menor que o ano anterior, quando ficou superavitária em US$ 29,794 bilhões.

Do total de US$ 1,567 bilhão declarado e remetido oficialmente “lucros e dividendos” em janeiro, nada menos do que 60,1% (US$ 941 milhões) foram das filiais das multinacionais do setor de bebidas, deixando longe o segundo lugar, as concessionárias estrangeiras de eletricidade e gás (US$ 119 milhões), com 7,6%.

O setor de bebidas é monopolizada pela empresa belgo-americana InBev, que controla a Ambev. A Schincariol foi comprada pela japonesa Kirin.

Para cobrir os rombos externos, a equipe econômica tem recorrido ao chamado investimento direto estrangeiro (IDE), capital destinado à compra de empresa no país. No primeiro mês do ano, ingressaram US$ 3,703 bilhões a título de IDE, insuficientes para cobrir o buraco das transações correntes. Para fechar as contas, o governo teve de recorrer a US$ 7,668 bilhões de dinheiro especulativo externo. Segundo definição do BC, “necessidade de financiamento externo é igual ao déficit de transações correntes menos investimento estrangeiro direto líquido (inclui empréstimos intercompanhias)” – Quadro XXV do relatório do BC. Ou seja, 67,43% (US$ 7,668 bilhões) do rombo foram cobertos com capital de motel, expondo uma situação de alta volatilidade, ainda que apenas em um mês.

A diminuição do saldo da balança comercial, com um crescente das importações, e o aumento das remessas expressam – ainda que não seja a única causa - o processo de desnacionalização da economia, com a entrada da montanha de IDE no país. No ano passado, segundo a empresa de consultoria KPMG, 296 empresas nacionais que passaram para controle de fundos ou empresas estrangeiras, a maioria com sede nos EUA. Em 2011, 208 empresas haviam sido desnacionalizadas.

As filiais de multinacionais são importadoras por excelência: de bens intermediários – componentes para a montagem de produtos finais – e ultimamente também de produto final. Ou seja, quanto maior a desnacionalização, maior o aumento das importações, seguindo a lógica das matrizes das multinacionais, de investir o mínimo possível e enviar o máximo de lucros. A consequência disso é a desindustrialização do país, principalmente no setor bens intermediários, assolado pelas importações.

No ano passado, o déficit das transações correntes totalizou US$ 54,246 bilhões e para este o BC estima um resultado negativo de US$ 65 bilhões. Isto é, para a autoridade monetária, o ano começou com as contas externas piores que o início de 2012 e deve encerrar o ano de 2013 pior do que o ano passado. O que só demonstra que não há uma única razão para insistir no erro, com as contas externas totalmente expostas, dependendo de capital para cobrir o rombo.

Fonte: Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 

 

 
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